sábado, 12 de setembro de 2015

Hoje, como no início  do Movimento no nosso País, a violência é uma das chagas mais dolorosas. O remédio  mais radical é sempre o Evangelho. Escreve Ginetta: “Em Recife a comunidade foi crescendo ao redor dos focolares. O AMOR AO INIMIGO, QUE Jesus pede no Evangelho, desfazia antigas rixas e inimizades...”

Marilda e seus seis irmãozinhos viviam felizes na fazenda.  Tinha dez anos quando seu pai foi assassinado, vitima de uma vingança prometida há muito tempo. Este drama deu lugar a privações, ao desespero, à saudade. Marilda nunca conseguiu perdoar. Quando conheceu a vida nova do evangelho no Movimento, começou nela uma forte luta interior. Jesus diz: "Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam”. Deveria amar também quem matou meu pai?! Interrogava-se insistentemente....

A partir daquele instante aceitaram-se como verdadeiras irmãs. Este testemunho arrastou suas famílias ao perdão, trazendo a harmonia e a paz por tanto tempo desconhecida. Quebrou-se definitivamente o círculo vicioso da vingança. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Diante da extrema pobreza que Ginetta encontrou chegando em Recife, ela entendeu  que somente Deus seria capaz de resolver os problemas sociais. Mas qual Deus? Ela escreve: “Não um Deus relegado aos Céus, mas aquele Deus que podemos manter entre nós vivendo as palavras de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (cf. Mt 18,20). Então o nosso compromisso era estar dispostas a tudo, até mesmo a dar a vida umas pelas outras.
Amávamos, e procurávamos servir, sem discriminação, as pessoas que encontrávamos no dia a dia. E quase sempre elas se sentiam atraídas por essa vida nova, por Jesus que, silenciosamente, havia-se introduzido no nosso grupo. Irmão invisível que proporciona plenitude de vida e uma luz inconfundível!

No primeiro focolare dormíamos em pobres colchões que, como a mesa, eram emprestados. Somente uma cadeira e um armário eram nossos...  As pessoas que ali chegavam nos diziam...

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vamos começar a publicação da história de Ginetta no Brasil.


De Trento ao Brasil, com o crucifixo “vivo” no coração

“Sine sanguinis effusione non fit remissio, uma frase da Escritura que Ginetta (Luigia Calliari) costumava repetir: “Sem derramamento de sangue e sofrimento não existe redenção, não se produzem frutos”.
E na vida de Ginetta Calliari, desde que conheceu Chiara Lubich, em 1944, nunca faltaram dificuldades. Mas são simplesmente incontáveis também os frutos que ela soube produzir, até o dia de sua morte, 8 de março de 2001.

 A adesão de Ginetta ao ideal de unidade, de Chiara Lubich, foi imediata e radical.

Um sim incondicional a Deus, que em 1959 trouxe-a ao Brasil, acompanhada por um pequeno grupo de focolarinos: Marco Tecilla, Ada Ungaro (Fiore), Marisa Cerini, Violetta Sartori, Rino Chiapperin, Gianni Busellato.  Aqui, naquela época, havia apenas alguns jovens atraídos pelo ideal da unidade.
Começa assim uma nova aventura vivida com “amor autentico, forte, inflexível por Jesus Crucificado  Abandonato que gerava comunhão e unidade. Como sulinhou Dom Ercílio turco, hoje bispo emérito de Osasco (São Paulo) no momento da conclusão da fase diocesana do processo de beatificação. Sim porque – como declarou ainda ele, que deu início à causa de beatificação, “ela serve de exemplo para toda a sociedade”, porque mostra que um caminho de santidade suscita transformações, cria novas perspectivas, promove a fé, a paz e a unidade”.  E acrescentou: “Precisamos dessa unidade, quando, por toda parte, existem tantas divisões”. É a realidade desse nossos dias em todo o mundo.
Vamos assim percorrer algumas etapas de sua vida no Brasil assim como ela mesma nos contou.


1)       “Certo dia, Chiara me chamou e disse: “Ginetta, chegou a hora de deixar a Europa e levar esta espiritualidade a um outro continente. Não lhe dou um crucifixo de ferro, mas um crucifixo vivo”. Antes eu encontrava tantas imagens de cruzes, mas quando se consegue descobri-lo nas pessoas, ali se entende o crucifixo. Portanto é uma coisa extraordinária, é uma coisa novíssima!” . 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Veja a entrevista feita pela Canção Nova Notícias: 


Processo de beatificação de Ginetta Calliari - 08/03/13


http://www.youtube.com/watch?v=0e2R8y7hghw

segunda-feira, 3 de junho de 2013

MAIS DE VINTE ANOS ATRÁS SURGIA A ECONOMIA DE COMUNHÃO

O impossível que se tornou possível graças ao "sim" de muitos

29 maggio 1991- Uma data histórica: naquele dia Chiara Lubich, da Mariápolis, expressão do Movimento dos Focolares, situada nas proximidades de São Paulo, e que na época trazia o nome de “Araceli” (agora “Ginetta”), lança a ideia de um projeto inovador: a Economia de Comunhão (EdC). Um projeto que, desde a sua gênesis, tinha como objetivo contribuir para sanar as graves consequências sociais geradas pela crise econômica, consequências que ela havia percebido ainda mais profundamente chegando ao Brasil.
 
Naquela ocasião Chiara dirigia-se a um público do Movimento dos Focolares, incentivando de modo especial os atuais empresários ali presentes e pessoas que futuramente pudessem se tornar empresários. Com a sua difusão em nível mundial o projeto suscitou o interesse de economistas e pesquisadores de várias disciplinas, que começaram a entrever nessa ideia uma possível resposta à atual crise mundial econômica e até mesmo cultural.
 
Ginetta acompanhou com paixão as primeiras realizações. Isso custou a ela e a tantas pessoas – como costumava expressar-se - “sangue da alma’.

