segunda-feira, 26 de julho de 2010

"QUEM NÃO DÁ TUDO, NADA DÁ"

Trecho extraído do livro "Partono i Bastimenti", de Matilde Cocchiaro, Editora Città Nuova, 2009

"Quem não dá tudo, nada dá!", Chiara tinha lhe dito isso comentando a frase "Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda a mente, com todas as força e o teu próximo como a ti mesmo". E, para explicar-se melhor, deu um exemplo: "Você não pode dizer que deu uma bolsa a um pobre se continuar a segurá-la nem que seja só por um cantinho. Assim, Deus não pode pegar o que lhe dizemos oferecer se ainda seguramos em algum ponto". Estas palavras realizam em Ginetta uma mudança profunda e verdadeira: finalmente ela entende que Ele quer tudo e lhe pede esse tudo através do amor concreto aos irmãos. Os outros interesses passam a ter uma ordem que é conseqüência disso, de acordo com as exigências da caridade, que dá cor e significado às ações do seu dia. No início, não é fácil para ela permanecer fiel a essa lógica divina, freqüentemente tem de enfrentar o seu caráter explosivo. Um dia, por exemplo, não consegue controlar-se e trata mal a sua irmã Gis. Consciente do erro cometido e arrependida sinceramente entra na igreja, como costumava fazer, com a intenção de confessar; não encontrando o sacerdote, ajoelha-se no último banco. Um certo mal-estar a impede de ocupar o primeiro lugar, diante do Sacrário. Com o rosto entre as mãos está para pedir perdão a Jesus, mas percebe com clareza na alma a resposta Dele: "O que você veio fazer aqui? Certamente você faltou de caridade para comigo, mas em Mim na sua irmã. Vá até ela e diga o que gostaria de ter dito aqui agora".

Ginetta volta para casa e depois de uma luta dura consigo mesma, porque lhe custa humilhar-se, por fim consegue pedir desculpa a Gis. Após esse simples gesto, eis que novamente experimenta a serenidade e uma paz mais profunda. A partir desse dia, antes de dormir, as duas irmãs pedem desculpa reciprocamente, para cancelar - se houvesse - qualquer pequena sombra e ter certeza de que houvesse entre elas o mais perfeito acordo. Ginetta compreende cada vez mais, porque faz a experiência, o significado profundo das palavras do Evangelho e sua irmã é arrastada nessa sua nova aventura.
Começa, então, a prestar mais atenção a quem passa a seu lado e a ser mais prestativa em casa, renunciando com prazer aos seus programas quando é necessário. Também no escritório está mais pronta a amar concretamente os colegas e não hesita em levantar-se para fechar uma janela, para oferecer um copo de água ou a aceitar os trabalhos mais pesados. Está certa, desse modo, de demonstrar a Deus, com os fatos, o seu amor. Com esse esforço constante da vontade, percebe que, pouco a pouco, consegue dominar o próprio caráter com uma força nova.
Finalmente eu havia entendido que tinha de corrigir a minha antiga convicção - escreve Ginetta - O homem não vale por aquilo que conhece, mas por quanto ama! E procura fazer assim, para dar o valor justo à sua vida.
No escritório, na mesa em frente à minha, trabalhava um moça que em outros tempos teria me incomodado terrivelmente porque, emperiquitada ao máximo, continuava a se olhar no espelho e a ajeitar o cabelo ou a maquiagem... Mas, esforçando-me para ir além das aparências, recolhi da sua atitude uma grande lição; percebi que eu também tinha um espelho no qual me verificar. Era Jesus que me lembrava: "Olha que Eu estou em cada um desses próximos que estão ao teu lado".

segunda-feira, 5 de julho de 2010

LEVAR O IDEAL DA UNIDADE

TRECHO EXTRAÍDO DO LIVRO "GINETTA. UMA VIDA PELO IDEAL DA UNIDADE", pg. 115, Editora Cidade Nova.

(Foto do primeiro focolare, na praça Cappuccini, em Trento, Itália)
"Senhor, manda-me almas".
Como estávamos em tempos de guerra, faltava tudo, e Deus quis se servir de mim como instrumento para levar a providência ao primeiro focolare do mundo, na praça Cappuccini.
Como fazíamos parte da Ordem Terceira Franciscana, logo nos confiaram os pobres. A certo ponto, Chiara confiou a mim todos eles, e assim era eu que devia procurar a providência. Nesse tempo, eu ainda não morava no focolare. Todos os sábados, as primeiras focolarinas iam visitá-los levando aquela providência que chegava.
E Chiara ficava sempre feliz quando eu me apresentava com a providência! Mas um dia, ela me chamou de lado e me disse:
- Ginetta, gosto quando você chega com a providência, mas eu ficaria mais contente se você trouxesse outras pessoas.
A este ponto, tive a impressão de que Chiara estivesse me pedindo algo que ia além das minhas possibilidades, de que eu nunca teria podido dar uma resposta concreta a este pedido. E se não caí no chão naquele momento foi mesmo pela graça de Deus, porque tomei um susto...! Como se Chiara me dissesse: "Vamos ver se você é ou não é feita para nós".
Fui para casa e disse à minha mãe:
- Mãe, a partir de hoje não volto mais para almoçar em casa; vou ficar no escritório, porque tenho de fazer horas extras.
Tinha três horas de folga entre o expediente da manhã e o da tarde, das doze às três. Assim, organizei essas três horas: a primeira para escrever a pessoas que tinha conhecido na minha vida, para ver se no futuro seria possível transmitir-lhes essa minha escolha de vida, essa experiência. A segunda hora, para ler a vida dos santos - porque dizia a mim mesma: Não há um santo que não tenha conseguido criar ao seu redor uma família espiritual, uma comunidade. E os santos tornaram-se meus mestres. A terceira hora a transcorria em um igreja dedicada a Maria Menina, que estava sempre vazia. (...) Das duas às três eu ficava de joelhos diante do sacrário da igreja de Nossa Senhora Menina, pronunciando a mesma oração do santo Cura D'Ars, ligeiramente diferente: "Senhor, eu te amo, ma não te amo suficientemente; manda-me almas!" Mas era uma súplica, era como um gemido! Continuei, não sei por quanto tempo, a dirigir a Deus esse pedido. E aos poucos vi que uma jovem ou um adulto, ou... vinham me procurar para conhecer algo da minha vida, porque viram que eu estava tão diferente de como era antes! E assim se formou um grupinho ao meu redor.
Um dia Chiara me disse:
- Ginetta, quero conhecer aquele grupo de pessoas às quais você transmitiu a espiritualidade, o Ideal.
Fomos todas ao focolare, na praça Cappuccini. Chiara conversou com cada uma; depois, elas foram embora, e Chiara me disse:
- Ginetta, gostei de ter conversado com aquelas pessoas, fiquei contente! Se você tivesse me apresentado um grupinho de jovens, de adolescentes, teria dito que você não deu o Evangelho na sua pureza; se você tivesse me apresentado um grupo de velhinhas, teria dito a você a mesma coisa. Ouvindo-as, percebi que você deu a elas o Evangelho puro, não um Evangelho diluído, mas o Evangelho puro!

terça-feira, 29 de junho de 2010

DEUS ABRIRÁ OS CAMINHOS

Trecho extraído do livro "Partono i Bastimenti", de Matilde Cocchiaro, Editora Città Nuova, 2009

