segunda-feira, 24 de setembro de 2012

40 ANOS DA MARIÁPOLIS GINETTA
Mensagens de vários países


        Marco Tecilla - 1º focolarino. Marco fez parte do primeiro grupo a atravessar o oceano Atlântico em direção  ao Brasil em 1958. Visitaram várias cidades e também outros países. No ano seguinte ele, Ginetta e outros 6 focolarinos e focolarinas vieram para iniciar os dois primeiros focolares do Brasil, na cidade de Recife. Na sua mensagem pelos 40 anos da Mariápolis ele nos conta:
       São Paulo 1965. Na grande capital já existem os dois focolares, masculino e feminino, e Ginetta, responsável pelo setor feminino do Movimento, refletiu sobre o que Chiara havia dito a respeito das Mariápolis permanentes. Será que o Brasil poderia prosseguir o seu caminho Ideal sem contar com uma Mariápolis permanente? Mas como fazer para encontrar o terreno e os recursos necessários?! Ginetta então lembrou-se de que o nome "Mariápolis" significava "Cidade de Maria". Nãos eria então o caso de dirigir-se a Ela? E assim Ginetta fez uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida para pedir a Sua intercessão na procura do terreno mais adequado para esse fim bem como os recursos financeiros para dar início às construções.
         Ginetta não era uma pessoa que se deixava impressionar pelas dificuldades, pelo contrário, maiores eram essas e mais ela sentia o apelo de Deus a acreditar e agir.
         Nossa Senhora escuta quem a Ela se dirige. Pouco tempo depois apareceu a oportunidade da compra de um terreno bastante próximo de São Paulo no qual havia apenas un casebre de pau-a-pique.  
         Começamos a fazer as famosas rifas para angariar os fundos; aos poucos foi possível realizar os trabalhos de reestruturação daquela pequena casa. A Providência nunca faltou, e isso para nós era o sinal de que Deus e a Virgem Maria abençoavam aquela iniciativa.
         Em 1969 também os focolarinos começaram a fazer os projetos para a construçlão do focolare e de uma marcenaria, para a qual a Providência já havia mandado, por via marítima, algumas máquinas.
         Em 1971, precisei voltar para a Itália para um tratamento de saúde; portanto não pude assistir à continuação dos trabalhos!
                 À distância de 40 anos, na tentativa de fazer um balanço do trabalho realizado por Deus em muitos corações que vivem na Mariápolis - que agora leva o nome daquela que a começou e levou a termo, "Mariápolis Ginetta" -, poderíamos dizer  sem medo de exagerar, que ali, o Ideal da unidade formou um "povo". E aquela que deu início à Mariápolis hoje é declarada Serva de Deus.
         Faço votos de que todos os que participam da vida da Mariápolis possam prosseguir com perseverança, mantendo sempre a fé no grande carisma que Deus nos doou a fim de que todos sejam uum
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        Meu nome é Cris, atualmente faço parte de um focolare na Nova Zelândia, e sinto forte a responsabilidade de ser fiel  até o fim ao Crucifixo vivo que Ginetta me confiou.
No dia 6 de janeiro de 2003 cheguei na Mariápolis Ginetta com o coração em festa por fazer parte da única família de Chiara e por ter feito a escolha de Jesus Abandonado. Mesmo se vivendo o Ideal  a gente procura colocar Deus em primeiro lugar na nossa vida, agora eu sentia que era a hora de dar tudo de maneira radical.
Para mim era impressionante ver como a vida que todos procuravam viver na Mariápolis irradia, transmite Jesus, e era a vida de Jesus entre nós que tocava as pessoas, que tocou o coração dos meus pais até ao ponto deles entenderem a minha vocação. 
O período que passei na Mariápolis Ginetta foi o período mais lindo da minha vida, foram descobertas atrás de descobertas; um período no qual descobri e experimentei, cada dia de modo mais forte, a graça que é viver com Jesus no meio,  e que para mantê-lo entre nós vale a pena todos os esforços do mundo.
Eu não conheci Ginetta pessoalmente mas, vivendo na Mariápolis, sentia que tudo falava dela, do seu radicalismo e fidelidade na vida do Ideal. Assim, se é verdade que nunca a encontrei fisicamente, ao mesmo tempo sinto-me formada pelo seu amor ao Crucifixo vivo que Chiara lhe entregou (...).
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      Meu nome é Roberta e estive na Mariápolis Ginetta de 1987 a 1989. Depois de Loppiano, fiquei 2 anos na Índia, atualmente encontro-me na Austrália com outras 3 brasileiras (Glória de Fortaleza, Lourdes e Cris da região sul do Brasil).
Os anos que passei na Mariápolis, orientados pelo amor de Ginetta me prepararam para ir a qualquer lugar do mundo, sem medo ou temor.
Desejo que muitos possam fazer a mesma experiência. Vale a pena!!!
 
 
 
 
 
 
 
 como uma pedra angular na minha vida.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

POR FALAR EM ECOLOGIA...
Aprendendo com Ginetta

"É com grande alegria que acompanho esse grupo que se compromete em manter a história viva, dando visibilidade a Ginetta, pessoa que marcou a nossa história. Cada dia, ao escovar os dentes, lembro-me de não deixar a torneira aberta inutilmente; é como se Ginetta estivesse ali ao meu lado recordando-me que existem muitas pessoas em cujas casas a água não chega. Sou coordenadora da Educação Infantil, na Escola Santa Maria, são 6 turmas e para relembrar Ginetta, no dia Internacional da Mulher, contei para uma das professoras essa lição de vida que Ginetta me ensinou: fechar a torneira enquanto escovamos os dentes ou nos ensaboamos durante o banho; enfim, economizar a água por amor dos nossos irmãos que também precisam desse bem comum. Em seguida essa professora levou a sua turna da alfabetização até o banheiro para dar essa aula. Algumas das funcionárias cujos filhos fazem parte daquela turma disseram que as crianças levaram para casa a explicação sobre a economia da água. Uma delas contou que a filha vendo o pai lavar a louça com a torneira aberta o tempo todo chamou a sua atenção dizendo: "Pai, quando a gente ensaboa os pratos, fecha a torneira". (M.R. - Recife)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


BOLETIM N. 5 - MARÇO DE 2012
Editorial

2012 é um ano especial. O Papa Bento XVI anunciou por meio da Carta Apostólica Porta Fidei (A Porta da Fé) a proclamação do “Ano da Fé” que terá início concomitantemente à comemoração do 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, em outubro deste ano.

Além disso a Igreja se prepara para refletir sobre a Nova Evangelização, tema do próximo Sínodo dos Bispos e que representa uma urgência histórica, se levarmos em consideração que as nossas sociedades sofrem um processo de contínuo empobrecimento de valores humanos e sociais.

“Esse é um momento de graça especial para a Igreja”, como comentou Maria Emmaus Voce, presidente do Movimento dos Focolares, em um artigo publicado pelo L’Osservatore Romano.

Por outro lado, a conjuntura do mundo atual é comparada a uma “Noite escura coletiva”: “Trata-se de uma crise da fé, na raiz da crise que o mundo está atravessando”, repetiu mais de uma vez o Papa Bento XVI.

Mas sob a luz da fé, nesse contexto de crise, a vida de Ginetta se apresenta, justamente hoje, como um testemunho de grande atualidade. De fato, muitos afirmam que é a fé a maior característica do seu testemunho de vida, verdadeira encarnação da frase do Evangelho que Chiara Lubich lhe dera como lema para a sua vida: “Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,25).