 

Reportamos em seguida alguns trechos extraídos de diálogos dela com empresários brasileiros, em 1994 e 1996. Relendo-os sentimo-nos impulsionados a manter sempre vivo aquele ardor dos primórdios da EdC.  Na época em que Ginetta está falando, havia somente o Pólo empresarial Spartaco; hoje, no Brasil, contamos com mais dois Pólos da EdC: o Pólo Ginetta em Igarassu, nas proximidades de Recife e o Pólo François Neveux em Benevides, nas proximidades de Belém, frutos também esses da determinação e generosidade de muitos, o que testemunha a atualidade das palavras de Ginetta. 

Entrada do Pólo Ginetta (Igarassu - Recife)
“Quando Chiara nos comunicou essas suas ideias fascinantes, os nossos corações exultaram. Para nós era como o canto do Magnificat, que Maria proclamava para desencadear uma revolução de amor.
 
A adesão dos membros do Movimento foi imediata, entusiástica, comovente; dos ricos aos pobres, dos pequenos aos grandes... Cada um sentiu-se tocado e lançou-se numa contribuição pessoal das mais variadas formas. Vimos acontecer, de um modo surpreendente uma comunhão de bens como a dos primeiros cristãos: dinheiro, jóias, terrenos, casas, disponibilidade de tempo e de trabalho, disponibilidade de transferências, oferta a Deus de sofrimentos e da própria vida.
O povo brasileiro, como o definiu Chiara, “magnífico, generoso, simples, pobre, mas que doa tudo, inteligente, criativo e solícito”, soube responder ao apelo.

 

 
Com o desejo ardente de concretizar imediatamente esta inspiração, iniciamos a procura de um terreno que tivesse todos os requisitos de uma região industrial, para garantir, no futuro, um Pólo no qual as empresas, por estarem instaladas no mesmo local, pudessem testemunhar esta nova economia.
Depois da experiência destes anos, podemos afirmar que a geografia de Deus não é a mesma dos homens, porque Deus, escolhendo o Brasil, conhecia a trágica situação econômica do País. Abrir empresas num contexto social como o nosso, no qual milhares de fábricas estão fechando por causa da crise econômica, humanamente é absurdo, é contra a lógica humana... Pois Cristo quer que vivamos de fé: "Tudo é possível àquele que crê" (Mc 9, 23).
 
Vista aérea Pólo Spartaco

 Mas é preciso que a EdC vá para frente, para que realmente não haja nenhum necessitado. Portanto, hoje mais do que nunca, o futuro da EdC depende de cada um de vocês, empresários da comunhão na liberdade.

 “O que fazer? Desanimar diante de um desafio tão grande? Com certeza não. A Palavra do evangelho, que estamos procurando viver nesse mês nos diz: “Não temas, crê somente”. É isso que eu peço a mim mesma e a todos vocês: não temamos, continuemos a acreditar. Assim como Deus deu coragem àqueles que se empenharam até agora, continuará a dá-la.
 
Embora não nos sintamos capacitados, a fé em Deus fará com que ele manifeste a sua potência levando a Economia de comunhão a um desenvolvimento inimaginável”.

(Para saber mais: www.edc-online.org/br)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Gen Rosso inicia tournée no Brasil com Ginetta



“Ajuda-nos a abraçar a cruz em todas as dificuldades; durante toda a viagem ajuda-nos a encontrar a providência para as diversas necessidades... tu, que agora estás perto de Deus e podes nos ajudar ainda mais do que quando estavas conosco...”.
Foi esta a oração de Frei Hans diante do túmulo de Ginetta, junto com Nelson, que com ele iniciou a Fazenda da Esperança, junto com todos os componentes do conjunto internacional Gen Rosso, com os cidadãos da Mariápolis Ginetta e outras numerosas pessoas dos arredores que haviam participado da missa cantada pelo grupo artístico na Igreja de Jesus Eucaristia.
Na homilia Frei Hans havia apresentado a próxima tournée, intitulada “Fortes sem violência”, que se estenderá em várias cidades do Brasil onde estão presentes as Fazendas da Esperança: começando em Aparecida (de 16 a 18 de maio), para depois continuar em São Paulo (25 e 26 de maio), Belo Horizonte (6 a 8 de junho), São Luiz (18 e 19 de junho), Aracaju (5 e 6 de julho), Fortaleza (18 e 19 de julho) e concluindo, no dia 27 de julho, no Rio de Janeiro, no grande encontro da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
O objetivo: através da apresentação do Gen Rosso que envolverá e terá como protagonistas sobre o palco os jovens da Fazenda, “levar à descoberta de Deus que é amor, o único capaz de preencher o vazio que existe no coração de muitos nesta sociedade “adoecida pelo individualismo e pela solidão”, testemunhar que é Ele “a prevenção” mais eficaz “para o inferno que a droga causa nos jovens e em tantas famílias”. “Queremos que possam encontrá-lo através da nossa vida – acrescentou Frei Hans – através do amor recíproco que permite que Ele viva entre nós; e possam experimentar aquela “força que é algo bem diferente da violência”.
E foi justamente este o motivo da decisão de vir à Mariápolis Ginetta antes de iniciar: “Queremos, com Ginetta, fazer um pacto de unidade entre nós, para que o amor recíproco esteja sempre vivo e termos a garantia de que aonde formos Jesus estará entre nós. E onde Ele está, acontecem milagres”.
Para saber mais:
www.genrosso.org.com