O Brasil é um país imenso: oito milhões e meio de quilômetros quadrados e 173 milhões de habitantes. Alternam-se áreas enormes recobertas de florestas e cidades super populadas. Há uma população bem diversificada, que foi se formando no curso da sua história. Compreende os indígenas, os portugueses, que no século XVI impuseram a sua colonização, os escravos negros deportados em massa da África, os colonizadores holandeses no Nordeste. A seguir, ondas migratórias dos últimos dois séculos: italianos, espanhóis, alemães... É um País de tradições ricas, que busca seu lugar entre as grandes nações. A sua população, mesmo se etnicamente muito variada, é muito unida. O povo brasileiro é alegre, mesmo em meio às desigualdades sociais.
Partem por mar quatro focolrinos e quatro focolarinas (Ginetta, Violetta Sartori, Fiore Ungaro e Marisa Cerini; Marco Tecilla, Rino Chiaperin, Gianni Busellato, Enzo (Volo) Morandi. (...) Marco assim recorda aquela viagem aventurosa: "Doze dias de navegação... No dia 5 de novembro (1959) chegamos ao porto de Recife".
No Brasil, os problemas sociais são muito graves: após um período de ditadura militar, a democracia está abrindo caminho, mas a economia não consegue estar ao passo e o desemprego atinge níveis muito sérios e, com isso, cresce a pobreza. Ginetta e os focolarinos estão conscientes do que está acontecendo ao redor deles, mas o Ideal pelo qual vivem e se esforçam por transmitir a muitas pessoas, é tão forte que preenche totalmente a vida deles. Certos de que Deus pode guiar o destino da história, vão adiante sem olhar demais pra cá ou pra lá, amando concretamente e partilhando pesos e sofrimentos com aqueles que encontram.
"A nossa é uma revolução - repete Ginetta - mas conduzida com a arma mais potente: o amor que Jesus trouxe à terra".
A pobreza que se vê em toda parte a choca profundamente. Ela escreve: "Com o passar dos dias começo a observar, pelas ruas de Recife, a realidade social que nos circunda. Eu achava que já conhecia, através dos meios de comunicação, a miséria na qual vive grande parte da humanidade, mas constatar diretamente a profundidade do problema, foi muito diferente. Não havia imaginado nunca uma desigualdade social nas dimensões em que encontrei aqui".
De fato, a pobreza e a miséria que se encontram na periferia estão em enorme contraste com a beleza da cidade, conhecida como "a Veneza brasileira".
Aos poucos, os nossos amigos começam a descobrir o drama de milhares e milhares de pessoas de todas as idades que, atraídas pela miragem da "grande cidade", para ali se dirigiram vindos dos vários cantos do país, com a esperança de poder conduzir uma vida mais digna. No entanto, após experiências várias e dolorosas, viram-se em condições totalmente precárias: vivendo nas ruas, embaixo de pontes, em aglomerados e barracas imundas. E o que mais impressiona Ginetta é constatar como tudo, naquela cidade, esteja programado em favor de uma minoria, que pode usufruir de muito mais do que aquilo que é necessário, de um super abundante supérfluo. De um lado estão os proprietários de grandes riquezas que gozam de todas as vantagens, do outro, a maioria anônima, sem direitos, cuja dignidade e valor humano são completamente ignorados.
Um dia, passando diante de uma esplêndida mansão, chamou sua atenção a figura de um homem, magro, sujo, mal vestido, de pés descalços, concentrado em lavar, folha por folha, uma planta tropical magnífica. Pela sua palidez dava para intuir o estado de desnutrição. Há uma diferença abissal entre a casa na qual ele trabalha, espaçosa, cheia de vitrôs, com um jardim magnífico, e a sua barraca sem janelas, numa região menos favorecida da cidade. Com sofrimento, ela pensa: "Patrões que consideram os seus empregados menos importantes do que uma planta... Que contraste!". E escreve: "Ao lado da cidade da opulência, a cidade da miséria, onde reinam desnutrição, cansaço, doenças... Mas o que me faz sofrer mais é constatar a insensibilidade dos ricos diante do sofrimento dos pobres".
Ginetta gostaria de sacudir com força a consciência dos ricos, bater de casa em casa e chamar a atenção para as enormes injustiças. Mas, pergunta-se: "O que vou conseguir desse jeito? Somente gozações e portas fechadas no rosto". Nem ela nem seus amigos vindos da Itália têm possibilidades financeiras ou empregos a oferecer, sentem-se impotentes diante da vastidão do problema. Somente Deus pode transformar os corações dos homens: dos ricos e dos pobres, dos chefes e de todos, e realizar uma autêntica revolução social. "Não um Deus abstrato, relegado ao Céu, mas aquele Deus que tínhamos aprendido a ter vivo entre nós, com o nosso amor recíproco, vivendo as Suas Palavras. Qual, então, pode ser o nosso compromisso? Testemunhá-Lo presente em uma comunidade de pessoas prontas a dar a vida uma pela outra. Então, Ele nos abrirá os caminhos".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

A FILHA DO PÓS-GUERRA

Trechos extraídos do livro "Partono i Bastimenti", de Matilde Cocchiaro, Editora Città Nuova, 2009

Ginetta Calliari nasce em Trento no dia 15 de outubro de 1918. O pai, Giovanni, é ferroviário da estação de Lavis. A mãe, Fortunata Furlan, dedica-se aos trabalhos domésticos. Uma família unida, católica, totalmente dedicada à formação humana e cristã das três filhas: Lívia, Luigia, chamada pelo diminutivo Ginetta, e Gisella (Gis), que recebem sólidos princípios morais dos pais.
A mãe, mesmo sendo uma mulher simples, ama a literatura e passa horas lendo poetas e escritores de todos os tempos; e, justamente por esse seu amor pelas coisas belas e grandiosas, aprecia muito a vida e os escritos dos santos. E preocupa-se com a preparação religiosa das filhas.
Todas as noites a família se reúne para rezar o terço, e as meninas ficam de joelhos nas cadeiras de madeira da cozinha. No mês de maio, com a fantasia das crianças, revivem os vários mistérios que a mãe lê; Ginetta, orgulhosa da sua tarefa, entoa a Ave Maria.
Habituei-me logo cedo - escreve - a ter um relacionamento direto com Jesus, com Maria, com as almas do Purgatório que, seguindo o exemplo da minha mãe, eu também queria ajudar a alcançarem rapidamente o Paraíso.
(...) Ginetta ama a liberdade e quer se sentir independente. (...)