Ginetta pode servir de modelo e de impulso para nós neste ano em que – como evidencia Maria Voce em consonância com a Carta do Papa – todos somos chamados a redescobrir, viver e comunicar a fé.

Bento XVI afirma também que não é possível enfrentar esse desafio sozinhos, mas somente com a ajuda de Deus e junto com os irmãos.

 A preocupação em formar “homens novos”, isto é, pessoas imbuídas da cultura do Evangelho, acompanhou Ginetta em toda a sua vida; ela tinha certeza de que sem homens novos não teremos estruturas novas. Homens novos que, juntos, testemunhem o amor recíproco diante dos desafios de um mundo fortemente marcado pelo individualismo .

É preciso intensificar a vida de comunhão e fraternidade nos nossos ambientes, nos espaços políticos, nas fábricas, nos bairros, nas universidades, nas famílias... porque é na comunhão que Jesus Ressuscitado se faz presente espiritualmente, toca os corações e os transforma.

É justamente essa compreensão do Evangelho que iluminou Ginetta e os primeiros focolarinos desde o momento de sua chegada ao Brasil, em 1959. Surpreendidos pelo impacto das desigualdades sociais, tornaram-se, aos poucos, protagonistas de centenas de obras sociais mas, sobretudo, foram testemunhas das transformações realizadas pelo Evangelho na vida de muitas pessoas que, numa reação em cadeia, suscitaram núcleos de fraternidade espalhados por todo o Brasil.

 2012 assinala, além dos cinco anos da abertura do Processo de Beatificação de Ginetta, também o 40º aniversário da inauguração da Mariápolis Araceli (hoje Mariápolis Ginetta), esboço de sociedade, fruto do Evangelho vivido por muitas pessoas. Elas foram impulsionadas pela firme fé de Ginetta nas promessas do Evangelho, e pelo entusiasmo que ela irradiava em viver para construir o Reino de Deus, a fraternidade entre todos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

NO SACRÁRIO ELE NÃO NOS PEDIA NADA, MAS NO IRMÃO, TUDO!


Trecho extraído do livro “Ginetta. Uma vida pelo Ideal da Unidade”.

Desde quando começamos a ver Jesus nos mais pequeninos, nos pobres, os milagres da Divina Providência começaram a chover na nossa pequena família espiritual, o focolare. Havia a guerra, toda a cidade estava sem leite, e ao focolare chegava leite em pó; eram quilos e quilos que eram dados aos pobres e a todos que pediam. “Dá ao que te pede” (MT 5,42).
À falta de leite se juntava uma enorme carestia de carne, e a carne chegava aos quilos e quilos... Chegavam aos quilos peixe em conserva, farinha, batatas, feijão, ervilha e frutas.
“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (MT 6, 33).
Buscávamos incansavelmente o seu Reino, e o acréscimo vinha, para nós e para todos os próximos que a vontade de Deus colocava ao nosso lado. Da mesma forma que as coisas chegavam, elas eram dadas. Nada deveria ficar parado. Eram caixas que entravam e caixas que saíam. (...)
O verbo “cansar-se” não era conhecido; muito menos o verbo “dormir”. O ronco dos aviões de dia e o ronco do Pippo, à noite (avião usado durante a guerra para causar medo às pessoas, sobrevoando as cidades durante a noite), faziam entender a brevidade do tempo, o valor da vida. Aliás, tínhamos a sensação, a certeza, de não ter amado a Deus. Assim, queríamos nos dirigir a todo próximo para demonstrar-lhe o nosso amor. No sacrário, Ele não nos pedia nada, mas nos seus irmãos, tudo.
(...) A casa onde Chiara e algumas das suas primeiras companheiras moravam, ainda em 1944, era um vai-e-vem de pessoas para dar de comer espiritual e materialmente. Vinham os famintos, os abandonados, os fracos, os aflitos, os pecadores. Vinham todos, sem distinção. (...) E os famintos saíam saciados; os maltrapilhos, cobertos; os aflitos, consolados; os fracos, fortalecidos; os pecadores saíam convertidos, os pobres, enriquecidos, mais do que de dinheiro, enriquecidos de Deus!!!
Em meio à pobreza da guerra, pediam tudo a Chiara. Lembro que, quando encontrei as suas companheiras, fiquei muito impressionada. Voltei para casa e procurei logo tirar farinha da despensa, procurei batatas, procurei um pouco de verdura, e fui entregar a Chiara. Mas depois vi que não dava certo, porque era pouco demais. E me recordo que entrei numa igreja e pedi a Deus um emprego para poder ajudar Chiara e suas primeiras companheiras com o meu ordenado. Pedi, mas não encontrei, pedi outra vez e não encontrei... Estava quase desanimando... No entanto, precisava acreditar e, depois, encontrei um emprego bom. E assim consegui ajudar Chiara.
(...) ... uma vez veio uma família pedir alguma coisa, porque não tinha com o que viver; tiramos tudo o que possuíamos, comprometendo a vida das focolarinas; mas depois a providência veio. A providência existe, existe! Podemos acreditar em Deus e pedir a Ele!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Graças alcançadas por intercessão de Ginetta:


Ø     Três anos atrás meu marido foi submetido a uma cirurgia e, a partir dali, ele ficou na cadeira de rodas. Para sustentar a família tive de ir trabalhar numa outra cidade, onde consegui um salário mais alto. Agora estava tentando voltar a trabalhar na nossa cidade, para estar mais perto do meu marido e dos filhos, que só via nos finais de semana. Parecia impossível conseguir essa transferência, havia buscado todas as ajudas possíveis e todas as possibilidades existentes. Quando soube que Ginetta está no Céu e tão perto de todos nós, pedi-lhe essa graça. No final do dia recebi a notícia de que a transferência seria possível.

Ø     Depois que Ginetta partiu para o Paraíso, falo com ela continuamente e a sinto perto de mim, que me responde e me guia nas pequenas e grandes coisas do dia-a-dia...

Ø     Fazia um ano que eu estava sem trabalho e era eu que trazia a ajuda econômica mais consistente na família. Um dia eu pedi a Ginetta que me ajudasse nessa situação... No dia seguinte, fui chamada... Eu havia feito um concurso um ano antes para trabalhar na prefeitura. Senti que Ginetta me ouviu!”.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

UM ARTIGO NO JORNAL ITALIANO “L’ADIGE”


LAVIS – “Uma das coisas que mais me impressionavam em Ginetta era constatar que entre o que ela dizia e aquilo que era não havia dicotomia. Palavras e vida tinham a mesma consistência sem lacunas”.

Com estas palavras, profundas e significativas, o então arcebispo de Brasília, D. João Braz de Avis, deu início ao processo de beatificação de Ginetta Calliari (lavis, 1918, são Paulo 2001) no dia 8 de março de 2007.

Ginetta foi uma das primeiras discípulas de Chiara Lubich e uma das fundadoras do movimento dos Focolarinos.
Em 1959, Ginetta abandonou a terra natal para levar ao Brasil o “crucifixo vivo” que a própria Lubich lhe havia entregue. A vida de Ginetta foi dedicada inteiramente aos mais necessitados, direcionada exclusivamente para criar um mundo novo privo de desigualdades sociais, por meio de homens novos transformados pelo espírito do Evangelho.