segunda-feira, 18 de março de 2013

Mensagem de Lavis, terra natal de Ginetta



Lavis, 7 de março de 2013
Recebi o anúncio do encerramento da Causa e domingo comuniquei aos fiéis da paróquia esta boa notícia, que marca um importante passo avante rumo ao reconhecimento da santidade de vida de Ginetta Calliari, que nasceu, foi batizada e cresceu nesta nossa paróquia.
Informei também a Administração Pública e o Sr. Prefeito me encarregou de transmitir também o seu contentamento.
A nossa paróquia e a comunidade de Lavis estão felizes por ser a terra natal de Ginetta, que deu, principalmente no Brasil, o seu maravilhoso testemunho de vida cristã, uma árvore frondosa que brotou aqui, mesmo se foi posteriormente transplantada em outras terras. 
Estamos felizes pela positiva conclusão da fase diocesana do processo de canonização e esperamos com confiança e esperança o dia em que poderemos chamar “beata” a nossa Ginetta.
Portanto queremos, por meio desta, garantir a nossa participação espiritual à celebração de amanhã, enviar a dom Ercílio Turco a nossa saudação e o nosso agradecimento, além de partilhar com vocês a alegria por este momento!
Pe. Vittorio Zanotelli
Pároco


segunda-feira, 11 de março de 2013


“Que a santidade de Ginetta Calliari seja reconhecida,
o quanto antes, para o bem da Igreja”

Esta foi a oração do cardeal D. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo na mensagem lida ontem, 8 de março, na solene cerimônia de conclusão da fase diocesana do Processo de beatificação que, do Brasil, agora segue para o Vaticano.

“Através do testemunho de Ginetta anunciamos ao mundo que Jesus é o caminho, não somente para a nossa salvação pessoal, mas também para a construção de uma sociedade fraterna onde podemos viver a comunhão, a unidade, a justiça, a verdade e a santidade”.

Assim D. Ercílio Turco, bispo de Osasco (SP), na Catedral Santo Antonio, encerrou a solenidade de conclusão da fase diocesana do processo de beatificação de Ginetta Calliari, uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, chamada por ela mesma “cofundadora” do Movimento dos Focolares no Brasil, onde viveu por mais de 40 anos. Afirmou ainda: “Esta cerimônia, inserida na celebração do ano da Fé, é um precioso ponto de referência e uma graça para toda a Igreja” e convidou todos a pedir a Deus que “se for a Sua vontade, a sua vida seja apresentada como modelo de santidade para a Igreja”.

O bispo recordou “o seu amor autentico, forte, inflexível, exclusivo por Jesus Crucificado e Abandonado, que gerava comunhão e unidade”. “A essência do Evangelho é o amor”, acrescentou.  “E Ginetta viveu o amor a Jesus e aos irmãos, que levou-a a abraçar com entusiasmo o projeto de Chiara que hoje já é uma realidade: a Economia de Comunhão; amor traduzido em gestos concretos que promovem a vida e é sinal de uma sociedade nova, permeada pela fraternidade, pela partilha.”  Na sua vida – afirmou o bispo – contemplamos a realização das palavras da Gaudium et Spes: “A missão da Igreja, por sua natureza, se mostra religiosa e por isso mesmo profundamente humana”.

Na catedral de Osasco se respirava um clima de grande alegria e emoção.
A sua imagem luminosa na foto ao lado do altar tornava visível, mais do que nunca, a atração que sua vida continua a exercer ainda hoje. Vê-la, através de uma grande tela, em um vídeo, onde em poucos minutos comunicou a força do seu encontro com Chiara Lubich, com o carisma da unidade, com Deus que transformou a sua vida, foi impressionante.

A sua fidelidade ao carisma genuíno foi reconhecida por Chiara no dia da sua partida desta terra, como recordou a presidente dos Focolares, Maria Voce, na sua mensagem enviada para a ocasião: “Nisto está a  autenticidade de sua vida, o  segredo, a amplitude e a concretude de suas obras”.

Forte e comovente o testemunho de Norma Curti, que viveu com Ginetta por mais de 30 anos: “Não  existia obstáculo, imprevisto ou contrariedade que a freava” - disse. “A sua força era a fé nas palavras do Evangelho. ‘E a fé – Ginetta dizia - è a nossa participação à onipotência de Deus’ ”.

Seguiu-se a cerimônia presidida pelo Bispo, com todos os membros que compunham o Tribunal da Causa, o postulador, Carlo Fusco e a vice-postuladora, Sandra Ribeiro. Aos pés do altar as 14 caixas que foram fechadas e sigiladas. “Estas caixas contém, recordou Sandra Ribeiro, além dos 130 testemunhos de cardeais, bispos, mães e pais de família, políticos, empresários, trabalhadores, movidos pelo fascínio de Deus, que Ginetta comunicava, um total de quase 5.000 paginas, e também paginas de diário que por 40 anos escreveu fielmente, anotações de seus numerosíssimos discursos e cartas.

Estiveram presentes na cerimônia o ex-ministro do trabalho, Walter Barelli, representantes do Circulo Trentino em São Paulo, uma delegação da associação budista Risho Kossei Kai no Brasil, com o Reverendo Kazuyoshi Nakahara; Dr. Carlos Barbouth e a sua esposa Elsa, judeus, membros do Conselho Geral da Fraternidade Cristã Judaica de São Paulo, como demonstração de que o testemunho de Ginetta vai além dos confins da Igreja.

“Sentimo-nos unidos no seu mesmo caminho” – foram as palavras do Dr. Barbout. “Eu sempre acreditei que todos podemos ser exemplos uns para outros, e testemunho dos valores mais genuínos daquilo que mais precioso podemos realizar: trabalhar por um mundo melhor. Ginetta certamente cumpriu esta missão”. 