Certa vez, o papai lhe pede para ajudá-lo a limpar a tina onde deveria ser amassada a uva para o vinho. Sendo pequena teria entrado facilmente no grande recipiente para lavá-lo melhor na parte interna, mas Ginetta não achava que fosse um trabalho adequado para ela: tem medo de ficar sufocada ali dentro. Assim, sai correndo, seguida inutilmente pelo pai. Pouco depois, porém, arrepende-se ao ver a sua irmãzinha entrar na tina, e realiza serenamente aquele trabalho, com docilidade e atenção, como se estivesse brincando.
(...) Na família a definem de "a filha do pós-guerra" pela sua força, por ser irriquieta e pela rebelião do seu caráter.
(...) Um dia, vendo um pobre velho que carregava com esforço um carrinho, sente tanta compaixão que chega a se comover. Os tios, que estão presentes, comentam: "É só uma criança, mas em relação às pessoas que sofrem ela tem um amor e um respeito mais do que um adulto. Realmente ela tem um grande coração!"
Passeando pelo bosque com o tio, Ginetta encontra, entre as folhas secas, uma cruz de metal que, lustrada cuidadosamente, conserva como um objeto precioso. O tio fica surpreso com esse gesto e com a alegria que aquele crucifixo suscitou nela. Para ela, é como se Jesus mesmo, por meio daquele sinal, quisesse ser encontrado naquela estrada. Fica mais contente ainda, quando uma amiga da família lhe dá de presente um crucifixo maior, que ela conserva como um companheiro inseparável.
(...) Embora sendo ainda muito jovem, Ginetta Começa a refletir sobre sua vita futura. O matrimônio lhe agrada, mas ao mesmo tempo se sente atraída por uma existência usada totalmente para Deus. Quando ainda era adolescente, no dia da festa de São Luiz, ouve falar dele como o "santo da virgindade". Escreve: Uma frase ficou impressa em mim: os virgens, quando entrarão no Paraíso, seguirão o Cordeiro por toda parte. Com a fantasia de menina, imagina-se passeando pelo Reino dos Céus com muitos outros virgens. Mas aquilo que mais me atraía era que esses virgens cantavam "um hino", uma canção maravilhosa, conhecida somente por eles. Essa idéia exerce um fascínio especial em Ginetta que, desde pequena, demonstra possuir uma sensibilidade aguçada pela arte e pela música. Dias depois, escutando a mãe que conversa com uma amiga sobre o futuro das filhas, intervém com seriedade e convicção: Mamãe, eu não me casarei!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

GiNETTA Uma divina aventura

ENTREVISTA CONCEDIDA À REVISTA CIDADE NOVA - EDIÇÃO PORTUGUESA
Lisboa, janeiro/fevereiro de 1998


"Sou a pessoa mais feliz deste mundo, porque Deus é tudo para mim. Não um Deus abstrato, acima das nuvens, mas um Deus concreto, que está ao meu lado».
Com a autoridade de quem teve a coragem de arriscar tudo por um ideal que jamais a ecepcionou, Ginetta fala-nos da sua vida.
Em 1959, um pequeno grupo de focolarinos, entre os quais Ginetta Calliari, desembarcou no porto de Recife. Começou naquele dia uma aventura divina que transformou a vida de milhares de pessoas.
Natural de Trento, Itália, ela assistiu de perto ao nascimento do Movimento dos Focolares, junta¬mente com Chiara Lubich, de quem foi uma das primeiras colaboradoras. Chegou ao Brasil em 1959, integrada no primeiro grupo de focolarinos e focolarinas, cuja missão era difundir a espiritualidade da Unidade. Desde então a "divina aventura" de Ginetta neste país não cessa de apresentar desdobramentos imprevisíveis, mas não surpreendentes para quem sabe que para Deus tudo é possível.

Cidade Nova - Como foi o seu encontro com Chiara Lubich, no início do Movimento?
Ginetta Calliari - Um dia, a minha irmã contou-me um fato que revolucionou toda a minha vida: «Fui à casa de algumas jovens e assisti a uma cena fora do comum. Elas abriram o armário e a cômoda, e tiraram todas as roupas: 'Este casaco e esta saia estão sobrando; esta camisa e esta blusa também...'. Fizeram uma pilha no meio do quarto. Uma delas distribuía as roupas para pessoas necessitadas, seguindo uma lista de nomes que tinha nas mãos».
Escuto perplexa. Sinto o desejo de conhecê-las. Vou procurá-las no pequeno apartamento onde moram. Uma jovem abre a porta com um grande sorriso. Depois, sou apresen¬tada a Chiara.
Ela fala-me sobre a virgindade: quem a vive é como uma flor rara encontrada no meio da floresta, colhida por Deus e plantada, por Ele, no Céu.
O meu coração é invadido por uma alegria profunda. Comunico a Chiara o meu único anseio: Deus.
Ela responde-me: «Ginetta, tu sabes que também eu fiz de Deus o meu Ideal? Sabes que todos os santos optaram por Deus como ideal? Ou escolheram as chagas, ou o sangue, ou a pobreza de Jesus ... Eu O escolhi pregado na cruz, quando, abandona¬do por todos, gritou: ''Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?"».

Qual era o seu projeto de vida, e o que mudou após o encontro com Chiara?
Nasci numa família católica e a minha mãe deu-nos uma formação cristã. Quando eu era criança, saía de casa sem dizer nada a ninguém e ia à igreja. Ficava lá, com Jesus Eucaristia, a quem chamava Deus vivo. Mas havia um grande contraste, por exemplo, entre essa minha exigência e o meu comportamento em casa. Eu não ajudava em nada e, por ter uma personalidade muito forte, todos deviam ceder às minhas vontades.
Tinha muitos ideais: a arte, a música, tudo o que fosse expressão de beleza. Era sedenta de verdade e amava as "minhas" montanhas! Dedicava todo o meu tempo livre ao estudo e à leitura.
Quando conheci Chiara, aconteceu uma revolução em mim. Todos esses meus ideais desapareceram como uma chama de vela diante do Sol.


Após alguns anos com Chiara, veio para o Brasil. Como aconteceu isso?
Em 1958, duas focolarinas e um focolarino vieram para a América Latina com uma missão: escolher o lugar mais adequado para dar início ao Movimento. Visitaram Recife, São Paulo, Montevidéu e Buenos Aires.
Objetivamente, o lugar menos indicado era Recife: um clima quente demais para europeus. Porém, na viagem de volta, problemas técnicos levaram o avião a fazer uma aterragem de emergência nessa cidade, onde ficaram por alguns dias.
Foi a oportunidade para um verdadeiro encontro! Ali, um pequeno grupo de pessoas decidiu ir à Itália com o objetivo de conhecer melhor o Movimento. Não eram ricos, não ti¬nham dinheiro, mas fizeram uma grande comunhão de bens e conseguiram ir! Eram todos de Recife ... Isso foi um sinal de que aquela era a cidade mais adequada para se tornar o berço do Movimento no Brasil e em toda a América Latina.
Pouco tempo depois, Chiara chamou-me e comunicou-me que eu deveria vir para cá. Não se tratava de uma viagem breve. Tratava-se de abrir dois centros do Movimento no novo continente: um masculino e outro feminino.
Numa conversa pessoal com Chiara, ela entregou-me um "crucifixo vivo", Jesus que grita: «Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?".
Vim para o Brasil com a missão de apresentar Jesus crucificado e abandonado ao povo brasileiro. Vim para dar testemunho de que aquele Deus que muitos pensam poder encontrar só na outra vida, está aqui, presente entre nós, dentro de nós, ao nosso lado: podemos falar com Ele sempre!

Como foi a sua adaptação no novo continente?
Não foi preciso muito tempo. O povo nordestino tem uma grande capacidade de sacrifício e sabe deixar tudo por um grande Ideal. Fiquei deslumbrada também diante da natureza exuberante e rica.
Pelas ruas de Recife, deparei com a realidade social que nos circundava. Fiquei perplexa! Antes, eu não sabia o que era a fome, a sede, a miséria, a humilhação, a opressão, a exploração ... Foi muito duro para mim.
Jesus, presente na comunidade, que pode levar ricos e pobres a repartirem o muito ou o pouco têm, demonstra que, para Ele, nada é impossível, e que o Evangelho é um livro para todos.