Ginetta Calliari morreu no dia 8 de março de 2001 no Brasil, depois de um longo período de doença. E no dia 8 de março de 2007 teve início o processo de beatificação. (...)
A própria Lubich, numa conferência telefônica com todos os centros do Movimento dos Focolares no mundo, em 19 de abril de 2009, disse: “Ginetta viveu unicamente para a glória de Deus. Foi puro serviço, serva, como Maria. Se os pequenos continuam a considerá-la como uma irmã, os grandes da sociedade e da Igreja a reconhecem como guia e lhe são profundamente gratos”.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O CONCERTO DE VIOLINO E VIOLÃO CLÁSSICO FOI MARAVILHOSO!!!

Caros amigos,

Dia 20 de agosto, sábado passado, tivemos um concerto maravilhoso, aqui na Mariápolis Ginetta, como havíamos comunicado.
Eram dois os artistas:
ROGÉRIO DENTELLO (violão - Brasil): Nós já o conhecemos. Foi aluno do famoso violonista clássico Paulinho Nogueira. Estudou em São Paulo, na Itália e na Alemanha. Como concertista, acumula cerca de 350 concertos em vários países: Brasil, Japão, Alemanha, Itália, França, Hungria, Irlanda, Luxemburgo e Bélgica. Foi premiado na Polônia como compositor em 2008 e em 2009. Tem 6 CDs próprios, além de suas composições gravadas por outros artistas.

MICHAEL J. JAMES (violino - USA): Tem mais de 30 anos como professor e concertista. Iniciou seus estudos de percussão e violino aos 4 anos de idade. É graduado em bacharelado em Artes e possui mestrado e doutorado em Educação. Além de atividades musicais, exerce intensa atividade como professor e coordenador no Boston College (USA). Veio ao Brasil pela primeira vez.


A sintonia entre os dois artistas foi mágica!
O repertório viajou das composições lindas, ágeis e delicadas do Rogério Dentello, a Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Paulinho Nogueira, Caetano Veloso e Villa Lobos; a Massenet e Bach.
Eles conseguiram eletrizar o público que, por várias vezes explodiu em aplausos intermináveis. No final, a platéia toda, aplaudindo em pé, extraiu deles um bis.
Realmente valeu!!!


 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

CHIARA E GINETTA

Trecho extraído da revista Cidade nova de março de 2011, pg. 29.

No dia 8 de março, decorrem dez anos do falecimento de Ginetta Calliari, uma das primeiras companheiras de Chiara, que se distinguiu, de modo especial, por sua estreita unidade com ela. Para Ginetta, era indispensável ser fiel ao "Pacto de Unidade" feito com Chiara nos primeiros anos do Movimento dos Focolares e beber constantemente da fonte do Carisma da Unidade par apoder transmiti-lo, de modo autêntico, a todas as pessoas que encontrava. Seu processo de beatificação e canonização está em andamento desde 2007.

Ao escrever uma autobiografia, Ginetta conta:
A seguir, transferi-me novamente à Praça dos Capuchinhos, onde Chiara morava. Era um privilégio ímpar. E eu, como se diz, caminhava “na ponta dos pés” para conseguir escutar sempre “aquela voz” e não romper a estabilidade de Jesus no meio.
Dormia no quarto de Chiara e, uma noite, quando eu já estava me abandonando ao sono, escutei-a me dizer: “Ginetta, tenhamos Jesus em meio!”. “Sim, Chiara!”. Pouco depois ela me disse novamente: “Ginetta, tenhamos Jesus em meio!”. “Sim, Chiara!”. Respondi com toda a alma. E de novo: “Ginetta, tenhamos Jesus em meio!”. “Sim, Chiara!”. Dessa vez eu estava inteiramente ali, com ela, no Essencial. Então Chiara continuou: “Tenhamos Jesus em meio e peçamos a Ele para ir às casas dos que sofrem, dos doentes, que entre nos casebres dos pobres, levando a Sua paz e o Seu Amor”.
Esse tempo, transcorrido com Chiara, permaneceu na minha memória como um dos períodos mais lindos da minha vida!"

"Em pouco tempo, o Ideal (da Unidade) foi espalhando-se em várias cidades da Itália, inclusive em Roma. Dali começou a chegar muita correspondência, freqüentemente solicitando a presença de Chiara na “capital do cristianismo”.
Chiara foi a Roma pela primeira vez e me pediu para acompanhá-la. Daquela viagem, eu me lembro da forte sensação de pequenez e do grande desejo de estar unida a Chiara. (...). Chegou o momento no qual tivemos que nos separar dela pela primeira vez... Ninguém teria podido substituí-la, mas precisava que alguém o fizesse e Chiara pensou em mim. Daí para frente os fatos são conhecidos."

segunda-feira, 13 de junho de 2011

UMA PESSOA COM UM CARISMA ACIMA DO NORMAL

TESTEMUNHO SOBRE GINETTA CALLIARI

Ginetta, Livia e Gisella
 Sou Antonietta Zeni, prima de Ginetta Calliari. Nasci na cidade de Cembra e atualmente moro em Trento, norte da Itália.
Sou prima dela em segundo grau, mas gostaria de explicar. A minha avó e a mãe de Ginetta eram irmãs. Na minha família, a minha mãe e meus dois tios, Luis e Mario, eram primos de Ginetta em primeiro grau. Contavam, na nossa família, que as três irmãs Calliari – Lívia, Ginetta e Gis – iam com freqüência à nossa cidade de Cembra, enquanto a avó materna era viva.
Esses três primos (minha mãe e meus dois tios) e as três irmãs (Lívia, Ginetta e Gis) se davam muito bem e passavam longos períodos juntos em Cembra, no verão.
Logicamente não me lembro disso porque não tinha nascido ainda, mas minha mãe e meus tios me falavam sobre isso. Diziam sempre que Ginetta tinha um caráter muito forte, muito determinado; aquilo que pensava ou dizia, era sempre atuado.

Conheci o Movimento dos Focolares graças ao meu marido, falecido há 20 anos, porque ele era um simpatizante do Movimento.
Eu pude conhecer bem a Gis, porque Ginetta já estava morando em São Paulo. Pude conhecê-la somente quando ela vinha a Roma, todo ano, no mês de outubro (para os encontros com Chiara Lubich, de todos os responsáveis do Movimento dos Focolares no mundo inteiro).
Num primeiro contato, Ginetta parecia muito séria, muito decidida nas suas opiniões. Porém, quando falava, transmitia uma doçura que não sei de onde provinha – da alma, do seu pensamento..., eu não sei.
Ela ficou hospedada na minha casa, para minha grande alegria. E ali eu tive a sensação de conhecer uma pessoa com um carisma acima do normal.
Segundo eu, Ginetta era uma mulher muito corajosa, muito decidida, mas ao mesmo tempo uma pessoa doce. Claro, considerando aquilo que ela realizou no Brasil, aquilo que construiu, criou, dá para entender que era uma pessoa com uma grande capacidade, com um carisma fora do comum.
Precisaria que existissem muitas pessoas como ela. Ela me ensinou a ser altruísta, a doar sempre, a compreender os outros, principalmente os mais fracos.