sábado, 9 de março de 2013

Mensagem de Emmaus (Maria Voce), presidente do Movimento dos Focolares



Rocca di Papa, 8 de março de 2013
Prezados amigos
Uno-me a todos os participantes desse momento especial no qual se conclui a fase diocesana da Causa de Beatificação de Ginetta Calliari. Agradeço de modo especial a Dom Ercílio Turco, bispo diocesano de Osasco, que sempre nos incentivou e apoiou. Agradeço também as autoridades civis e religiosas presentes.
O exemplo de Ginetta – uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich – com o seu amor tenaz, a sua fé cristalina, a sua vida totalmente imbuída de Evangelho, certamente será uma luz para muitas pessoas e, por isso, estamos felizes por entregar à Igreja o seu maravilhoso testemunho.
Quando ela faleceu, Chiara escreveu uma mensagem referindo como Ginetta havia compreendido genuinamente o Carisma da Unidade, a ponto de vivê-lo com radicalismo e ajudar outras pessoas a vivê-lo. “Nesse fato – afirmava Chiara – está a autenticidade da sua vida, o segredo, a concretude e a integridade das suas obras”.
Nós, do Movimento dos Focolares, que a conhecemos pessoalmente, e também o povo brasileiro, que a amou e foi por ela tão amado, agora dirigimos a Deus o nosso agradecimento por nos tê-la doado como um modelo, alguém que respondeu generosamente ao chamado universal à santidade.
Do Céu, Ginetta continuará nos acompanhando com amor e ajudando-nos no esforço de viver, todos juntos, pela unidade e pela fraternidade universal.
Sintam-me com vocês,
                   Maria Voce Emmaus 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


GINETTA CALLIARI: fé e coragem


Uma italiana com coração brasileiro

Cofundadora do Movimento dos Focolares no Brasil.
No próximo dia 8 de março de 2013, Dia Internacional da Mulher,
abre-se uma nova fase no processo de beatificação: do Brasil ao Vaticano.
A Missa seguida da uma cerimonia, será presidida pelo bispo, dom Ercílio Turco
na Catedral de Osasco.

Ginetta Calliari: uma mulher contemporânea, de grande atualidade. “É um exemplo para toda a sociedade. Testemunha que seguir um caminho de santidade gera transformações, cria novas perspectivas, promove a fé, a paz e a unidade, que tanto precisamos neste mundo”. Foi o que afirmou dom Ercílio Turco, bispo de Osasco, que iniciou a sua causa de beatificação. Significativo o fato que justamente o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, seja o dia do seu falecimento (2001), do início da Causa  (2007) e agora da conclusão da fase diocesana, para prosseguir depois no Vaticano.

Ginetta, co-fundadora do Movimento dos Focolares no Brasil, passou 40 anos da sua vida nesta terra, que se tornou a sua terra, contribuindo admiravelmente para o progresso espiritual e social do nosso país. Tanto que a sua memória foi celebrada na Câmara dos Deputados em Brasília, nas Assembleias Legislativas de 10 estados e nas Prefeituras de 10 cidades; a Câmara Municipal de São Paulo concedeu-lhe o título de cidadã honorária. Foi reconhecida como modelo de vida também por líderes e seguidores do judaísmo, islamismo e budismo, com os quais havia estabelecido um diálogo fraterno.

Desde jovem sentia uma forte sede de justiça. A notícia que na sua cidade tem algumas jovens  colocam em comum roupas, sapatos, casacos, para distribuí-los aos mais pobres, mesmo nas condições de indigência causadas pela guerra, abrirá o caminho para uma transformação radical em sua vida. Imediatamente ela quis conhecê-las. Encontra Chiara Lubich, coloca em comum tudo o que tem e une-se a ela e ao primeiro grupo que a segue para partilhar aquela “revolução evangélica” que tinha por objetivo resolver o problema social de Trento e semear por toda parte, naquele período de grande desagregação social, a fraternidade e a unidade. Era o início de um Movimento que assumirá dimensões mundiais, o Movimento dos Focolares.

Esta experiência se repete no Brasil, quando, alguns anos depois, em 1959, junto com outros 7 jovens que, como ela, haviam seguido Chiara, chega a Recife. “É necessário mudar o homem: é preciso ter homens novos para dar origem a estruturas novas, cidades novas, um povo novo. E isto “unicamente Deus podia fazer, unicamente a força do Evangelho” que já tinham experimentado eficazmente. Com o passar dos anos este sonho começa a tornar-se realidade.

Em meio aos mais pobres, com a comunidade que está surgindo, junto com o pão, semeia a Palavra de Deus. Um bairro de Recife, em condições de vida degradantes, verá a mudança de seu nome e de seu semblante: de “Ilha do Inferno” passará a chamar-se “Ilha Santa Terezinha”. É fundamental o seu estímulo – que custou “sangue da alma” como ela mesma afirma – para as primeiras concretizações da Economia de Comunhão, um projeto econômico inovador, que teve a sua gênese em 1991, na Mariápolis Araceli (como era chamada naquele tempo a atual Mariápolis Ginetta), durante uma histórica visita de Chiara Lubich. Um projeto que surge como resposta aos desequilíbrios sociais que atingem não apenas o povo brasileiro, mas toda a humanidade. Mesmo entre dificuldades, que não são poucas, surge um Polo empresarial que atrai a atenção não apenas de empresários, economistas e estudantes, mas também de políticos. Nasce o Movimento Político pela Unidade, uma política animada pela fraternidade.

“Não lhe dou um crucifixo de madeira, mas um Crucifixo vivo”, é a entrega que Chiara lhe faz no momento da partida pelo Brasil em 1959.  “O Crucifixo estava ali, vivo nos irmãos”. Ao longo de sua vida, foi sempre inabalável a fé que “quem crê Nele, mesmo se morto viverá”. E é Nele que está a raíz de tal fecundidade. A vida de Ginetta teve o seu término no dia 8 de março de 2001. Uma vida permeada de cumes e abismos, de não poucas provações físicas e espirituais, sempre transformadas em fonte de vida que transbordava sobre os outros.