Este novo estilo de vida evangélica encontrou logo a adesão do povo brasileiro?
Encontrei uma grande abertura e uma generosidade incrível.
A nossa primeira casa estava quase vazia, tínhamos apenas alguns colchões de palha, um armário velho e um fogareiro a petróleo. Não tínhamos cadeiras, sentávamo-nos no chão. Mas nunca sentimos falta de nada.
Começámos a conhecer as pessoas. Após três semanas, já havia uma pequena comunidade de 17 pessoas - jovens, estudantes, uma viúva, um religioso, um sacerdote, uma religiosa, casais ...
Uma pessoa perguntou-me o que tinha vindo fazer no Brasil: abrir escolas, hospitais? Eu apresentei-lhes o crucifixo vivo, e também eles quiseram fazer de Jesus crucificado e abandonado o ideal das suas vidas. Todos escreveram a Chiara. Ao ler as cartas, ela disse: «Agora posso dizer que o Movimento chegou ao Brasil".

Após o período no Recife, foi para São Paulo. Como foi o início nesta cidade imensa?
Como sempre, não tínhamos nada, nem sequer uma casa.
Tínhamos o endereço de um sacerdote e fomos procurá-lo para pedir a sua ajuda. Ele encontrou uma senhora disposta a receber-nos na sua casa. Essa pessoa cedeu-nos o seu quarto e passou a dormir na sala. Passados alguns dias, talvez com receio de que nos acomodássemos, pediu que fôssemos para outro lugar que ela própria tinha encontrado.
No quarto havia apenas uma cama de lona. Café com leite era a única coisa que conseguíamos tomar com o dinheiro que possuíamos.
Em 1966, Chiara visitou Recife e passou algumas horas em São Paulo. Naquela ocasião, observando a imensidão da metrópole, e tendo diante de si apenas um pequeno grupo de focolarinas e focolarinos, deu-nos uma Palavra de Vida: «Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado do Pai dar-vos o Reino". A partir daquele momento, o Movimento nas regiões Sul e Sudeste desenvolveu-se rapidamente. Chegou ao Rio de Janeiro, a Brasília, a Belo Horizonte, a Curitiba e a Porto Alegre.


Voltando àquela mudança ocorrida no seu projeto de vida, hoje diria que vale a pena deixar tudo para seguir Jesus? Sim.
Sou a pessoa mais feliz deste mundo, porque Deus é tudo para mim. Não um Deus abstrato, acima das nuvens, mas um Deus concreto, que está ao meu lado. Eu acredito na Sua Palavra. O Evangelho é extraordinário, é uma descoberta maravilhosa!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Testemunho de Trento, Itália

Conheci Ginetta em 1950. Cláudio, meu marido, trabalhava na ferrovia Trento-Malé e ali conheceu Marco Tecilla (o primeiro focolarino), seu colega, que o convidou a participar de um encontro com algumas senhoritas, jovens. Naquele dia ele chegou tarde em casa e eu perguntei: "Mas onde você esteve?". E ele me contou tudo, dizendo: "Assim que chegar alguma das tuas irmãs para ficar com as crianças, vou te levar a esses encontros". De fato, alguns meses depois uma irmã minha veio de Verona e ele me levou ao meu primeiro encontro. Foi ali que conheci Ginetta, que foi um dom imenso, uma luz, algo inimaginável. O encontro aconteceu na casa de uma família, estavam presentes umas trinta pessoas. Cláudio me apresentou a ela que, com seu olhar profundo, nos abraçou e disse: "Dois santos". Disse assim! Para mim foi uma surpresa essa primeira saudação estranha, na qual ela nos falava da santidade. Foi realmente uma surpresa!
Ela contou sobre a sua vida, o relacionamento com as outras focolarinas após a descoberta do Ideal da unidade, como superou o medo da morte fazendo tudo por amor. "Se lavo a salada - ela dizia - lavo por amor; se limpo a cozinha, ou qualquer outra coisa, faço por amor". Eu ficava encantada, porque estava casada há quase 5 anos, tinha dois filhos e estava esperando o terceiro, portanto estava sempre ocupada com as coisas da casa, mas nem tudo eu fazia por amor. Descobrir que Ginetta e as primeiras focolarinas faziam as coisas mais simples com amor, me deu uma grande alegria e surpresa, ao perceber o quanto essas coisas práticas e pequenas eram valorizadas com esta espiritualidade.
Até então, havia feito tudo porque amava Cláudio, porque os filhos eram meus, porém ela me apresentou um outro modo de viver.
Quando nasceu o terceiro filho, Ginetta veio me visitar no hospital com Bruna e Aletta (outras duas das primeiras focolarinas) e me trouxeram um grande maço de cravos brancos. Era a segunda vez que via Ginetta. E ali aconteceu um episódio hilário. Eu estava num quarto com outras seis mães que, vendo essas moças, me perguntaram: "Quem são? São parentes suas?". Eu respondi: "São amigas do meu marido". Elas riram provocatoriamente, mas silenciaram quando viram que Ginetta ficou e me ajudou muito.
Também Cláudio entrava cada vez mais no amor verdadeiro, muitas coisas estavam mudando para ele também. E Ginetta o ajudou muito.
Um belo dia Ginetta disse: "Escute, Cláudio, será se não é hora de você ir caçar homens, em vez de pássaros?". Ele logo vendeu os fuzis. Pouco a pouco, com o que Ginetta lhe dizia, ele ia superando pequenos vícios, como fumar, por exemplo. Sem lhe dizer para não fumar, Ginetta o levou a entender que podia 'oferecer' um sacrifício a N.Senhora; era o mês de maio. E ele conseguiu deixar de fumar.
Eu conheci outras focolarinas, mas Ginetta foi aquela que sustentou muito o Cláudio, ajudando-o a se desapegar de hábitos não bons.
Quando Ginetta deixou Trento e foi para Roma, continuou a me escrever e a ser para mim um guia, iluminando os encontros que eu fazia com pessoas a quem procurava transmitir essa luz que eu havia recebido.
TERESA FACCHINELLI - TRENTO