Antonietta Zeni



segunda-feira, 6 de junho de 2011

A MESMA DETERMINAÇÃO DE MOISÉS DIANTE DO MAR VERMELHO

TESTEMUNHO DE ALBERTO FERRUCCI SOBRE GINETTA CALLIARI



Encontrei Ginetta pela primeira vez em 1964, na Itália. Eu estava num dos meus primeiros encontros com o Movimento e à tarde ela contou a sua experiência no Brasil, com as outras focolarinas, no período do carnaval, exprimindo tanto divino que me impulsionou a fazer uma nova escolha de Deus: por isso me sinto um filho espiritual dela.
Estando com Ginetta nestes últimos anos, por causa do Pólo Industrial Spartaco, sempre senti esse grande respeito pelo outro, a sua capacidade de deixá-lo se exprimir na sua máxima liberdade, aderindo prontamente a cada sugestão. Se diante de uma proposta eu deixava escapar, por exemplo, um “... mas talvez fosse melhor...”, ela mudava tudo imediatamente.
Creio que isso se devia ao fato que ela acreditava plenamente na força da unidade (...). Ela viveu um momento muito alto na sua experiência espiritual de unidade com Chiara, a experiência de ser uma Alma só, na qual ela colheu a grandeza do Carisma que Deus confiou a Chiara, e percebeu a importância fundamental de permanecer sempre nessa unidade construída com Chiara (...). Ela tinha a convicção de que, agir assim, significava inundar o mundo de Espírito Santo, deixar Deus agir.
Ela era uma mestra no amor, que se exprimia num amor personalizado.
Ela me perguntou sobre a minha família e lhe falei de um filho, que tinha sido um gen (jovens do Movimento) e que estava passando por uma crise. Fui embora da Mariápolis para retornar à Itália, e parei no Rio de Janeiro a trabalho. À noite, chegando ao hotel, encontrei um pacote enviado por ela. Não sei como ela conseguiu fazer o pacote chegar lá antes de mim. O pacote continha uma concha grande, linda, para o meu filho.  Ela quis fazer um ato de amor personalizado a uma pessoa que não conhecia, para que fosse um “dardo de amor”: meu filho agora está casado e se reaproximou da fé; essa concha é para ele o sinal de um amor especial de Deus. (...)
Numa outra ocasião, no Pólo Spartaco, havia um novo galpão a ser inaugurado. Naquele momento, Ginetta tinha problemas de coluna e não podia caminhar. No entanto, assim mesmo ela quis participar dessa inauguração. Ela chegou para a inauguração desse novo galpão com a mesma determinação que deve ter tido Moisés diante do Mar Vermelho, quando devia abrir as águas para o povo hebreu na fuga do Egito. Num clima espiritual inesquecível, ela afirmou: “Este galpão foi construído por amor, portanto existirá também nos céus novos e terras novas”. 
(...) Essa empresa, como todas as empresas do Pólo Spartaco, de uma conversão pessoal, de um ato aparentemente irracional, que escondia uma racionalidade expressiva porque exprimia a fé no Projeto Economia de Comunhão.
Todas essas empresas nasceram de uma resposta dessas pessoas a uma vocação, que Ginetta sempre acompanhou e alimentou: uma vocação à cruz, certamente não uma vocação ao sucesso.
E Ginetta sempre alimentou essas vocações – como ela diz – com o “sangue da alma”. A sua fé sustentava essas pessoas.
Ela tinha essa determinação de não parar diante das dificuldades, era uma pessoa humanamente com um forte carisma pessoal.
Certa vez, Ginetta me mostrou a casa das Gen3 (as adolescentes do Movimento), dizendo-me: “Está vendo esta casa? Todo ano hospedamos mais de 30 adolescentes. Nós as ensinamos a dançar, ensinamos religião, ensinamos a trabalhar, ensinamos o que é uma família: depois de um ano elas vão embora, mas nenhuma delas vai mais terminar na rua”. Ao contar esse episódio no Paraguai, onde fui fazer uma conferência, uma pessoa me disse a propósito: “Enquanto Igreja, nós gastamos milhões e milhões de dólares para ajudar os pobres, mas sem resultado, porque somente os assistimos. Assim, ao invés, é a situação do homem que se transforma”.
Eis o que significa formar homens novos.

ALBERTO FERRUCCI
Focolarino casado, empresário, presidente da Associação Internacional por uma Economia de Comunhão (AIEC), diretor Responsável do Noticiário Economia de Comunhão

terça-feira, 31 de maio de 2011

COMEMORAÇÃO DOS 20 ANOS DA ECONOMIA DE COMUNHÃO

Ginetta Calliari, ao lado de Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares, deu a vida para que a Economia de Comunhão fincasse raízes.
Domingo passado, dia 29 de maio de 2011 – precedida por uma Assembléia de quatro dias, que contou com a presença de 650 empresários de 36 países dos cinco continentes – aconteceu uma Jornada com a participação de 1.600 pessoas, que lotaram o auditório Simon Bolívar, do Memorial da América Latina, em São Paulo.
Participaram do evento, empresários, trabalhadores, pesquisadores e estudantes de Economia, não só vindos de todas as regiões do Brasil, mas também de outros 14 países das Américas, da Ásia (Coreia e Filipinas), da África (Congo, Costa do Marfim, Quênia e Nigéria), bem como de 15 países da Europa Ocidental e Oriental. Todos reunidos no Brasil para celebrar os 20 anos da Economia de Comunhão (EdC), um projeto inovador lançado por Chiara Lubich exatamente no dia 29 de maio de 1991, em terras brasileiras, em resposta ao dramático quadro da desigualdade social materializado pela “coroa de espinhos” das favelas que circundam a floresta de arranha-céus da cidade de São Paulo.
Em 1991, quando Chiara Lubich visitou o Brasil, nosso país atravessava uma grave recessão econômica, com um índice de inflação que beirava os 500 por cento. Ao chegar a São Paulo, o impacto com as desigualdades sociais, visíveis pela extensão de favelas em discrepância com a selva de arranha-céus, inspirou-a a encontrar uma possível resposta para esse panorama dramático.
Em 29 de maio de 1991, diante de cerca de 650 pessoas do Movimento dos Focolares, reunidos na Mariápolis Araceli (hoje Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista, SP), Chiara lançou a idéia amadurecida ao longo daqueles dias: “(...) fazer surgir indústrias, empresas, cujo lucro deveria livremente “ser posto em comum” com o mesmo propósito da primitiva comunidade cristã: ajudar em primeiro lugar os necessitados, oferecer-lhes trabalho, fazer com que não haja pobre em nosso meio. Depois, o lucro servirá para desenvolver as empresas e as estruturas para formar ‘homens novos’, porque, sem ‘homens novos’, não se forma uma sociedade nova!”
"A profecia", que nestes vinte anos "faz-se história" – como dizia o título do evento – suscitou o interesse de personalidades civis e religiosas presentes no auditório, tais como: o bispo auxiliar Dom Milton Kenan Júnior, representando a Arquidiocese de São Paulo; o xeique Armando H. Saleh, da comunidade islâmica de São Paulo; o reverendo Takayuki Nagashima, presidente do movimento budista Rissho Kosei Kai no Brasil; o secretário Eduardo Jorge, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo; e Fernando Leça, presidente da Fundação do Memorial da América Latina.
A Jornada não foi somente uma solene celebração, mas foi realizada a partir da reflexão sobre a crise econômica internacional, com o intuito de lançar um olhar para o futuro.
Durante a manhã, o economista Rubens Ricupero, reitor da FEC-FAAP (Faculdade de Economia da Fundação Armando Álvares Penteado) e atual secretário geral da Unctad (United Natios Conference on Trade and Development), fez uma análise lúcida e crítica sobre a situação econômica mundial.
Ricupero apresentou um panorama paradoxal: as economias mais ricas (EUA, Europa e o Japão) ainda estão imersas na difícil fase de superação da crise, enquanto, graças às economias dos países emergentes (China, Índia, Brasil, México e Turquia), “a economia mundial mantêm uma tendência de crescimento, mesmo diante das dificuldades de uma expansão econômica acelerada”, esclarece o economista.
Em relação às raízes da crise econômica mundial, Ricupero teceu considerações sobre o problema ético que desembocou “no domínio das finanças sobre a economia”, um sistema financeiro “fora de controle”, que favorece “o acúmulo de riquezas sem limites” por parte de alguns especuladores, “como se não houvesse implicações sociais”, afirma. Assim, ele afirma que a percepção corrente é que "o mercado é como um Deus onipotente, onisciente, com auto-regulação".
A socióloga brasileira residente na Itália, Vera Araújo, falou sobre os efeitos da "mercantilização global" que gerou "novas patologias sociais" como “a solidão, a ansiedade, a depressão, a insegurança e o medo". A pesquisadora discorreu ainda sobre interdependência, ou seja, uma responsabilidade que "se transforme em um guia das ações"; e sobre uma cultura do individualismo e do utilitarismo que deve se encaminhar para "uma cultura de doação que gera comunhão," capaz de "transformar internamente as relações produtivas e as estruturas de produção”. Não é utopia, mas realidade. Isso é demonstrado por centenas de empresas ao redor do mundo inspiradas na Economia de Comunhão e que se encontram inseridas na economia de mercado com o objetivo de “não enriquecer sem medidas os seus proprietários, mas servir ao bem comum e ajudar a sanar as feridas causadas pela desigualdades sociais”, como declarou em sua mensagem Maria Voce, atual presidente dos Focolares. Ela ressaltou que a EdC é o testemunho de um novo caminho na Economia, ressalta Maria Voce, definindo-a como “um dos sinais de esperança".
Refletindo sobre o significado da EdC no atual contexto econômico e na sociedade global, o economista Stefano Zamagni reconhece nela "um caminho para aquela nova ordem social que encontramos na encíclica Caritas in Veritate de Bento XVI, na qual afirma que a fraternidade é condição para o desenvolvimento humano".
O evento foi encerrado com a apresentação das perspectivas para os próximos 20 anos, pelo economista Luigino Bruni. O pesquisador destacou novamente a urgência de que o capitalismo se transforme, tendo na comunhão e na fraternidade as chaves para esta mudança na direção de uma economia voltada para o bem da comunidade planetária.