Link para o boletim n° 6 "Ginetta Calliari":


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Não podemos ver Deus, mas o “irmão” sim



Experiência de Ginetta Calliari

Um professor de religião tinha nos contado (e fiquei muito impressionada com o fato) que certa vez, indo a uma livraria, o proprietário havia lhe indicado, entre os vários volumes à venda, um todo amarelado e cheio de pó, dizendo: “Está vendo este livro? Não consigo vendê-lo: é o Evangelho, mas ninguém o procura”. 
Para nós, ao invés, não havia nada mais belo e interessante do que esse livro que dava sentido à nossa vida e diante do qual todos os outros desapareciam.  Enquanto, sob o desencadear da guerra, todas as filosofias e as ideologias humanas desvaneciam, quando todo ideal de beleza e harmonia caia, destruído pelas bombas, dentro de nós a Palavra de Deus adquiria forma e consistência.  Cada frase do Evangelho parecia tornar-se de fogo e ia se imprimindo em nossas almas, transformando-as.
“Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração...” (cf. Deut 6,5), o primeiro e maior dos mandamentos, foi uma das primeiras frases que vieram em relevo.  Eu conhecia o Evangelho quase de cor e já tinha ouvido aquelas palavras inúmeras vezes...  porém aquele “todo”, quem havia realmente entendido?  Eu mesma, antes de conhecer o Ideal da unidade, tinha certeza que amava Deus, mas não percebia que o meu coração se deixava cativar também por outros ídolos.  Eu pensava que havia dado tudo a Ele porque passava muitas horas dentro da igreja, mas depois, saindo, Ele permanecia como uma das muitas coisas importantes do meu dia.  Eu sentia que Ele estava sempre ao meu lado, mas ao mesmo tempo me dedicava a mil outras coisas.
“Quem a Deus tudo não dá, nada dá”; para nos fazer entender bem isso, uma vez Chiara pegou uma bolsa dizendo para uma de nós: “Pegue-a!”, mas quando ela foi fazê-lo não conseguia, pois Chiara continuava a segurá-la em um pedacinho da alça.  Deus não podia pegar aquilo que dizíamos que estávamos lhe oferecendo se ainda segurávamos isso para nós em algum ponto.
Desde o primeiro encontro com Chiara aconteceu uma verdadeira conversão dentro de mim, porque finalmente doei a Deus todo o coração, toda a mente, todas as forças.  Os outros valores se ordenaram de conseqüência, conforme as exigências da caridade que dava significado aos atos que eu realizava durante o dia, convergindo todos para um único objetivo: Deus!
Antes, eu ia à igreja porque eu gostava, conversava com Jesus porque eu gostava, porém não tinha um relacionamento com os outros. O meu relacionamento era entre eu e Jesus na cruz. Depois entendi “aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (cf. I Jô 4,20), que estava iludida, que a medida do meu amor por ele deveria ser o amor que eu tinha pelo próximo. Como eu não amava o próximo, nem sequer amava Deus.
Eu tinha um caráter forte, rebelde, contrário a tudo aquilo que podia prender a minha intocável liberdade e em geral dominava todas as situações. Todos deviam fazer o que eu queria e, assim, às vezes faltava com a caridade. Mas quando isso acontecia sentia um mal estar, algo me incomodava. E o que eu fazia? Saía de casa, entrava numa igreja, me colocava no primeiro banco, como o fariseu, e pedia desculpas a Jesus pela falta de caridade que eu tinha cometido contra a minha irmã, ou um amigo, ou um vizinho, ou um professor, ou um colega. E saía da igreja tranqüila.
Uma vez eu estava em casa com minha irmã e faltei de caridade para com ela. Perdi a paz, então fui à igreja para pedir desculpas a Jesus na Eucaristia. Mas, daquela vez eu não tive coragem de me colocar no primeiro banco; fiquei no fundo e comecei a pedir desculpas a Jesus, porém as palavras não saíam... A consciência me falava - mas era Jesus na Eucaristia que me dizia através da consciência: “Escuta Ginetta, você faltou de caridade, não é? Mas aquela palavra ‘desculpa’ que você veio me dizer, não é a mim que deve dirigir; é a mim na sua irmã. Você faltou de caridade não tanto para comigo diretamente, mas a mim na sua irmã”.
Naquele instante, eu vi iluminarem-se as palavras do Evangelho, que dizem “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta...” (cf. Mt 5,23).
Eu saí imediatamente. Entrei em casa e mesmo se por causa da soberba era um esforço enorme, uma humilhação para mim pedir desculpas e reconhecer que tinha errado, pedi desculpas.
Voltou a paz.
É uma experiência que continua a me acompanhar de uma forma sempre mais nova, sempre mais profunda. É a Palavra de Deus!


Baseado nos livros:

-        FERREIRA RIBEIRO, Sandra, org. Ginetta. Uma vida pelo Ideal da Unidade. São Paulo, Cidade Nova, 2006

-        FERREIRA RIBEIRO, Sandra, org. Ginetta. Fatos que ainda não contei. São Paulo, Cidade Nova, 2011

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Graças recebidas


Uma adolescente: Estou muito feliz em escrever-lhes. Na nossa família, sentimos a presença de Deus e, diante dos obstáculos que temos enfrentado, tenho a certeza de que Deus olha para nós. Este ano recebi uma graça: fiz uma microcirurgia para retirar um ‘olho de peixe’ que doía muito, mas não teve resultado e ele reapareceu ainda maior. Minha mãe pediu a intercessão de Ginetta e no dia seguinte o ‘olho de peixe’ desapareceu. Foi muito interessante, parecia uma ‘mágica’ essa obra de Ginetta.
 
Uma religiosa: Tenho uma cunhada que estava internada num hospital há um ano, tratando de uma doença gravíssima. Pedi a cura dela (por intercessão de Ginetta) e que ela voltasse para casa. Três dias depois ela me telefonou para dizer que recebeu um milagre! Estava em casa, boa e feliz!

Empresa Gi Calli


Em Bom Jesus (RJ), Ginetta inspirou o nome de uma fábrica de bolsas.