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Testemunhos sobre Ginetta

Conheci o Movimento dos Focolares no final de 1961, numa Mariápolis em Garanhuns, Nordeste do Brasil. E foi ali que conheci Ginetta, uma das primeiras focolarinas que veio para o Brasil. Ela falava todos os dias na Mariáplis e tudo o que dizia me impressionava muito, porque ela era como o fogo, e nos transportava para o que ela vivia. Eu queria muito falar com ela pessoalmente, mas havia muita gente ao seu redor. No último dia da Mariápolis, com espontaneidade ela me pegou pelo braço e fomos conversar numa salinha. Pela primeira vez na minha vida eu tive coragem de abrir a minha alma para uma pessoa que eu não conhecia muito. Ela me convidou para conhecer o focolare e ali eu me senti como se estivesse em casa. Ginetta sempre nos dizia algo que nos levava a viver aquele Ideal que ela pronunciava pelos tetos. Era incrível como a gente se trasformava diante das atitudes de Ginetta, tudo era positivo.
Eu me lembro de algum fato. Eu estava no focolare e vi uma pia suja, mas a deixei suja pois tinha outras coisas a fazer. Naquele momento Ginetta passou, me olhou e disse: esta pia está suja; se Jesus (presente no irmão) vem lavar as mãos vai encontrar a pia suja. Ela tornava a nossa vida maravilhosa, havia uma luz, era incrível ver como ela agia.
Ela nos ensinava como lavar a roupa, como manter o ambiente de trabalho em ordem, e dizia: antes de começar a trabalhar, arrumamos tudo poque Jesus deve poder vir e estar presente entre nós. Um dia, eu vi que ela pegou uma toalha de papel e enxugou as gotinhas do chão; em seguida, passou a vassoura e tirou a poeira, e me lembrava que podemos fazer tudo isso por Jesus.
Eu me recordo também de quando ela ia à praia. Ela já morava em São Paulo, mas gostava de fazer férias no Nordeste, para poder visitar os focolares e as pessoas do Movimento e, ao mesmo tempo, fazer uns dias de descanso. Ela ia à praia da Piedade, em Recife. De manhã cedo íamos fazer uma caminhada na praia e foi ali que, a um certo momento, ela começou a recolher o lixo. Um pouco depois ela me disse: Sabe por que eu faço isso? Temos de ajudar a manter a praia limpa porque a natureza deve falar de Deus.
Tudo isso ficou impresso na minha mente: limpar o ambiente antes de trabalhar, deixar tudo perfeito, cuidar da natureza porque expressa Deus e principalmente fazer as coisas por Jesus.
O meu relacionamento com Ginetta hoje...
Ginetta não é uma pessoa morta, ela está viva em tudo aquilo que nos deixou como herança do Ideal da Unidade. A sua foto sorridente me faz estar também com aquele sorriso e tentar ser como ela.
A.F.S

segunda-feira, 17 de maio de 2010

TRAJETÓRIA DE UMA VIDA - as recordações de uma colega de escola

O jornal paroquial de Lavis, na província de Trento, onde Ginetta nasceu e foi batizada, publicou em outubro de 2009 o artigo de Angelica Jachemet: "No Brasil, o processo de beatificação de uma lavisense".
O artigo suscitou uma reação em cadeia, inspirando o jornalista Andrea Casna a escrever outros dois no jornal diário l'Adige, de Trento: "Ginetta, 'serva de Deus', rumo à beatificação", em 18 de outubro de 2009, e "De Lavis a Recife, a viagem de Ginetta", em 29 de novembro de 2009.

Maria Odorizzi, de Lavis, ao ler o artigo publicado no Boletim paroquial, apresentou-se como colega de classe de Ginetta na Escola Agrícola de Lavis. Surpresa e feliz por ter notícias da amiga de infância, ela também escreveu suas recordações da Serva de Deus no mesmo jornal paroquial, em dezembro, artigo que reportamos a seguir.


LEMBRAR É GRATIFICANTE
Uma colega de escola "na corrida" para a beatificação
É maravilhoso!
Na nossa vida de todos os dias, pode acontecer que recordações e emoções se cruzem e se desdobrem em nosso coração e nossa mente.
A notícia da introdução da causa de beatificação da minha colega de escola Ginetta Calliari suscitou em minha mente um enleado de recordações. Na década de 1920 e de 1930, a família Calliari morava na casa do guarda-linha das vias férreas, poóximo à estação ferroviária de Lavis. Controlava a passagem de nível, abaixando a barra para a travessia do trem, seja durante o dia, seja à noite, porque ali, saindo da estrada e atravessando a ferrovia, começava a região agrícola nos campos dos Aicheri (onde atualmente desponta Zambana Nova) para depois continuar até Zambana Velha.
Ao redor da casa floresciam muitas atividades: a horta, o galinheiro, mais adiante um barracão com os apetrechos e uma pequena vinha.
Ginetta, nascida em 1918, e Gisella, em 1920, frequentavam a escola em Lavis: chegavam a pé, sempre pontuais e sorridentes. Participavam também dos cursos profissionalizantes, mantidos pelas irmãs canossianas, bem como da vida do oratório.
Em 1931, teve início a Escola Agrícola, cuja ala masculina era confiada ao professor Pio Tamanini, e a ala feminina era dirigida pela professora Lucia Pittori; a disciplina de ciências agrárias contavam também com o técnico Bertoli.
As irm~sa Calliari frequentavam a escola juntas. Lembro-me delas com afeto e emoção.
Ginetta era alta, de pele e cabelos morenos; Gisella era pequena, loira e de pele clara. A primeira tinha um caráter forte, empreendedor, vivaz e bem determinado; a menor era dócil. A irmã mais velha, Lívia, aprendia corte e costura.
além da escola, nós nos encontrávamos aos domingos na casa das religiosas, das 13 às 17h, para a "doutrina", o canto, o terço e os jogos no pátio. Lembro-me especialmente dos seis domingos de São Luiz Gonzaga, que aconteciam nos meses de maio e junho. Todos os oratorianos participavam: íamos juntos à missa, e o padre falava sobre a vida do santo e convidava-nos a segui-lo na pureza e na caridade.
A educação, a formação do caráter de muitas meninas e rapazes do vilarejo delineou-se não só na família e na escola, mas também com a ajuda preciosa e determinante das irmãs canossianas.
Concluído o período escolar, perdi de vista as minhas duas colegas.
Em 2001, recebi a notícia da morte de Ginetta, no Brasil. Naquela ocasião, soube da sua consagração no Movimento dos Focolares. Depois, durante o funeral de Chiara Lubich, que acompanhei pela televisão, reconheci Gisella, ali, no primeiro plano, entre as focolarinas. Para mim foi uma bela descoberta, e logo escrevi-lhe uma carta. Na semana seguinte, falei com ela por telefone, lembrando os tempos da nossa infância.
Agora exulto pensando no bem que Ginetta realizou, essa minha querida colega de escola, que recordo com tanta estima e amizade.
Confio a ela as minhas preocupações, as minhas alegrias, as inquietações de cada dia.
Confio a ela, em especial, a juventude, as mães, os idosos, toda a paróquia de Lavis, a fim de que esteja sempre voltada para Cristo e o Evangelho. Que a nossa comunidade seja sempre unida na acolhida, na concórdia, na fraternidade, na ajuda recíproca, tendo presente o bem comum.

Maria Odorizzi

terça-feira, 6 de abril de 2010

NOVIDADE EDITORIAL

De recente publicação, na Itália, o livro Partono i bastimenti (Partem os navios), sobre a vida de Ginetta Calliari, de autoria de Matilde Cocchiaro.
O livro conta a história de Ginetta, trazendo também muitos trechos de falas dela. O título alude às palavras de uma antiga canção composta propositalmente por ocasião da viagem dos primeiros e das primeiras focolarinas para o Brasil: Partem os navios. Saíam das fronteiras da Europa para trazer o Ideal da Unidade e consolidar o Movimento dos Focolares no continente americano. Trasncrevemos a seguir trechos de impressões de alguns leitores:

- A leitura suscitou em mim muita alegria. À medida que ia descobrindo os "milagres de unidade" de Ginetta, brotava em mim um louvor em agradecimento a Deus, que realiza maravilhas por um nosso pequeno sim. A leitura do livro deixou isso em mim: Ginetta realizou plenamente a escolha de Deus, e somente Ele se encontrava acima dos seus ideais; não o apostolado nem as coisas a fazer; ela doou somente Deus, e todo o resto foi uma consequência. (...) Sinto Ginetta protetora primeiramente do aspecto da economia. Foi uma sua característica total e plena; não me surpreende mais porque a Economia de Comunhão nasceu no Brasil, não podia acontecer senão ali! E agora eu rezo pedindo a sua intercessão pela EdC.

