terça-feira, 15 de março de 2011

APRECIAÇÃO SOBRE O NOVO LIVRO DE GINETTA CALLIARI



Acabo de ler a profunda, singela e doce obra "GINETTA - FATOS QUE AINDA NÃO CONTEI", na qual a própria protagonista relata, no estilo autobiografia, fatos que merecem ser conhecidos por aqueles que com ela conviveram e também por tantos que sequer a conheceram.
Primeiro, sugiro a todos que com ela conviveram que venham saborear fatos e episódios do cotidiano da infância, adolescência e da vida adulta de Ginetta, os quais demonstram que, muito além do temperamento e das características pessoais de cada um, há um forte apelo que Deus nos faz em dado momento da vida, ocasião em que tudo passa a ser secundário. Basta a Sua vontade. É o decisivo "vem e segue-me" que, de certa forma, Ele dirige a cada ser humano; é preciso, no entanto, ter a sensibilidade para ouvi-Lo, e, seguindo-o, encontrar a felicidade nesta vida. Felicidade que, aliás, a própria Ginetta relata a sua ansiosa busca e como a encontrou.
Para aqueles que não conheceram Ginetta, indico igualmente a leitura da obra, pois, num mar de situações que poderiam parecer a mera rotina do cotidiano, descobre-se Deus que intervém  na história dos homens de boa vontade.  Descobre-se, acima de tudo, que a vida é simples, e na sua simplicidade e essencialidade Deus se revela como Amor, e, segui-Lo, significa reproduzir a intensidade desse Amor em relacionamentos fraternos, a grandiosidade dessa obra-prima que é o homem, o esplendor e a oportunidade única que é "viver",  a maravilha incomparável que é o mundo, a criação, a criatura..
Um agradecimento fica, por justiça, à organizadora da obra, Sandra Ferreira Ribeiro, que soube compilar com equilíbrio, harmonia, articulação e sentido humano-divino, os escritos deixados como testamento por Ginetta Calliari. 
Munir Cury

quinta-feira, 10 de março de 2011

HOMENAGEM A GINETTA CALLIARI em 7.3.2011

Dia 7 de março, segunda-feira passada, comemoramos os 10 anos da chegada de Ginetta à casa do Pai. A Mariápolis Ginetta estava em festa! A missa das 18:30, na igreja de Jesus Eucaristia, foi celebrada pelo arcebispo de Sorocaba, D. Eduardo Benes, com uma  homilia profunda, na qual evidenciava a figura de Ginetta como cristã coerente.  Estavam presentes o nosso prefeito de Vargem Grande Paulista, Roberto Rocha e esposa, o vice-prefeito Prof. Carlos e esposa, bem como uma delegação da Rissho-Kossei-Kai de São Paulo, que transmitiu uma rica mensagem do Reverendo Nagashima durante a programção das 20:30, no auditório do Centro Mariápolis, que ficou repleto. Intercalaram-se testemunhos, números artísticos, relatos, para relembrar a figura de Ginetta, tão significativa para a história do Movimento dos Focolares no Brasil. As cerca de 300 pessoas presentes saíram dali com novo ardor na vivência do cristianismo e do Ideal da Unidade, a exemplo de Ginetta.  

Chiara sobre Ginetta
Reportamos uma mensagem que Chiara Lubich enviou a todos os membros do Movimento dos Focolares espalhados em todas os cantos do planeta, cerca de um mês após a morte de Ginetta, ocorrida em 8 de março de 2001. É um pensamento sobre ela, que transcrevemos para recordar o 10º ano da sua partida desta terra e para nos estimularmos a seguir o seu exemplo.