Jussara Gomes conta: Há cinco anos conheci a Economia de Comunhão (EdC). Achei o projeto incrível e quis conhecer mais profundamente, li alguns livros e depois fui convidada a participar de um Congresso em São Paulo, em 2009. Voltei muito empolgada, querendo ver acontecer esta realidade mas, - como tudo em nossa vida -, sozinha eu não consegui levar em frente essa idéia.

Em 2010 fui convidada para participar de um outro Congresso da EdC no Rio de Janeiro e, de repente, senti um desejo de levar toda a minha equipe. Todos concordaram em viver os princípios da EdC na empresa.

Durante o ano de 2010 a nossa empresa passou por diversas transformações e uma delas foi a troca do nome fantasia e a criação de uma nova marca. Tive a intuição e o desejo de homenagear Ginetta, pois havia lido a sua biografia (Ginetta. Uma vida pelo Ideal da unidade, Cidade Nova, 2006, ndr) e me identificado muito com ela. Muitas das suas características iam ao encontro das nossas, principalmente a fé na Providência. Daí surgiu o nome Gi Calli. E aconteceu uma grande transformação nos relacionamentos, não só com o pessoal externo, mas também dentro da empresa.

No final daquele mesmo ano resolvemos participar de um projeto da Faperj/ Firjan/ Sebrae de Inovação Tecnológica e Desing nas Empresas e, para nossa alegria, em 2011 fomos contemplados com o projeto e inovamos nossa empresa (mais uma graça de Ginetta). Em 2011, recebemos também o prêmio“Vip Marketing Empreendedor e Profissional de Sucesso” na nossa região e dedicamos este prêmio a Ginetta, pois é nossa grande inspiradora e protetora.

Estamos conscientes de que temos um longo caminho a trilhar, com diversos desafios, mas também com a certeza de que Ginetta está sempre ao nosso lado. Um fato interessante é que na entrada de nossa fábrica temos uma foto de Ginetta e embaixo dela escrevemos: “Gi Calli, uma família EdC”, pois é como nos sentimos: uma família que vive no amor e na prática da EdC.

Chiara fala sobre o segredo da vida de Ginetta

Hoje oferecemos a todos algumas palavras de Chiara Lubich  sobre Ginetta publicadas na revista Cidade Nova de março de 2007, e em seguida alguns relatos de graças recebidas por sua intercessão:

Chiara: É preciso lembrar sempre a frase de Ginetta antes de partir para a Outra Vida, a última palavra que disse, ao entender que o seu sofrimento, a sua morte era a consumação total da vida. Ela repetia sempre em latim: sine sanguinis effusione non fit remissio (sem derramamento de sangue, sem sofrimento, não há redenção, não se pode produzir frutos).E eu estou contemplando de que modo Ginetta sacrificou também a vida, e os frutos disso são visíveis. Agora todo o mundo a elogia, todo o mundo a compreende, todo o mundo a entende e assume o que ela disse: a felicidade, a alegria, o sine sanguinis... Já constatei qual é o fruto do seu sacrifício total: ela tornou-se o modelo. Existe um modelo para o qual todos podemos olhar: é Ginetta. Porque ela viveu perfeitamente o Ideal da Unidade e porque a sua idéia obstinada era Jesus Crucificado e Abandonado. Quando ela deixou Roma, quase 50 anos atrás, eu lhe disse: “Vá para o Brasil e leve o Crucifixo, mas não o crucifixo que os missionários empunham, leve Jesus Abandonado”. E ela o viveu sempre, em cada momento!


 
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Experiências de Ginetta sobre o amor ao irmão

Reportamos a seguir algumas experiências de Ginetta sobre o amor ao irmão, contadas por ela e publicadas no livro "Ginetta Calliari. Uma vida pelo Ideal da unidade". Trata-se de fatos ocorridos no início do Movimento dos Focolres, em Trento.

No sacrário ele não nos pedia nada, mas no irmão, tudo

            Desde quando começamos a ver Jesus nos menores, nos inimigos, nos pobres, os milagres da divina Providência começaram a chover na nossa pequena família espiritual, o focolare. Havia a guerra, toda a cidade estava sem leite e o leite chegava; eram toneladas[1] e toneladas que eram dadas aos pobres e a todos aqueles que pediam. “Dá a quem te pede” [cf. Mt 5,42].

 À falta do leite se juntava uma enorme carestia de carne, e a carne chegava a toneladas e toneladas... A toneladas chegava peixe em conserva, farinha, batatas, feijão, ervilha e frutas.

“Procurai o meu reino e o resto vos será dado em acréscimo” [cf. Mt 6,33].

E nós procurávamos incansavelmente o Seu reino, e o acréscimo vinha, para nós e para todos os próximos que a vontade de Deus colocava ao nosso lado. Da mesma forma como as coisas chegavam, eram dadas. Nada deveria ficar parado. Eram caixas que entravam e caixas que saíam. De onde vinham estas caixas? De quem dava o supérfluo. Para onde ia o supérfluo? Para quem não tinha o necessário. Andava-se pela cidade de Trento, de casa pobre em casa pobre, com sacolas cheias de alimentos, pacotes de roupas, caixas de sapatos, malas cheias de lenha.

Quando as forças diminuíam, a Providência ia aumentando. Os carrinhos substituíam os nossos braços. O verbo “cansar-se” não se conhecia e muito pouco o verbo “dormir”. O ronco dos aviões de dia e o ronco do Pippo[2], à noite, fazia-nos entender a brevidade do tempo, o valor da vida. Tínhamos a sensação, aliás, a certeza de não ter amado a Deus e, então, queríamos nos dirigir a todo próximo para demonstrar-lhe o nosso amor. No sacrário, ele não nos pedia nada, mas nos seus irmãos, tudo.