terça-feira, 10 de maio de 2011

CHIARA LUBICH SOBRE GINETTA CALLIARI

Cerca de um mês após a morte de Ginetta, ocorrida em 8 de março de 2001, Chiara enviou a todos os membros do Movimento dos Focolares um pensamento sobre ela, que transcrevemos por ocasião do 10º ano da sua partida desta terra.


Rocca di Papa, 19 de abril de 2001

A unidade mais genuína
Caríssimos,

Parece realmente que Jesus não faz economia em oferecer modelos para nossa vida cristã, a todos nós e, principalmente, aos jovens. Ele os apresenta justamente nesta época tão escassa de modelos; quando muito, eles são procurados por caminhos errôneos.
Nestes últimos dias, estamos conhecendo muitos detalhes da vida de Ginetta. Alguns podem ser considerados extraordinários. No entanto, será necessário um livro inteiro para conhecê-la, ainda assim, apenas parcialmente.
Será possível identificar nesta sua riquíssima vida espiritual uma qualidade ou virtude que mais a caracterizou?
Sim: a unidade – eu creio –, a unidade mais genuína, correta, autêntica, perfeita, forte, sólida, vivida e realizada com o amor exclusivo e perseverante a Jesus Abandonado. Aquela unidade que a nossa espiritualidade comunitária nos ensina a viver, seguindo o modelo da Santíssima Trindade; aquela unidade com a qual, na medida das nossas possibilidades humanas, procuramos repetir o relacionamento entre o Pai celeste e o seu Filho, no Espírito Santo.
Desde o início da sua nova vida, a partir do seu encontro com o Ideal da unidade, Ginetta compreendeu que Deus nos doou um carisma e o ofereceu a todos por meio de um instrumento seu. Dessa convicção provinha a sua unidade total e incondicional com aquela que, de certo modo, representava a fonte desse carisma.
Ela não se apoiava em si mesma, não se voltou para si mesma, nem sequer para o que possuía de mais precioso, ou seja, a luz deste dom do qual ela também participava. Ginetta viveu como Jesus que, mesmo podendo chamar a atenção para si (Ele também era Deus, como o Pai), não o fez. Jesus “apagou-se” a si mesmo, digamos assim, orientando a todos para o Pai.
Ginetta anulou-se completamente a si mesma e, assim como Jesus Abandonado, que, reduzindo-se a nada, foi Mediador entre nós e o Pai, também ela tornou-se uma autêntica mediadora do carisma da unidade para muitos.
Ela abriu espaço ao carisma da unidade genuíno. Não lhe quis dar uma interpretação pessoal. Acolheu-o assim como ele jorrava da fonte. E colocou-se a seu serviço, vivendo-o e levando os outros a viverem-no. Daí deriva a autenticidade da sua vida, o segredo, o milagre, a capacidade de concretização e o fato de realizar obras completas. Por isso é reconhecida por unanimidade como co-fundadora daquela porção da Obra que é uma parte do mundo: o Brasil. 
Que agora, do Céu, ela nos ajude a viver assim!
Ginetta viveu unicamente para a glória de Deus. Ela foi puro serviço, serva, como Maria. Não temos nada de melhor a indicar para sabermos como agir neste próximo mês: viver o nosso Ideal, assim como o Espírito Santo nos doa por meio do instrumento escolhido por Ele. Porque assim foi Ginetta.
                                                                                Chiara

segunda-feira, 2 de maio de 2011

GINETTA A EMPRESÁRIOS E AGENTES DA EDC

Propomos a seguir trechos de dois discursos de Ginetta dirigidos a empresários e agentes da EdC, em 1994 e 1996, e que podem servir de orientação e inspiração também hoje, passados 20 anos do lançamento da iniciativa.

“Quando Chiara nos comunicou essas suas ideias fascinantes [a proposta da EdC], os nossos corações exultaram. Para nós, era como canto do Magnificat, qual Carta Magna da Doutrina Social da Igreja, que Maria, como guia da Sua Obra, proclamava para desencadear uma revolução de amor.
A adesão dos membros do Movimento foi imediata, entusiástica, comovente; dos ricos aos pobres, dos pequenos aos grandes… envolveu a todos, provocando um germinar de vida nova, de projetos a serem atuados, de ideias… uma certeza adamantina, inabalável, que saciou todas as aspirações .
Cada um sentiu-se tocado e lançou-se numa contribuição pessoal das mais variadas formas. Vimos acontecer, de modo surpreendente, uma comunhão de bens como a dos primeiros cristãos: dinheiro, jóias, terrenos, casas, disponibilidade de tempo e de trabalho, disponibilidade de mudanças de cidade, oferenda a Deus de sofrimentos e da própria vida. Também as crianças organizaram várias atividades a fim de recolher fundos, permitindo-lhes serem protagonistas neste projeto. Até mesmo os mais necessitados deram a própria contribuição, o que para alguns significava dar mensalmente 50 centavos, para outros uma galinha… Era o óbolo da viúva atraindo bênçãos do Céu.
O povo brasileiro, que Chiara considerava “magnífico, generoso, simples, pobre, mas que doa tudo, inteligente, criativo e solícito”, soube responder ao apelo!
Com o desejo ardente de concretizar imediatamente esta inspiração, iniciamos a procura de um terreno que tivesse todos os requisitos de uma região industrial, ou melhor, que tivesse principalmente a “vocação” para garantir, no futuro, um Pólo no qual as empresas, por estarem instaladas num mesmo local, pudessem testemunhar essa nova economia. Nós, os responsáveis pelo Movimento no Brasil, fomos em peregrinação a um santuário pedir a Nossa Senhora essa graça… Depois de muita procura, a 4 km da Mariápolis Araceli, encontramos uma área pronta para esta finalidade.