- Estou lendo o livro Partono i bastimenti (...). Pessoalmente tocou-me muito, e senti mais confiança em mim mesma vendo como Ginetta superava toda dificuldade confiando em Deus. Escolhi Ginetta como "companheira de viagem", certa de que ela me guiará e me protegerá sempre.

terça-feira, 23 de março de 2010

O BAIRRO DO CARMO, UMA COMUNIDADE PREDILETA DE GINETTA

Nas proximidades da Mariápolis Ginetta existe o Bairro do Carmo, comunidade de descendentes de escravos. Transmitir para os seus moradores o Ideal da Unidade, para que se tornassem "homens novos", impregnados pela cultura do Evangelho, sempre foi uma prioridade para Ginetta. Isso significava também oferecer a todos uma formação humana integral, resgatando neles a consciência da própria dignidade, a alegria de serem filhos de Deus e, desse modo, ajudá-los a se autopromoverem. Ela fazia de tudo para obter recursos para projetos com essa finalidade. E o Bairro, com o trabalho voluntário de muitas pessoas, foi se transformando. Transcrevemos abaixo o testemunho de uma moradora do Bairro:
A experiência que eu tenho de Ginetta é de toda a minha vida, praticamente. Eu me casei em 1982 e toda semana havia o encontro da Palavra de Vida.
Chegavam muitas notícias de Ginetta, muita "providência" que ela mandava para nós. Então a gente foi cultivada praticamente por todas as focolarinas que iam lá, ou as voluntárias, mas em nome dela, de Ginetta mesmo.
Quando Ginetta vinha visitar o Bairro, então a gente colhia flores e ia para frente da igreja. Eu me lembro, como se fosse hoje, que a minha filha, então, dava um raminho de flores a Ginetta, que brincava de roda com ela e abraçava a gente. No começo, eu tinha um pouco de receio, de vergonha, mas daí eu comecei a conhecer e a participar do grupo de aprofundamento da espiritualidade, e fui me sentindo sempre mais livre, mais à vontade com todo mundo.
Eu vejo assim, que tudo na minha casa, o meu relacionamento com os filhos, com o meu marido, o meu jeito de viver hoje, é por causa dessa influência dela.
Para mim, hoje, nas dificuldades, é espontâneo lembrar essa perseverança dela em tudo e de acreditar. Ginetta deixava tudo por amor a Ele, Jesus Abandonado e, se fosse vontade Dele, as coisas aconteciam.
Em todas as situações no Bairro, a gente faz uma oração e pedimos juntos para ela, vamos em frente seguindo o exemplo da perseverança dela.
Maria Aparecida Borba do Carmo

sexta-feira, 12 de março de 2010

HOMENAGEM A GINETTA NO 9º ANO DE SEU FALECIMENTO E 3º DO INÍCIO DO SEU PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO

Mais um ano se passou, um ano de muitas alegrias, para a glória de Deus, pelas maravilhas que Ele tem realizado por meio do testemunho de vida cristã de Ginetta Calliari.
Agradecemos pela colaboração de todos os que acompanham os trabalhos do seu Processo de Beatificação com orações, ofertas, com o envio de depoimentos, recordações, graças recebidas por sua intercessão e de fatos vividos sob a inspiração de seu testemunho de vida.
No dia 6 de março Rogério Dentello, violonista de fama internacional, quis realizar um concerto na Mariápolis e destinar a renda para o Processo de beatificação de Ginetta.
No dia seguinte, na Igreja de Jesus Eucaristia, na Mariápolis, D. Ercílio Turco, Bispo de Osasco, presidiu a missa e no final da mesma convidou todos os presentes para irem ao túmulo de Ginetta rezar a oração de intercessão e cantar uma canção.
Em seguida, no auditório do Centro Mariápolis realizou-se uma cerimônia em homenagem a ela. Um breve vídeo, no qual Ginetta contava o que representou para ela o seu encontro com Chiara Lubich, proporcionou, de modo especial àqueles que não a conheceram pessoalmente, a ocasião de sentirem-se envolvidos e contagiados pelo seu entusiasmo e pela convicção que ela tinha da beleza de seguir o Ideal da unidade. Foram comunicadas algumas notícias sobre o andamento do Processo de beatificação e foi possível uma conexão por skype com o advogado Carlo Fusco, de Roma, postulador da Causa.
A seguir, um número musical e uma dos quatro representantes do Movimento budista Risho-Kossei-Kai, presentes, leu uma mensagem do Rev. Kasuya Nagashima, dirigente desse Movimento em S. Paulo, e que, naqueles dias, se encontrava no Japão.
Duas pessoas que conheceram Ginetta, relataram o próprio testemunho do papel dela em suas vidas: Giulio Sarrugerio, focolarino italiano que mora na Mariápolis e que conheceu Ginetta ainda nas primeiras Mariápolis em Fiera di Primiero, e Françoise Neveux, esposa de François Neveux, empresário francês da EdC.
Foram dois dias muito especiais em que juntos agradecemos e louvamos a Deus pela vida de Ginetta.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

2009 - 50 anos do Movimento dos Focolares no Brasil


Este é o ano da comemoração dos 50 anos da chegada oficial do Movimento dos Focolares no Brasil.
Ginetta Calliari, Violetta Sartori, Ada Ungaro (Fiore), Mariza Cerini, Marco Tecilla (o primeiro focolarino), Enzo Morandi (Volo), Rino Chiapperin e Giovanni Buselatto (Gianni), no dia 26 de outubro de 1959, partiram de Gênova e atracaram no porto de Recife no dia 5 de novembro para aqui se estabelecerem. Com eles seria aberto o primeiro focolare feminino e o primeiro focolare masculino fora da Europa (focolares são comunidades masculinas e femininas de leigos consagrados).
No ano anterior, 1958, três focolarinos - Marco Tecilla, Lia Brunet e Ada Ungaro - já tinham vindo ao Brasil e à Argentina, com o intuito de entender onde Deus queria que o Movimento dos Focolares iniciasse nessas terras. E Deus quis que, no Brasil, tudo começasse em Recife!
Eis as principais etapas da história dos Focolares no Brasil (extraído da revista Cidade Nova, julho 2009,nº7, págs 16 e 17 - www.cidadenova.org.br):

1958 - Chegada ao Brasil dos primeiros números de Cidade Nova
- Primeira visita dos focolarinos Lia Brunet, Ada Ungaro e Marco Tecilla

1959 - Chegada dos focolarinos que abririam, em Recife, os primeiros focolares fora da Europa

1961 - Primeira visita de Chiara Lubich a Recife, onde se estabeleceram os dois focolares

1962 - Abertura do primeiro focolare da região Sudeste, em São Paulo
- Fundação da Editora Cidade Nova brasileira, em São Paulo

1964 - Segunda visita de Chiara Lubich ao Brasil

1965 - Terceira visita de Chiara Lubich ao Brasil
- Aquisição do terreno no qual foi construído o primeiro centro de formação dos membros do Movimento dos Focolares (Centro Mariápolis) em Igarassu (PE)
- Abertura do primeiro focolare da região Norte, em Belém (PA)

1966 - Quarta visita de Chiara Lubich ao Brasil
- Inauguração do Centro Mariápolis (centro de formação do Movimento dos Focolares) do Nordeste, Igarassu (PE)