Rocca di Papa, 19 de abril de 2001

A unidade mais genuína
Caríssimos,

Parece realmente que Jesus não faz economia em oferecer modelos para nossa vida cristã, a todos nós e, principalmente, aos jovens. Ele os apresenta justamente nesta época tão escassa de modelos; quando muito, eles são procurados por caminhos errôneos.
Nestes últimos dias, estamos conhecendo muitos detalhes da vida de Ginetta. Alguns podem ser considerados extraordinários. No entanto, será necessário um livro inteiro para conhecê-la, ainda assim, apenas parcialmente.
Será possível identificar nesta sua riquíssima vida espiritual uma qualidade ou virtude que mais a caracterizou?
Sim: a unidade – eu creio –, a unidade mais genuína, correta, autêntica, perfeita, forte, sólida, vivida e realizada com o amor exclusivo e perseverante a Jesus Abandonado. Aquela unidade que a nossa espiritualidade comunitária nos ensina a viver, seguindo o modelo da Santíssima Trindade; aquela unidade com a qual, na medida das nossas possibilidades humanas, procuramos repetir o relacionamento entre o Pai celeste e o seu Filho, no Espírito Santo.
Desde o início da sua nova vida, a partir do seu encontro com o Ideal da unidade, Ginetta compreendeu que Deus nos doou um carisma e o ofereceu a todos por meio de um instrumento seu. Dessa convicção provinha a sua unidade total e incondicional com aquela que, de certo modo, representava a fonte desse carisma.
Ela não se apoiava em si mesma, não se voltou para si mesma, nem sequer para o que possuía de mais precioso, ou seja, a luz deste dom do qual ela também participava. Ginetta viveu como Jesus que, mesmo podendo chamar a atenção para si (Ele também era Deus, como o Pai), não o fez. Jesus “apagou-se” a si mesmo, digamos assim, orientando a todos para o Pai.
Ginetta anulou-se completamente a si mesma e, assim como Jesus Abandonado, que, reduzindo-se a nada, foi Mediador entre nós e o Pai, também ela tornou-se uma autêntica mediadora do carisma da unidade para muitos.
Ela abriu espaço ao carisma da unidade genuíno. Não lhe quis dar uma interpretação pessoal. Acolheu-o assim como ele jorrava da fonte. E colocou-se a seu serviço, vivendo-o e levando os outros a viverem-no. Daí deriva a autenticidade da sua vida, o segredo, o milagre, a capacidade de concretização e o fato de realizar obras completas. Por isso é reconhecida por unanimidade como co-fundadora daquela porção da Obra que é uma parte do mundo: o Brasil. 
Que agora, do Céu, ela nos ajude a viver assim!
Ginetta viveu unicamente para a glória de Deus. Ela foi puro serviço, serva, como Maria. Não temos nada de melhor a indicar para sabermos como agir neste próximo mês: viver o nosso Ideal, assim como o Espírito Santo nos doa por meio do instrumento escolhido por Ele. Porque assim foi Ginetta.
                                                                                Chiara

quinta-feira, 3 de março de 2011

FESTA NO CÉU: DEZ ANOS DA 'CHEGADA' DE GINETTA

No dia 8 de março, comemoramos 10 anos do falecimento de Ginetta Calliari. Justamente no Dia da Mulher temos um exemplo de vida maravilhoso na sua pessoa e na caminhada de vida que fez dela um modelo a ser imitado. Que Ginetta, da Mariápolis Celeste, nos incite a fazer da nossa vida um farol, luz para o mundo, sal da terra.
Para lembrá-la, publicamos a segunda parte do testemunho de Danilo Zanzucchi. A primeira parte foi publicada no Boletim nº 4, já à disposição.

Já fazia algum tempo que Ginetta estava pensando em construir na Araceli uma ou mais casas para uma escola de famílias, seguindo o exemplo da Escola Loreto, em Loppiano. Ela havia até mencionado isso a Chiara, na sua visita recente. Aproveitou desse encontro dos focolarinos casados para propor-lhes o projeto, que foi aprovado por unanimidade com aplausos clamorosos.
Ginetta – sempre limitada à sua poltrona – havia telefonado a Chiara, que expressou seu contentamento por essa iniciativa.
Assim, sob um sol forte e um céu azul intenso, no dia 20 de fevereiro, uma procissão de focolarinos e famílias se dirigiu ao terreno, perto do Centro Mariápolis. Foi lida uma mensagem muito bonita de Ginetta: “Somente quando é Deus quem constrói, não trabalhamos em vão”. Ao som da canção “Magnificat” foram depositadas as medalhinhas no terreno. Uma experiência de fé, sentida profundamente e muito participada.

Naqueles dias, num outro encontro com Ginetta, falamos sobre os seus primeiros tempos em Trento, quando ela trabalhava com Aldo Gadotti, seu chefe, que era um tipo cético quanto à religião.
Um dia, ela se apresentou a Aldo para pedir demissão do trabalho e perguntar se poderia ser substituída por outra focolarina. Depois, convidou-o a ir ao focolare. Foi então que Ginetta teve a oportunidade de lhe falar sobre a ação social que as primeiras focolarinas estavam realizando em Trento. A essa altura Aldo deu-lhes todo o dinheiro que trazia consigo. Mas o que Ginetta queria mesmo era lhe falar do Ideal, que foi o que aconteceu na segunda vez em que Aldo foi ao focolare de Trento.
A conseqüência dessa “história do Ideal” foi uma longa confissão de Aldo, que arrancou lágrimas também do confessor. Ouvindo essa narração é espontâneo pensar no relacionamento direto de Ginetta com Jesus. Toda a sua existência é com Ele.