Partindo das palavras de Chiara: "Somos pequenos, pobres, mas muitos", estudou‑se a possibilidade de constituir uma Sociedade Anônima, da qual todos pudessem participar, mesmo com um capital mínimo. Surgiu, assim, a ESPRI S.A., graças à competência, à generosidade e ao esforço – com sacrifícios – da parte de muitos membros do Movimento que se sentiram chamados pessoalmente a colaborar e a levar adiante esse projeto divino, conscientes de tal responsabilidade.
As iniciativas eram numerosas, às vezes, minúsculas, mas alimentadas, sustentadas e encorajadas pelas palavras de Chiara.
Depois da experiência destes anos, podemos afirmar que a geografia de Deus não é a mesma dos homens, porque Deus, ao escolher o Brasil, conhecia a trágica situação econômica do País. Abrir empresas num contexto social como o nosso, no qual milhares de fábricas estão fechando por causa da crise econômica, é humanamente absurdo, é contra a lógica humana…
A “cidade terrena”, que é o Pólo Industrial, completa, na inspiração de Chiara, a “cidade celeste”, que é a Mariápolis, constituída das instalações de formação e de testemunho do Ideal da unidade. Essa “cidade terrena” revela uma economia que desce do Céu, do coração da Trindade; portanto, não pode levar em conta somente os raciocínios meramente humanos, pois Cristo quer que vivamos de fé: "Tudo é possível àquele que crê" (Mc 9,23).
Podemos ainda compará-la com uma medalha: de um lado, uma realização, que é o Pólo Industrial, que se apresenta a todos como um testemunho concreto do Ideal da unidade; do outro, Jesus Abandonado, cujo amor por parte dos agentes da EdC é a raiz escondida que tudo sustenta. A espessura da medalha são as múltiplas experiências feitas de alegrias e conquistas, mas também de suspensão, de temores, experiências essas todas substanciadas pela vivência da Palavra de Deus.
Mas é preciso que a EdC vá em frente, para que realmente não haja nenhum necessitado entre nós. Essa é a vocação à qual somos chamados, como membros da Obra de Maria: viver no século XX como a primeira comunidade cristã de Jerusalém vivia. A nossa missão não se restringe a um trabalho de assistência aos pobres; somos chamados à comunhão, a partilhar tudo, como numa família.
Portanto, hoje, mais do que nunca, o futuro da EdC depende de cada um de vocês, empresários da comunhão na liberdade.
Não posso concluir essa minha exposição sem citar as palavras de Chiara: “O que fazer? Desanimar diante de um desafio tão grande? Com certeza, não. A Palavra de Vida nos diz: “Não temas, crê somente”. É isso que peço a mim mesma e a todos vocês: não temamos, continuemos a acreditar. Assim como Deus deu coragem àqueles que se comprometeram até agora, continuará a dá-la a muitos outros que talvez estejam esperando apenas por um impulso para lançarem-se nessa maravilhosa aventura.
Embora não nos sintamos capacitados, a fé em Deus fará com que ele manifeste a sua potência levando a Economia de Comunhão a um desenvolvimento inimaginável”.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

GINETTA E A “ECONOMIA DE COMUNHÃO NA LIBERDADE”

Aproximando-se a Jornada da EdC ─ que acontecerá no dia 29 de maio próximo, na cidade de São Paulo, no Memorial da América Latina ─ reportamos um artigo do Boletim nº 4, que menciona a relação de Ginetta com essa realidade.

Vinte anos atrás, Chiara Lubich lançou, no Brasil, a idéia da “Economia de comunhão na Liberdade” (EdC). Mais precisamente, no dia 29 de maio de 1991. Local: auditório da Mariápolis Araceli, hoje Mariápolis Ginetta.
Muitas das 250 mil pessoas que até então haviam aderido ao Movimento dos Focolares no País, apesar da comunhão de bens praticada já desde primórdios deste, viviam numa situação de pobreza. Nasceu, assim, em Chiara uma idéia que se revelou extraordinariamente inovadora: criar empresas dirigidas por pessoas dispostas a colocar o lucro em comum, livremente. Uma “Economia de Comunhão na liberdade”. Desse lucro, uma parte seria usada para ajudar quem passa necessidades; outra parte, para incrementar a própria empresa; e a terceira parte, para desenvolver estruturas de formação de “homens novos” – expressão evangélica, indicando pessoas imbuídas do espírito de comunhão e fraternidade, premissa determinante para criar uma sociedade renovada. 
Para Ginetta, o lançamento do projeto EdC foi a resposta de Deus às expectativas da Obra de Maria, ou Movimento dos Focolares, no Brasil. De fato, ela e os demais dirigentes do Movimento sempre tiveram a convicção de que, se fossem fiéis ao Ideal da unidade, Deus iria mostrar o caminho que poderia solucionar também estruturalmente o problema social no Brasil.
Ginetta identificou logo a EdC – justamente por ser fruto do carisma que Deus havia dado a Chiara – como esse caminho. Desde então, ela se dedicou incansavelmente para que o projeto “decolasse” e, com a sua fé singular, estimulava os empresários que haviam aderido ao projeto, contagiando-os com a sua certeza de que se tratava de um projeto de Deus e não dos homens e que, portanto, valia a pena arriscar tudo por ele.
Vamos percorrer algumas etapas da vida de Ginetta que nos levam a perceber o anseio de justiça característico de sua vida e que prepararam a sua alma para o protagonismo na concretização da EdC no Brasil.
Nos boletins anteriores já foi citado o episódio da fuga de Ginetta e de sua irmã Gis da propriedade de uma família nobre, na província de Veneza – onde trabalhavam e da qual os proprietários queriam fazê-las herdeiras –, fuga essa em sinal de não conivência com a situação de injustiça que presenciaram no trato dos empregados.
Em 1944, ela encantou-se e sentiu-se atraída pela experiência, contada a ela por Gis, da comunhão que Chiara e suas primeiras companheiras faziam de roupas que consideravam a mais do que o necessário, em prol das pessoas carentes. Diante desse episódio, Ginetta comentou: “Que extraordinário! Isso mudará o mundo!”
Pensando na personalidade sensível à justiça social, de Ginetta, é significativo o fato que Chiara tenha confiado justamente a ela a leitura de uma carta sua à primeira comunidade do Movimento, na cidade de Trento, a partir da qual teve início a comunhão de bens que caracterizaria até hoje a vida dos membros do Movimento.
Em novembro de 1959 – como já tivemos a oportunidade de mencionar nos números anteriores –, ao se despedir do grupo de focolarinos que viajavam para o Brasil a fim de abrir os primeiros focolares, Chiara entregou simbolicamente a Ginetta o Crucifixo vivo, Jesus Abandonado. Chiara dizia: “Você o apresentará ao povo brasileiro e verá a resposta!”.
Chegando a Recife – Ginetta mesma conta – “foi um choque constatar a desigualdade social, a discriminação, a fome que transparecia nos rostos”. Era o encontro face a face com o Crucifixo vivo. Disse, então, a si mesma: “Aqui não dá para permanecer passivo. Alguma coisa precisa mudar. O quê? O ser humano”. E concluiu: “É preciso homens novos, com uma mentalidade nova, de modo que surjam estruturas novas e, de conseqüência, cidades novas, um povo novo!”
Foi o amor ao Crucifixo vivo, identificado nas pessoas marcadas por todo tipo de sofrimento, que pautou a vida e a ação de Ginetta e dos membros do Movimento desde aquela época, inspirando inúmeras iniciativas de cunho social com o objetivo de contribuir na resolução da situação de miséria de muitas pessoas nas várias regiões onde viviam.
Mas conforme a indicação de Chiara, nunca se tratou somente de dar o pão a quem tinha fome, mas de formar pessoas imbuídas da cultura do Evangelho, que convida a dar, a partilhar e, por conseguinte, a experimentar a realização da promessa de Jesus: “Buscai antes de tudo o Reino de Deus e sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mt 6,33)”.
Chiara foi conhecendo a realidade dos vários países onde o Movimento estava lançando raízes e constatou as características que a concretização do Ideal ia tomando em cada região. Numa leitura da história e da sociedade à luz do Ideal da unidade, ela imaginou que a resposta que o Ideal da unidade poderia dar à América Latina seria a harmonia dos relacionamentos sociais. De fato, o amor evangélico vivido nesses países deveria levar à fraternidade humana e, portanto, à justiça social.
Na década de 1970 e 1980, quando fervilhavam na América Latina os movimentos sociais, tendo diante de si todas as pessoas dos Focolares que tiveram a própria vida transformada pelo Ideal da unidade – inclusive muitas provenientes das favelas – , Ginetta teve a idéia de organizar um livro que recolhesse todas essas experiências. O livro trazia como título O Evangelho força dos pobres (traduzido em italiano, holandês e espanhol) e adotado inclusive como livro-texto em algumas escolas. Foi um sucesso e suscitou logo outro: O Evangelho no dia–a-dia, seguido de um terceiro, Quando o Evangelho entra na família.
          Em 1991, Chiara veio ao Brasil. No dia de sua chegada, anotou no seu diário haver entendido que a sua vinda ao Brasil tinha o significado de agradecimento pelo amor e pela fidelidade superlativos de Ginetta ao carisma da unidade, causa principal das realizações maravilhosas que ela havia constatado. E intuía que algo de grande haveria de acontecer naqueles dias da sua permanência.
          Durante sua estada na Mariápolis, Chiara apresentou a proposta de uma iniciativa que imediatamente recebeu o nome de Economia de Comunhão na Liberdade.
          A idéia, inspiração genial, estava lançada; tratava-se de concretizá-la. Por onde começar? Pautando-se nas palavras de Chiara, Ginetta e os dirigentes do Movimento no Brasil reuniram-se para encontrar caminhos de atuação e traçar metas. De modo especial, a implantação do Pólo Empresarial Spartaco, pioneiro na concretização da idéia de Chiara, requeria esforços, recursos, idéias e, especialmente, muita fé. O Brasil atravessava um período de recessão econômica; muitos estabelecimentos estavam fechando, e os membros do Movimento eram convidados a abrir empresas!
Com a sua típica fé em Deus e em unidade profunda com Chiara, Ginetta ajudou moral e espiritualmente não só empresários, mas também funcionários e acionistas, não deixando que a chama da EdC se apagasse no coração de ninguém. Ela olhava para frente, sabia que o projeto era uma inspiração de Deus dada a Chiara; portanto, os obstáculos que apareciam pelo caminho seriam trampolins para passos ainda mais decididos: quantas experiências de leis que [KB1] mudavam e de novas receitas financeiras, viabilizando o prosseguimento da iniciativa. Profissionais e até famílias inteiras, impulsionados pela fé que Ginetta tinha, mudavam-se de suas cidades para trabalharem pela EdC.   