1967 - Aquisição do terreno para a construção da Mariápolis Araceli

1969 - Início a construção da Mariápolis Araceli

1991 - Quinta visita de Chiara Lubich ao Brasil
- Lançamento da Economia de Comunhão na Liberdade

1998
- Sexta visita de Chiara Lubich ao Brasil, durante o qual recebeu diversos reconhecimentos de instituições acadêmicas e políticas
- Inauguração do Polo Empresarial Spartaco no município de Cotia (SP), próximo à Mariápolis Araceli
- Durante sua visita ao Brasil, Chiara Lubich funda as "inundações", ramificação do Movimento dos Focolares, que reúne estudiosos das mais diversas áreas que procuram estudar a incidência do Carisma da Unidade no campo do saber
- Chiara Lubich recebe - na embaixada do Brasil no Vaticano - a Ordem do Cruzeiro do Sul

2001
- Falecimento de Ginetta Calliari
- Em sua homenagem, a Mariápolis Araceli passa a se chamar Mariápolis Ginetta
- Fundação do Movimento Político pela Unidade no Brasil

2007 - Início do Processo de Beatificação e Canonização de Ginetta Calliari
- Inauguração do Polo Empresarial Ginetta, em Igarassu, próximo a Recife (PE)

2008 - Falecimento de Chiara Lubich

2009 - Inauguração do Polo Empresarial François Neveux, próximo à Mariápolis Glória, em Benevides (PA)

- Comemoração dos 50 anos da chegada ao Brasil do Movimento dos Focolares.
Um evento em Recife, com a presença de 5 mil pessoas, marcou o início das festividades, também assinalada em Porto Alegre no início do mês. Para o Sudeste, Centro-Oeste do país e Manaus, haverá, na cidade paulista de Sumaré, nas cercanias de Campinas, um evento nos dias 24, 25 e 26 de julho.

terça-feira, 30 de junho de 2009

TRIBUNAL DA CAUSA DE BEATIFICAÇÃO DE GINETTA CALLIARI


O trabalho do Tribunal pela Causa de Beatificação de Ginetta prossegue. Até hoje, 59 testemunhas já foram ouvidas.
Em julho de 2008, os padres do Tribunal foram a Brasília e Recife a fim de ouvirem o depoimento de várias pessoas que conheceram Ginetta nos primórdios do Movimento dos Focolares no Brasil. Além disso, por um pedido de Dom Ercílio Turco feita a Dom Giuseppe Matarrese (bispo de Frascati, Itália), instalou-se naquela diocese italiana um Tribunal Rogatorial, para recolher depoimentos de várias pessoas residentes ali, que conheceram Ginetta.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ARQUIVO DO CENTRO GINETTA CALLIARI

Com a abertura do processo de beatificação de Ginetta Calliari, em 8 de março de 2007, teve início, oficialmente, o arquivo do rico material sobre sua vida. O acervo compreende um número muito grande de documentos existentes, que é uma ampla fonte de informação para o processo, além de ser um registro histórico sobre o Movimento dos Focolares no Brasil. A estruturação do arquivo está em andamento e prevê a seguinte catalogação dos documentos:
• correspondência pessoal de Ginetta e para Ginetta;
• declarações ou testemunhos escritos e assinados sobre Ginetta;
• documentos pessoais de Ginetta (documentos religiosos, civis, documentos relativos à saúde, etc.);
• fotos;
• gravações em áudio e vídeo;
• relatos de graças recebidas por intercessão de Ginetta (até o momento, o Centro recebeu 200 relatos escritos, mas têm-se notícia de muitos outros);
• manuscritos de Ginetta (diários, anotações para suas palestras nos vários encontros, etc.);
• publicações sobre Ginetta (livros, entrevistas, artigos em jornais, revistas e internet, entrevistas na TV);
• homenagens a Ginetta;
• objetos de uso pessoal que pertenceram a Ginetta.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"Ela foi uma inesquecível mestra de vida para nós, sacerdotes e religiosos".


Conhecer Ginetta foi uma graça especial em minha vida. Ela foi uma inesquecível mestra de vida para nós, sacerdotes e religiosos. Formou gerações de sacerdotes e bispos para o Brasil. Ensinou-nos, na sua simplicidade e serenidade, durante nossos encontros no Centro Mariápolis ou nas Mariápolis , como sermos cristãos, antes de sermos sacerdotes ou religiosos.
As experiências de vivência cristã que nos comunicou nos encontros, seu modo de viver radicalmente a fé, a confiança em Deus de deixar-se guiar momento por momento pela vontade Dele, isso e tudo o mais produziram em nós um impacto profundo e se tornaram para nós um convite a uma nova conversão. Foi um impulso para “nos desclericalizarmos” e vivermos o nosso “ser padre” num estilo de sacerdócio mariano, na simplicidade de Jesus, em unidade com nossos irmãos sacerdotes. Sua fidelidade a Chiara, vivida com escrupulosidade absoluta, mostrou para nós um caminho seguro para viver, em todo o momento, a vontade de Deus.

Ela nos ajudou a perder o medo da cruz, do sofrimento, já que ela teve uma prática de muitos anos de encontrar e festejar Jesus Abandonado, seu esposo, em cada dificuldade, sofrimento ou surpresa desagradável.
Ginetta viveu a espiritualidade da unidade de uma maneira muito concreta, interessando-se vivamente pelas necessidades e problemas de cada um de nós e de cada comunidade religiosa. Colocava também essa intenção em sua oração pessoal. Sou-lhe muito grato por tudo o que ela fez por mim e pela minha comunidade religiosa! Agradeço a Deus por te tido ocasião de viver alguns momentos da minha vida perto de Ginetta. Tento seguir seu exemplo e peço sua intercessão junto a Deus.
Padre J.S. (religioso)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

MEMORIAL GINETTA CALLIARI


A primeira casa da Mariápolis, onde Ginetta viveu quando ali chegou, em 1969, abriga atualmente o “Memorial Ginetta Calliari”, que foi inaugurado por ocasião do Simpósio de 8 de março de 2008.


Não poderia haver lugar mais signifi-cativo para um Memorial de Ginetta, onde fossem recolhidas suas fotos, escritos e objetos que lhe pertenceram – poucos, na verdade, uma vez que, na espiritualidade do Movimento, a comunhão dos bens materiais impele a doar continuamente aos irmãos o que eventualmente se tem a mais.

Já passaram por ali mais de duas mil pessoas.

Entre elas assinalamos um grupo de bispos, um grupo de gen4 (as crianças do Movimento dos Focolares) e Eli Folonari, focolarina que viveu ao lado de Chiara por mais de cinqüenta anos.