No final de janeiro passado (de 2001) estivemos novamente na Araceli, para encontros com as famílias da Obra. Tivemos oportunidade de estar com Ginetta umas cinco vezes. Nós a encontramos muito bem, após o período doloroso da doença, que no ano anterior a tinha deixado à beira da morte.
No dia seguinte à nossa chegada na Araceli, Ginetta já nos convidou para o almoço num restaurante fora da Mariápolis, imerso no verde tropical dessas florestas estupendas.
Parecia-nos um milagre vê-la à mesa conosco, em plena forma. Imediatamente estabeleceu-se uma unidade especial; contávamos experiências profundas do Ideal, com naturalidade e alegria, como entre irmãos e irmãs. Um dom imenso. Tínhamos a impressão de estar com uma grande santa. Lembrávamos os dias do nosso encontro com o Ideal em Milão, em Parma, do relacionamento de Ginetta com a nossa Chiaretta, os acontecimentos dolorosos da Obra na década de Cinqüenta. Ginetta dizia entrever um desígnio de Deus sobre nós e a nossa família.
 No dia seguinte fomos à missa na capelinha de sua casa. Oração intensa. Após a missa ela leu o agradecimento, as orações da visita ao Santíssimo, o exame de consciência simples, profundo. A seguir, passamos ao seu escritório, ao lado da capela. Continuamos uma comunhão profunda das nossas experiências de Jesus em meio, numa atmosfera simples, bela, lembrando também fatos divertidos.
Houve ainda outros encontros, nos dias seguintes. Ginetta vivia numa espécie de retiro, não participava dos encontros da Mariápolis, mas na verdade era a alma de tudo.
Numa tarde ela quis cumprimentar os focolarinos casados que realizavam um encontro. Eram cerca de cem, de todo o Brasil. Ginetta conhecia muitos deles. E não acabava mais de cumprimentá-los, um a um, com palavras de encorajamento. É difícil descrever o clima de grande unidade que se criou ao seu redor.
Antes de deixarmos a Araceli, ela nos convidou ainda para o almoço.
Agradeceu-nos por termos estado lá, como representantes de Foco.
Em seguida, na missa, numa atmosfera de alegria, confiamos a Jesus e a Maria o fruto dessa viagem.
No momento da nossa partida, Ginetta desceu até o jardim e fez questão de nos cumprimentar, saudando-nos até o carro partir para o aeroporto. Conservamos na alma o amor daquela despedida.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

EM DIREÇÃO À SOCIEDADE DO SER

Trechos do discurso do Senador Marco Maciel, ex-vice-presidente da República, ao Senado Federal Brasileiro em 24 de agosto de 2007, logo após a inauguração do Pólo Empresarial Ginetta, no Nordeste do Brasil.

Senhoras e Senhores Senadores,
Hoje estou aqui para falar sobre o Movimento dos Focolares, nascido na Itália durante a Segunda Guerra Mundial de um grupo de moças ao redor de Chiara Lubich. E chegou ao Brasil, em Recife, em 1959.
Então, no início da década de 60, encontrei um estudante universitário desse Movimento, que hoje está presente em 183 países, com mais de 4 milhões de aderentes, dos quais 250.000 no Brasil. Dentre as suas atividades, existe a edificação das Mariápolis, pequenas cidades nas quais os habitantes procuram viver segundo o espírito cristão, nas quais os jovens podem passar as férias ou participar de atividades de voluntariado (...). No Brasil existem três mariápolis permanentes: em São Paulo, no Pernambuco e no Pará.
 
Ao lado delas, nascem os Pólos Empresariais para empresas de pequeno ou médio porte, animadas pelo espírito da Economia de Comunhão (EdC), que tem por objetivo gerar uma cultura da solidariedade, fazer crescer a empresa e ajudar os necessitados. A Economia de Comunhão destina os lucros aos empresários, aos operários
e aos pobres internos e externos à Mariápolis, prevê um tratamento igualitário para os trabalhadores da empresa, um relacionamento correto com a concorrência e um maior respeito pelo meio ambiente.
(...) O primeiro Pólo Empresarial nasceu em São Paulo, seguido de outros na Argentina e na Itália. Agora, na primeira Mariápolis das Américas houve a inauguração, em Igarassu, do seu Pólo Ginetta, em homenagem a Ginetta Calliari, a pioneira italiana que trouxe o Movimento dos Focolares ao Brasil.