Mas Deus não se deixa vencer em generosidade. Eu me lembro uma vez - para dizer que todo o começo é sempre duro -, alguém nos trouxe um pedacinho de carne e a minha companheira estava batendo essa carne, que era como um bife, para uma de nós que estava bem doente. As outras podiam comer pão. E ela foi na janela bater esta carne. Aconteceu que a carne, caiu lá em baixo. Imaginem! Esta minha companheira quando viu a carne cair da janela - havia quatro andares – e parar lá no fundo, no fundo, no barro, ficou olhando a carne e depois viu um gato que estava perto. Então pensou: “Como é que eu faço para salvar aquela carne? Estou no último andar, três andares para chegar até ali, o gato vai comer”.

Então, da janela, ela começou a fazer: “xô, xô”, para espantar o gato, depois ela chamou uma menina: “Vai pegar aquela carne que eu fico espantando o gato”. E ela conseguiu, da janela do quarto andar, espantar o gato enquanto a menina foi procurar a carne, voltou com a carne e conseguiu dar para a que estava doente.

É assim a vida, tudo começa assim. Quantas coisas nós poderíamos contar!...

A casa onde Chiara e algumas das suas primeiras companheiras moravam, ainda em 1944, era um vai e vem de pessoas para dar de comer espiritualmente e materialmente. Vinham os famintos, os abandonados, os fracos, os aflitos, os pecadores. Vinham todos, sem distinção.

“Vinde a mim vós todos que estais fatigados e cansados e eu vos restaurarei” [cf. Mt 11,28]. Esta era a voz que emanava do seu coração, era a Sua voz. E os famintos saíam saciados, os nus cobertos, os aflitos consolados, os fracos fortalecidos, os pecadores saíam convertidos, os pobres enriquecidos, mais do que de dinheiro, enriquecidos de DEUS!!!

Em meio à pobreza da guerra, pediam tudo a Chiara (...). Eu me lembro que quando eu encontrei as suas companheiras, fiquei muito impressionada, voltei logo para minha casa e procurei logo tirar farinha das gavetas da minha casa, procurei batatas, procurei um pouco de verdura e fui entregar a Chiara. Mas depois eu vi que não dava certo, porque era pouco demais. E eu me lembro que entrei numa igreja e pedi a Deus um trabalho para poder ajudar Chiara e suas primeiras companheiras com o meu ordenado. Eu pedi e não encontrava, pedi outra vez e não encontrava e estava quase desanimando... No entanto precisa acreditar e depois encontrei um trabalho  bom, assim eu consegui ajudar Chiara.

Naquele trabalho, de vez em quando, havia alguém que nos dava um pouco de leite em pó, um pouco de carne em lata, e eu me lembro que eu ia, eu corria pela rua para chegar até a casa de Chiara. Lembro a festa que Chiara fazia quando nós entrávamos com a Providência.

Lembro-me que uma vez, eu fui e entreguei a Chiara um pouco de sal, num papel. Quando Chiara viu aquele sal, quase chorou. No dia seguinte me contou: “Você sabe Ginetta, ontem quando você veio eu tinha vontade de dizer: “Ginetta, a nós falta o sal, mas eu não tive a coragem, mas Jesus teve e disse a  você que a nós faltava o sal e você veio com o sal”.

Uma outra vez, tinha chegado até Chiara a notícia de duas pessoas que iam se casar. Ela queria dar alguma coisa de presente, mas não tinha nada. Eu tinha uma bolsa que achava linda, mas talvez estava apegada àquela bolsa, talvez ela podia se tornar o meu tudo no lugar de Deus e, assim,  fui entregar essa bolsa a Chiara. Chiara fez uma festa: “Mas você sabe Ginetta,  eu pedi a Jesus de me mandar um presente para aquela jovem e você veio com este presente, eu acho que ela vai gostar”. 

Uma outra vez ainda, alguém tinha me dado de presente umas roupinhas de recém-nascido. Pensei: “Vou levar para Chiara”. Fui e ofereci este presentinho, e Chiara feliz me disse: “Sabe, um pouco antes eu fui à igreja pedir uma roupinha para uma criança que vai nascer e cuja mãe está preocupada porque não sabe como vestir o seu filho”.

Eu me lembro que uma vez, no focolare da Praça dos Capuchinhos, tínhamos um ovo só, chegou um pobre, pediu um ovo e a Giosi[3] não queria dar, porque era o único. Mas uma de nós se aproximou dela e disse: “É Jesus que está pedindo um ovo”. Então ela deu. À tardezinha, ao pôr do sol, veio uma pessoa trazendo três ovos. Não dá para imaginar a alegria por aqueles três ovos. Mas, se ela não tivesse dado aquele ovo teria ficado com um, depois de ter dado aquele ovo, vieram três!

Eu contei a história do ovo, mas eu me lembro que uma outra vez veio uma família pedir alguma coisa, porque não sabia como viver, tiramos tudo o que tínhamos, comprometendo a vida das focolarinas, mas depois a Providência veio, a Providência existe, existe. Podemos acreditar em Deus e pedir a Deus.

No início, logo que conheci Chiara, não estava acostumada a visitar os velhinhos, os pobres, os doentes, as crianças abandonadas... O sofrimento me impressionava muito. Mas depois, lembro-me que fui visitar uma jovem que estava com a boca sangrando, depois uma outra, aproximei-me até de um moribundo, no hospital. Aquele rosto me lembrava o rosto de Jesus na cruz e, por amor dele eu superava o sentimento de timidez, de repugnância.

Uma vez Chiara me disse: “Ginetta, ontem, veio uma velhinha me dizer que está perdendo a vista; perdeu o marido e todo mundo a abandonou, está sozinha. Enquanto ela falava eu via nela Jesus Abandonado mesmo. Gostaria muito de ajudá-la, mas pensei que você poderia fazer a minha parte, portanto confio a você essa velhinha. Lembre-se Ginetta, é Jesus Abandonado”.