Os pioneiros da implantação da iniciativa[KB2]  no Brasil testemunham:
«Ginetta deu a própria vida em cada acontecimento, a cada passo da concretização da EdC e do Pólo Spartaco. Em cada etapa, foi ela a impulsionar-nos, a encorajar-nos em cada dificuldade; era a bússola que nos orientava, a maior intérprete dessa esplêndida proposta de Chiara.»
Ricardo Caiuby, ex-presidente da ESPRI

«Ela foi a luz que sempre nos recolocou no caminho certo e infundiu em nós a coragem de que precisávamos. Graças a ela fomos sempre para frente.»
João Carlos Pompermayer, Diretor Técnico da ESPRI

«Meditando sobre a vida que acontece ali no Pólo Spartaco, vejo-o como um solo sagrado. Lembro-me de modo especial de Ginetta, e sinto que também eu devo, como ela, amar a totalidade desse campo sagrado, com suas pedras, com seus espinhos e seus espaços de terra fértil. Assim sinto também eu “o sangue da minha alma sendo derramado” para que todas as experiências vividas ali possam ser resgatadas pelo meu amor.»
Rodolfo Leibholz – FEMAQ

«A proposta da EdC caiu em um solo fértil porque Ginetta havia já preparado o terreno por tantos anos, através do amor pelo povo brasileiro.»
Roseli e Armando Tortelli, empresários, Prodiet

«Quando Chiara lançou a idéia da EdC Ginetta me disse: “A Chiara não se responde com palavras bonitas mas com fatos. O que você pretende fazer diante dessa proposta?”. Entendi que deveria colocar as minhas forças a serviço. Alguns dias depois assumi a direção da Escola Aurora.»
Ana Maria N. Correa – Centro Educacional Aurora

«Ela acreditou nesse projeto e em cada um de nós, fortificou-nos, potencializou-nos e levou-nos a acreditar junto com ela.»
Ercília Fiorelli, empresária

«Eu me lembro que, depois de um Congresso da EdC, em 1998, encontramo-nos com ela, e veio-me uma inspiração muito grande: abrir outra empresa no Pólo Spartaco. Em particular, tocaram-me as palavras de Ginetta : “Os pobres não podem esperar”.»
Augusto Lima Neto, empresário
Ecoar, Allman e AVN

«Em uma ocasião Ginetta me disse: “Viver é um risco; para concretizar as obras de Deus é preciso coragem e ousadia»
Darlene Bonfim – Policlínica Ágape

E François Neveux, empresário francês da KNE-Rotogine, hoje já no Paraíso:
«Com ela, todos os momentos tornavam-se momentos de “construção”. Ginetta é uma focolarina modelo, que escutou enormemente Chiara, que doou toda a sua vida pelo Movimento e que é a alma do Movimento. É come se eu tivesse Chiara diante de mim. Ela sentiu imediatamente que Deus me havia escolhido para a Economia de Comunhão, e me disse diretamente: “Tudo o que você está me contando, tudo o que você faz, tudo o que eu vejo, é Espírito Santo”.  Eu acreditei nisso imediatamente. Existia um perfeito acordo entre nós. Tudo o que ela me dizia eu compreendia perfeitamente, e tudo o que eu lhe dizia ela compreendia perfeitamente.»


 [KB1]Que eu sabia essas mudanças de leis não forma repentinas, mas fruto de muita articulação!!!

 [KB2]A rigor a EdC não é projeto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

ALGUMAS ETAPAS DA VIDA DE GINETTA

Ginetta Calliari nasceu em Trento, norte da Itália, em 15 de outubro de 1918.
Em 1944 conheceu Chiara Lubich, fundadora e presidente do Movimento dos Focolares, e tornou-se uma de suas primeiras companheiras.
Em novembro de 1959, Ginetta desembarcou no porto de Recife. Com ela, vieram outras três focolarinas e quatro focolarinos, que iriam iniciar no Brasil os dois primeiros centros do Movimento para além das fronteiras européias.