(...) Sr. Presidente, o Estado de Pernambuco está feliz por ter sido o primeiro na América a acolher o Movimento dos Focolares e de ter em Igarassu uma Mariápolis e, agora, um Pólo da Economia de Comunhão. (...)
Tudo isso num clima de fraternidade capaz de distribuir renda e superar a luta de classe, e com uma repercussão internacional, demonstrada pelos prêmios conferidos a Chiara Lubich na Europa e nos Estados Unidos, como o recente prêmio UNESCO.
(...) Concluo, Sr. Presidente, exprimindo a minha convicção, mais do que isso, a minha certeza de que experiências como a Economia de Comunhão sejam uma das estradas pelas quais poderemos passar da sociedade do ter à sociedade do ser. Isto é, ser mais do que ter.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ELE NOS ACOMPANHOU ATÉ O FIM DA VIAGEM

Trecho extraído do livro “Ginetta. Uma vida pelo Ideal da Unidade”.

Antes, eu nunca me tinha preocupado com o mar. Quando Chiara me disse que eu levaria a espiritualidade a outro continente e que viria para o Brasil, me dei conta de que, para chegar até o Brasil teria de tomar o navio ou o avião. Tinha um medo terrível de água por causa de uma experiência que fiz quando era menina: fomos passear nas montanhas, e ali havia um lago. Os meninos entraram num barco, e eu entrei com eles. Mas esses meninos eram tão inconseqüentes que, a um dado momento, se jogavam todos de um lado. Eu tinha a impressão de que ia entrar água no barco. Morria de medo, o tempo todo. Quando saí daquele barco percebi que ainda estava viva, disse a mim mesma: Nunca mais entrarei num barco.
E atravessei o mar para chegar até o Brasil! Deus aproveita de tudo para se apresentar, e Ele se apresenta também como dificuldade. Para mim, a água era uma dificuldade; eu tinha um medo terrível da água.
Na Itália, sempre viajávamos por terra. E, com Chiara, queríamos sempre deixar a marca de Jesus e de Maria em todos os lugares, queríamos cobrir a Itália de ave-marias. E entrei num acordo com Nossa Senhora para deixara marca dela no mar, queria deixar a marca de Jesus e de Maria na água, porque acho que ninguém se lembra, ninguém faz isso.
(...)
Partimos do porto de Gênova. Assim que entramos no navio, começou a tempestade, e essa nos acompanhou por doze dias, até o Recife. Os tripulantes diziam que era a primeira vez que eles viajavam com um mar tão agitado! Fiore e Marisa sempre ficavam deitadas; estavam passando mal, sofriam de enjôo. Violetta e eu, felizmente, não sofríamos disso e pudemos nos colocar a serviço delas. Naturalmente, foi como nos encontrar diante do Crucifixo vivo. Ele veio nos visitar e nos acompanhou até o fim da viagem. (...) Mas posso dizer que não nos faltava nada, porque Ele estava ao nosso lado. (...)
Tínhamos também conosco Jesus Eucaristia, em uma capelinha. Portanto, saber que tínhamos até Jesus Eucaristia, que viajava conosco, era uma coisa que é preciso experimentar para entender a que ponto chega o amor de um Deus!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

NOVIDADE EDITORIAL


A Editora Cidade Nova lançará no início de março o livro Ginetta. Fatos que ainda não contei. Transcrevemos abaixo a apresentação do editor:

Paulo VI afirmava que “hoje o mundo ouve mais as testemunhas do que os mestres”. Ginetta Calliari (1918-2001) é uma dessas testemunhas que encantam e mostram o fascínio da coerência com os valores do Evangelho nas pequenas e grandes coisas da vida e quanto ser discípulo de Cristo faz ser pessoa realizada e construtora de um mundo fraterno.
Publicado aos dez anos do falecimento de Ginetta, este livro apresenta uma inédita autobiografia que ela escreveu na década de 1980.
Os fatos que ela narra, da infância, adolescência e juventude, revelam uma personalidade inquieta e questionadora, em busca de algo capaz de saciar sua sede de autenticidade e de felicidade. Esse algo ela encontra ao conhecer Chiara Lubich e suas companheiras e com elas participar da fundação do Movimento dos Focolares.
A obra permite adentrar na figura extraordinária de uma mulher dos nossos tempos, cuja vida e ação deixou marcas significativas na vida de muitas pessoas e na história do nosso País.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