Eu ia sempre com Gis, minha irmã, visitar essa velhinha, mas nem sempre ela estava em casa. Então pensamos em fazer como Santa Catarina de Sena. Chiara tinha nos contado que Santa Catarina ia visitar os pobres de manhã cedo. Mesmo encontrando a porta dos pobres fechada, ela abria, entrava e colocava a comida ali para eles, depois saía sem que ninguém percebesse. Assim, preparávamos o almoço, ou o jantar, íamos ao quarto dela, abríamos a porta, colocávamos a comida e depois saíamos. Uma vez, percebendo que o quarto estava um pouco sujo começamos a fazer limpeza. Ela tinha um grande crucifixo pendurado na parede; tiramos, lavamos e depois saímos com o coração cheio de alegria porque tínhamos a impressão de ter estado com ele, Jesus.






[1] Trata-se de uma força de expressão, provavelmente tratava-se de quilos; Ginetta quer enfatizar a abundância de tudo o que chegava.


[2] Avião usado durante a guerra para causar medo às pessoas, sobrevoando as cidades durante a noite.


[3] Giosi Guella, uma das primeiras companheiras de Chiara. Faleceu aos 18 de maio de 1985.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Testemunho

Alberto Fernandez lembra Ginetta no seu Diário


[Março de 2001]: Os pobres são muitos no Brasil! Em maio de 1991, em uma de suas visitas periódicas ao País, Chiara ficou muito impressionada com a "coroa de espinhos" (...) ao redor de São Paulo. (...) Do coração de Chiara, nasceu a Economia de Comunhão (...). Hoje se apresenta como um projeto muito importante aqui no Brasil, graças também ao esforço incansável de Ginetta Calliari. Ela, nestes dias, está com a saúde muito delicada, justamente no momento em que Chiara publica seu último livro, com um título muito significativo: O Grito. (...). Li esse livro de uma só vez e comuniquei aos focolarinos as minhas reflexões:
" Causou-me muita impressão, já desde o começo, desde o título. Enquanto vivemos intensamente este momento da doença de Ginetta, ler os dois últimos capítulos  fez-me compreender melhor o que Chiara lhe disse no momento em que Ginetta se preparava para partir ao Brasil, há muitos anos: 'Não te dou um crucifixo de madeira, mas um crucifixo vivo, Jesus Abandonado, para que o revivas em ti e para que o apresentes a todos...'. Ela viveu essa instrução com absoluta fidelidade. Tenho a impressão de que Ginetta nos faz compreender melhor esse livro. E, na minha pequenez, acho que posso repetir as mesmas palavras, com a profunda certeza de que, com Jesus Abandonado, conseguirei fazer o que Deus espera de mim. (...) O primeiro ano em Bauru passa velozmente. Um tempo "repleto de vida, de abismos e de cumes, como só o amor de Deus sabe fazer". Enquanto o ano termina, Ginetta conclui santamente sua vida. (Do livro Uma carona par a vida . O trajeto de Alberto Fernandez, de Gustavo Clariá, Cidade Nova, 2009, p. 112-113 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Graças recebidas

GRAÇAS RECEBIDAS
No arquivo do Centro Ginetta temos o registro de mais de 300 graças recebidas pela intercessão dela.
Muitas pessoas nos contam que receberam graças mas ainda não podemos registrar no arquivo porque não temos um relato escrito.
É muito importante para o Processo de Beatificação que essas pessoas nos mandem uma carta ou um e-mail relatando a experiência para cginetta@terra.com.br. Não é necessário escrever um texto longo, é suficiente uma síntese, ou até mesmo uma frase "Agradeço por uma graça recebida", e o nome da pessoa.
Agradecemos imensamente essa ajuda. Aproveitamos para informar que a fase diocesana do Processo de Beatificação de Ginetta será no dia 8 de março de 2013. Contamos com as orações de todos para podermos finalizar os trabalhos.
Reportamos abaixo 2 graças recebidas para louvar a Deus juntos e vivermos a frase do Evangelho "alegrar-se com quem se alegra".

Uma jovem:
Tenho duas experiências com  a intercessão de Ginetta. Desde que passei uns dias na Mariápolis e pedi a ela que me ajudasse pelo amor de Deus a sair das drogas, estou há 7 meses sem usar. E também passei no vestibular - pedi tanto a ela! Só que é numa faculdade particular, e com meu salário seria impossivel. E meus pais nunca me ajudariam. Por um milagre meu pai aceitou ajudar-me. E estou na batalha aqui. Claro, nada fácil. Mas estamos na luta!!!!
Queria fazer uma nova visita na Mariapolis, mas ando trabalhando muito. Ah, até nisso Ginetta me ajudou, isto é, a achar um trabalho, e estou reconquistando minha vida. Ela realmente é uma Santa!!!
Uma jovem:
Sou T. S., tenho 26 anos.
Participei assiduamente do Movimento dos Focolares do ano de 2007 a 2009.
Desde que conheci o mMvimento sempre senti uma forte "ligação" com Ginetta.
Sempre fui atendida por ela em minhas súplicas.
No dia 29/06/12 sofri um acidente de carro durante meu horário de almoço.
Estava voltando para a empresa, quando senti uma forte pontada na cabeça. Acordei dentro do carro no rio.
O carro caiu de uma altura de 3 a 5 mts, era uma montana, caiu de frente, na água. Estourou o capô, o vidro, uma parte do motor subiu.
Quando recobrei a conciência, o primeiro nome que veio na minha cabeça foi Ginetta.
Os meus pés estavam submersos e o carro continuava a afundar, o vidro era elétrico e mesmo com o carro dentro na água, ainda consegui abrir e sai pela janela, equando os Bombeiros chegaram ela já estava toda submersa.
Nadei até a beira do rio até a chegada de ajuda.
Fora as dores causadas pelo cinto e pelo chicotear do pescoço, não sofri nenhuma outra lesão.
Tenho certeza que esteve presente a mão de Ginetta, pois pelo estado em que ficou o carro estou viva por um milagre.
(a jovem mandou-nos também a foto do carro dentro do rio).