Após uma permanência de cinco anos no Nordeste, Ginetta foi para a cidade de São Paulo e, em 1969, para o município de Vargem Grande Paulista, de onde, durante cerca de trinta anos, acompanhou pessoalmente a fundação de outros centros de irradiação do Movimento dos Focolares no Brasil: em Brasília, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Maceió, São Luís e, passo a passo, o desenvolvimento da Mariápolis Ginetta, sede nacional dos Focolares.
A Mariápolis Ginetta (que tem hoje cerca de 300 habitantes) é uma das 30 cidadezinhas-testemunho do Movimento: esboço de uma sociedade nova, expressão de liberdade e igualdade, de unidade.
A Mariápolis tornou-se espaço de diálogo: entre católicos, entre cristãos de várias denominações, com fiéis de outras religiões e pessoas que, mesmo sem um referencial religioso, buscam a vivência de valores universais.
A ideal de unidade tem reflexos também no tecido social, nos setores da educação, da saúde, da política, da arte, da promoção humana, etc. Em todo o Brasil estão em andamento centenas de projetos sociais, animados pelo Movimento dos Focolares.
Vamos percorrer algumas etapas da vida de Ginetta que nos levam a perceber o anseio de justiça característico de sua vida e que prepararam a sua alma para o protagonismo na concretização da EdC no Brasil.
Em 1944, ela encantou-se com uma experiência, contada por sua irmã mais nova, Gisella, sobre a comunhão que Chiara e suas primeiras companheiras faziam de roupas que consideravam a mais do que o necessário, em prol das pessoas carentes. Diante desse episódio, Ginetta comentou: “Que extraordinário! Isso mudará o mundo!”
Em novembro de 1959, ao se despedir do grupo de focolarinos que viajavam para o Brasil a fim de abrir os primeiros focolares, Chiara entregou simbolicamente a Ginetta o Crucifixo vivo, Jesus Abandonado. Chiara dizia: “Você o apresentará ao povo brasileiro e verá a resposta!”. Chegando a Recife – Ginetta mesma conta – “foi um choque constatar a desigualdade social, a discriminação, a fome que transparecia nos rostos”. Era o encontro face a face com o Crucifixo vivo. Disse, então, a si mesma: “Aqui não dá para permanecer passivo. Alguma coisa precisa mudar. O que precisa mudar? O ser humano”. E concluiu: “É preciso homens novos, com uma mentalidade nova, de modo que surjam estruturas novas e, de conseqüência, cidades novas, um povo novo!”
Foi o amor ao Crucifixo vivo, identificado nas pessoas marcadas por todo tipo de sofrimento, que pautou a vida e a ação de Ginetta e dos membros do Movimento desde aquela época, inspirando inúmeras iniciativas de cunho social com o objetivo de contribuir na resolução da situação de miséria de muitas pessoas nas várias regiões onde viviam.
Na década de 1970 e 1980, quando fervilhavam na América Latina os movimentos sociais, tendo diante de si todas as pessoas dos Focolares que tiveram a própria vida transformada pelo Ideal da unidade – inclusive várias provenientes das favelas – Ginetta teve a idéia de organizar um livro que recolhesse todas essas experiências. O livro trazia como título “O Evangelho força dos pobres” (traduzido em italiano, holandês e espanhol) e adotado inclusive como livro-texto em algumas escolas. Foi um sucesso, e suscitou logo outro: “O Evangelho no dia–a-dia”, seguido de um terceiro, “Quando o Evangelho entra na família”.
Em 1991, Chiara Lubich, a fundadora do Movimento dos Focolares, veio ao Brasil, a Vargem Grande Paulista, onde a Mariápolis se localiza. Ela lançou, para todo o país, a idéia da “Economia de comunhão na Liberdade” (EdC). Mais precisamente, no dia 29 de maio de 1991. Local: auditório da Mariápolis Araceli, hoje Mariápolis Ginetta.
No projeto EdC se articulam em harmonia princípios sociais e econômicos nunca antes justapostos: economia, solidariedade e liberdade. A novidade está na distribuição do lucro, que é dividido em três partes: para o re-investimento na própria empresa; para ir ao encontro dos necessitados; para a formação de pessoas com uma mentalidade aberta à “cultura da partilha”.
A participação de Ginetta Calliari na sua concretização foi determinante, pela sua adesão imediata à proposta e pela sua profunda convicção de que ali estava uma resposta à complexa problemática social.
A idéia, inspiração genial, estava lançada; tratava-se de concretizá-la. Por onde começar? Pautando-se nas palavras de Chiara, Ginetta e os dirigentes do Movimento no Brasil reuniram-se para encontrar caminhos de atuação e traçar metas. De modo especial, a implantação do Pólo Empresarial Spartaco, pioneiro na concretização da idéia de Chiara, requeria esforços, recursos, idéias e, especialmente, muita fé. O Brasil atravessava um período de recessão econômica; muitos estabelecimentos estavam fechando, e os membros do Movimento eram convidados a abrir empresas!
Ginetta desempenhou um papel pioneiro na implantação do Pólo Empresarial Spartaco, a 4 km da Mariápolis Ginetta. Atualmente estão em funcionamento no pólo seis empresas da EdC. No mundo inteiro, são mais de 700 empresas e atividades produtivas, das quais 100 no Brasil.
Com a sua típica fé em Deus, Ginetta ajudou moral e espiritualmente não só empresários, mas também funcionários e acionistas, não deixando que a chama da EdC se apagasse no coração de ninguém. Ela olhava para frente, sabia que o projeto era uma inspiração de Deus; portanto, os obstáculos que apareciam pelo caminho seriam trampolins para passos ainda mais decididos: quantas experiências de leis que mudavam e de novas receitas financeiras, viabilizando o prosseguimento da iniciativa. Profissionais e até famílias inteiras, impulsionados pela fé que Ginetta tinha, mudavam-se de suas cidades para trabalharem pela EdC.
Em 1996 nasceu o Movimento Político pela Unidade, que vem se desenvolvendo também no Brasil: reúne políticos de diferentes partidos e ideologias que, antes de tudo, acreditam nos valores profundos e eternos do homem e, inspirados neles, atuam na política. Não se trata de um novo partido político. É o método da política que é transformado: mesmo permanecendo fiel às próprias aspirações autênticas, o político da unidade ama a todos, buscando aquilo que une.
Em maio de 1997, Ginetta recebeu na Mariápolis o então vice-presidente da República, Dr. Marco Maciel.
Em 1998, representando Chiara Lubich, ela proferiu um discurso na Câmara dos Deputados em Brasília: “O Movimento dos Focolares nos seus aspectos políticos e sociais”.
Em 1999, Ginetta acolheu na Mariápolis os parlamentares da Comissão Mista para o Combate e a Erradicação da Pobreza no Brasil. Eles visitaram a Mariápolis e o Pólo Spartaco pra conhecerem o projeto da EdC.


À distância de 10 anos da morte de Ginetta e 20 anos do lançamento do projeto Economia de Comunhão (EdC), lembramos esses dois eventos na profunda ligação que têm entre si.
Nas últimas palavras antes de morrer, Ginetta recordava a frase das Escrituras que, ao longo de sua vida, a ouvimos repetir em várias situações: “Sem derramamento de sangue não há redenção”.
Em outra ocasião, respondendo a alguém que lhe tinha perguntado sobre o andamento da EdC, Ginetta exclamou “É sangue da alma!” É a profunda convicção da verdade contida na lógica do Evangelho: é da morte que nasce a vida, é morrendo na terra que o grão de trigo produz frutos! Essa certeza sempre acompanhou Ginetta em tudo o que fez e viveu.