UMA FÉ CARISMÁTICA

Extraído do livro “Ginetta. Uma VIDA pelo IDELA da UNIDADE”

Sua fé foi sempre considerada carismática, “escandalosa”, fazendo jus à Palavra de Vida que havia recebido de Chiara (ou seja, uma frase das Escrituras que serve de programa de vida): “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto viverá” (Jo 11,26). Para ela, nada era impossível tratando-se de uma vontade de Deus a ser realizada.
A vida de Ginetta está marcada por contínuos fatos nos quais a vivência das palavras do Evangelho se manifestou em efeitos, diríamos, extraordinários. Ela acreditava na veracidade do Evangelho, nas promessas de Jesus, e exortava todos a pedirem a Deus tudo de que precisavam, “com a fé de já ter obtido”. Diante de um pedido seu, da exposição de alguma necessidade imediata para levar adiante o progresso do Movimento, ninguém conseguia dizer não. Ginetta possuía a grande capacidade de envolver as pessoas no seu entusiasmo e na sua fé pela causa de Deus: os bolsos se esvaziavam, as jóias eram doadas, mão-de-obra era posta à disposição, transferências para outras cidades e mudanças de trabalho se efetuavam... E o resultado era sempre uma comunidade compacta, onde todos eram “um só coração e uma só alma” (cf. At 2,42).
Nos depoimentos sobre Ginetta percebe-se, ainda, que ela acreditava nas pessoas, ou seja, nas suas potencialidades, talvez escondidas, muitas vezes por elas mesmas ignoradas, mas sempre presentes no seu interior, e sabia fazê-las emergir e desenvolver-se.
Quando os tempos urgiam testemunhos concretos de fraternidade, seja no âmbito social, seja no eclesial, Ginetta envolveu muitos membros do Movimento na redação de três livros, coletâneas de fatos e experiências de Evangelho vivido, único caminho, segundo ela, para gerar “homens novos”, aptos a construírem uma sociedade justa e fraterna.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A “LEGIÃO BRANCA”

Trecho extraído do livro “Ginetta. Uma vida pelo ideal da unidade”

Era o dia de Nossa Senhora das Neves, e Chiara nos disse:
- Precisamos cobrir o mundo de branco, de neve, devemos “imaculatizar” o mundo, perfumar o mundo.
Lembro-me de que nascia em uma ou outra jovem o desejo de seguir Jesus, assim como Chiara o havia seguido. Então, cada uma conversava pessoalmente com ela.
Um dia, ela escreveu uma carta convidando aquelas jovens que queriam dar tudo a Deus da mesma forma que ela para uma reunião. Éramos quarenta, mas nem todas puderam ir. Chiara chamou-nos “a legião branca”.
Lembro-me de que, numa tarde de chuva, trovões, escuridão e bombardeios, uma tarde realmente desoladora, reunimo-nos numa sala. Quando comunicamos ao frade capuchinho que nos dirigia espiritualmente o nosso desejo de viver por Jesus Abandonado presente nos irmãos, ele disse:
- Temos de fazer uma promessa solene.
Ele veio com um grande crucifixo e, passando, colocava-o nos nossos braços. Chiara foi a primeira. Aquele crucifixo era símbolo de que estava pronta a levá-lo nos braços, amá-lo, carregá-lo até o fim da vida. Entre nós havia também uma adolescente; quando chegou a vez dela, ele parou um pouquinho, com receio e lhe disse:
- Será que você quer isso mesmo? Você o quer por toda a vida?
- Sim, eu quero!
- Será que você não vai deixá-lo cair no chão?
Ela ficou vermelha, mas respondeu:
- Não, não quero deixá-lo cair no chão!
Eu fiquei impressionada, nunca se apagou da minha mente aquele momento. Chegou também a minha vez e, em unidade, fizemos o pacto de acompanhá-lo na nossa vida, até o fim.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

NÃO VER NEM HOMEM NEM MULHER, MAS JESUS

Trecho extraído do livro “GINETTA. UMA VIDA PELO IDEAL DA UNIDADE”.