Eli deixou um registro no livro de visitas: “Que Ginetta, do Céu, nos transmita sua decisão de viver o Evangelho com fé e sua unidade fiel a Chiara, para construir e desenvolver a Obra de Maria! Obrigada, Ginetta”.

terça-feira, 19 de maio de 2009

DVD de Ginetta Calliari

Trecho de uma palestra de Ginetta Calliari proferida no Centro Mariápolis, local de encontros e congressos da Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista, SP, Brasil

Contato para adquirir este dvd:cginetta@terra.com.br

segunda-feira, 18 de maio de 2009

GISELLA CALLIARI - irmã mais nova de Ginetta

(Foto: Gisella e Ginetta)

Mariápolis Araceli, 10 de março de 2001

Minha irmã Ginetta, que era mais velha do que eu dois anos, nasceu em Trento, em 15 de outubro de 1918, numa família correta, sadia e de fé profunda.
Desde pequenas, éramos muito unidas, inclusive nas travessuras de criança.
Mais tarde, conseguimos juntas um emprego numa empresa perto de Veneza, cujos proprietários nos consideravam filhas e cogitavam fazer-nos, um dia, herdeiras de tudo.
Recordo, daquele tempo, nosso sofrimento quando constatamos as desigualdades sociais em relação aos camponeses e aos empregados.
Um dia, recebemos um cartão postal de uma amiga de Trento que falava de Deus como aquele que vale mais do que tudo. Foi como um chamado de Dele. Decidimos deixar tudo (preparando-nos às escondidas, para que não nos impedissem) e voltamos a Trento. Alguns dias depois, as bombas interromperam aquela estrada...
Na primavera de 1944, aconteceu nosso encontro com Chiara. Nossa adesão foi imediata e total. Ginetta logo ficou com Chiara no primeiro focolare, da praça Cappuccini.
Mais tarde, em 1948, quando Chiara foi para Roma, ela confiou Trento a Ginetta, De lá, o Ideal se espalhou pelas cidades vizinhas: Veneza, Pádua; em seguida, Milão, Turim e todo o norte da Itália.
Ginetta ia a essas cidades, amava, falava e conquistava pessoas; surgiam focolarinas, focolarinos, comunidades inteiras.
Chiara recorda o nascimento da primeira comunhão dos bens, ainda na comunidade de Trento

quinta-feira, 14 de maio de 2009

LIVIA CALLIARI - irmã mais velha de Ginetta

(Foto: Ginetta com suas duas irmãs, Livia e Gisella)

Depoimento realizado em Trento, no dia 2 de agosto de 2004

A lembrança que tenho de minha irmã Ginetta é que, desde pequena, ela era sensível à religião, e nossa mãe ficava orgulhosa de a filha se assemelhar tanto a ela. Descobri que Ginetta, quando tinha 14-15 anos, usava cilício, e pedi explicações. Ela respondeu que era uma coisa que dizia respeito somente a ela! Lembro-me de que era exata em tudo, e as coisas tinham de ser como ela dizia. Era inteligente e, no estudo, tirava sempre notas boas. Depois de seu encontro com Chiara, ela mudou muito: era mais ordenada, obediente, dócil e sempre disposta a ajudar.
No início, nossa mãe não ficou nada feliz e tinha muitas dúvidas a respeito das escolhas de Ginetta. Na mentalidade dela, uma filha só saía de casa a fim de se casar ou entrar para o convento. Mas, ao ver o novo comportamento da filha e o que era esse novo Movimento nascente, ela entendeu tudo e até dizia que, se tivesse nascido novamente, teria feito o mesmo que Ginetta e Gis (a irmã mais nova, ndt).
Meu relacionamento com Ginetta sempre foi ótimo e baseado na verdade. Às vezes, o jeito dela era tão forte que me intimidava. Mas, ultimamente, quando me encontrava com ela, era ainda mais bonito, era como se ela fizesse uma surpresa após a outra. Tinha uma gentileza toda especial, refinada, no modo de acolher, de servir e de amar com o coração. Era sempre a primeira a chegar, frequentemente com algum presentinho, a cada vez adivinhando aquilo que me deixava contente, e isso me dava uma grande alegria.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cronologia da vida de Ginetta Calliari

15.10.1918 Nascimento de Ginetta (Luigia) Calliari, em Trento, Itália.
16.06.1933 Morte do pai, Giovanni Calliari.
1944 Entre março e junho, encontro de Ginetta com Chiara Lubich.
1949 Abertura do focolare em Roma: Ginetta substitui Chiara Lubich em Trento.
11.02.1952 Morte da mãe, Fortunata Furlan.
26.10.1959 Partida de Ginetta e outras três focolarinas e quatro focolarinos, de Gênova (Itália) com destino ao Brasil, a fim de abrirem os primeiros focolares no continente americano.
05.11.1959 Desembarque no Recife do primeiro grupo de focolarinas e focolarinos para a abertura dos focolares.
1964 Viagem de Ginetta a São Paulo e abertura do focolare feminino, no bairro do Brás.
1965-1981 Visita de Ginetta a muitas comunidades espalhadas pelo Brasil e abertura de focolares femininos em capitais de vários Estados. .
1966 Início da construção do Centro Mariápolis do Recife.

1969 Início da construção da Mariápolis Araceli (hoje Mariápolis Ginetta, foto abaixo), em Vargem Grande Paulista, onde Ginetta passa a morar.

03.1982 Ginetta sofre um enfarto do miocárdio, tendo que permanecer por um longo período em convalescença.
29.05.1991 Lançamento, por parte de Chiara Lubich, do Projeto Economia de Comunhão, na Mariápolis Araceli.
06. 1996 Ginetta é submetida a uma cirurgia do coração com colocação de pontes de safena
02.1997 Ginetta é submetida a uma cirurgia para colocação de prótese no fêmur por problemas de artrose.

03.05.1998 O “sim dos onze mil”: Ginetta convida os milhares de membros do Movimento reunidos no ginásio do Ibirapuera, São Paulo, a abraçarem Jesus na cruz representado pelo sofrimento da impossibilidade de um encontro deles com Chiara.
07.05.1998 Leitura, por parte de Ginetta, em nome de Chiara Lubich, do discurso sobre “O Movimento dos focolares nos seus aspectos políticos e sociais”, no Congresso Nacional, Brasília.
12.05.1998 Inauguração do Pólo Spartaco, da Economia de Comunhão, durante uma visita de Chiara à Mariápolis Araceli.
26.04.1998 Inauguração da Igreja de Jesus Eucaristia, com a presença de Chiara Lubich, na Mariápolis Araceli.
11-13.06.1999 Reunião do Bureau Internacional da Economia e do Trabalho na Mariápolis Araceli, que contou com a determinante contribuição de Ginetta para sua realização e fundação do Centro de Estudos, Pesquisa e documentação da EdC.
12.11.1999
Visita da Comissão Mista de Combate e Erradicação da Pobreza no Brasil, do Congresso Nacional.
2000 De janeiro a maio Ginetta é hospitalizada três vezes por causa de problemas cardíacos graves, chegando a estar à beira da morte.
08.03.2001 Ginetta conclui sua existência terrena no hospital Sírio Libanês de São Paulo onde foi urgentemente internada, no mesmo dia, por causa de uma repentina nova crise cardíaca. E seu corpo repousa no campo santo da Mariápolis Ginetta.

25.04.2001 Homenagem póstuma a ela da Câmara dos Deputados, Brasília.
2001 Homenagens das Assembléias Legislativas de 11 Estados e das Câmaras Municipais de 10 cidades brasileiras
25.06.2001 A Câmara Municipal de Sorocaba atribuiu a uma via pública o nome de Ginetta Calliari.
26.11.2001 A Câmara Municipal de vargem Grande Paulista oficializa o nome de Mariápolis Ginetta para o bairro onde a comunidade se localiza.
24.04.2002 A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo atribui o nome Ginetta Calliari a um viaduto em Osasco, por iniciativa do deputado Caldini Crespo.
23.04.2004 A Câmara Municipal de São Paulo confere a Ginetta o título de Cidadã Paulistana, in memoriam.