Como Chiara era uma moça, começou a transmitir essa vida a moças. Porque ela não conhecia o plano de Deus, o que Deus queria, mesmo percebendo desde o início que era uma espiritualidade feita para todos, porque jorrava do Evangelho, e o Evangelho é feito para todos. Mas ali éramos somente nós, algumas moças; depois havia um padre, que era o diretor da Ordem Terceira de São Francisco, havia um irmão, religiosa da mesma família franciscana, havia frei Boaventura e, por fim, um jovem também da Ordem Terceira. Lembro-me de que Chiara, e somente ela, tinha contato com estas últimas três pessoas. Mas nós nunca tínhamos tido um contato com a parte masculina.
Quando Chiara foi para Roma, em 1949, comecei a transmitir a Palavra de Vida àquelas pessoas que tinham contato conosco e a visitá-las.
Fui à casa do nosso primeiro focolarino, Marco Tecila, eletricista, que conheceu Chiara e as suas primeiras companheiras nos tempos de guerra.
Aliás, foi assim que ele conheceu o Ideal: nós tínhamos um fogãozinho elétrico para fazer a comida. Acontecia que Chiara nos chamava de vez em quando para nos falar de Deus; e nós permanecíamos ali encantadas a ouvir e nos esquecíamos de que tínhamos deixado o leite no fogo! O leite derramava e queimava a resistência. Assim, precisávamos de um eletricista. E veio Marco. Ele ficava sempre trabalhando, mas às vezes escutava alguma coisa.
Então, comecei indo visitar a mãe dele. Lia a Palavra de Vida com ela. Fiz a mesma coisa com uma vizinha da casa onde eu morava. E começamos, um a um. Toda semana íamos transmitir as experiências da Palavra de Vida, porque naquela época toda semana tínhamos uma frase nova.
Portanto, era sempre alguém da parte feminina. Acontecia que essa pessoa ficava impressionada, talvez falasse ao marido e, depois de uma segunda, terceira vez, também o marido estava conosco. Mais tarde, em outra circunstância, ia o filho; em outra circunstância, o colega; em outra circunstância, um parente de passagem... Assim, eu começava a ver que, no meio da parte feminina, aos poucos, havia sempre também algum homem.
Entre eles, estava também o pai de Chiara.
Eu conseguia fazer encontros para uns trinta grupos.
E como é que se fazia para realizar esses encontros? Eu aproveitava o intervalo que as pessoas tinham no trabalho entre o expediente da manhã e o da tarde. E de um intervalo a outro – eu tinha uma bicicleta – passava de um encontro para outro, de um encontro para outro.
Não havia ônibus naquela época, nem tínhamos telefone. O encontro era mais ou menos de quarenta e cinco minutos. O tempo necessário para se despedir, sair de bicicleta e, depois, chegar até o expediente da tarde.
Além desses encontros pessoais, realizava um encontro plenário todo mês. Todas essas pessoas que procurava encontrar para viver em unidade a Palavra de vida eu as convidava para o plenário.
(...)
Um dia, eu vi que havia três homens. E para nós era uma novidade. Nos pequenos encontros havia homens, como eu disse: o marido, o tio, o avô, o irmão, o vizinho... porque todos ficavam interessados, todos, todos; a parte masculina dava uma resposta espetacular – lembro-me bem.
Mas ali se tratava de um encontro maior! Chiara nos acostumou a não ver nem homem nem mulher, mas a ver Jesus em todos. Portanto, homens ou mulheres, para nós, eram a mesma coisa; tratava-se de fazer a vontade de Deus naquela situação que representava uma novidade.
Pensei comigo mesma: Depois, direi a eles, com toda a caridade, que nos pequenos encontros fico feliz em me encontrar também com eles, mas talvez neste encontro aqui, da parte feminina, é melhor que não venham. Formulei esse propósito.
“O homem propõe e Deus dispõe”. Não foi necessário que eu fosse até eles; foram eles que vieram até mim primeiro. E me disseram:
– Olhe, por que somente as mulheres querem se santificar? Também nós queremos nos santificar.
Eu disse:
– Vocês esperem dois dias, que vou dar uma resposta.
Perguntei-me: Quem é que me diz a vontade de Deus na ausência de Chiara? É o bispo. Contei-lhe essa experiência, e ele me deu a sua benção.
Lembro-me de que passou para a história o número: cinqüenta homens, de todas as idades e classes sociais.
(...) Tudo nasceu tão espontâneo!... Mas era a hora de Deus.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O ENCONTRO COM O CRUCIFIXO VIVO

Trecho extraído do livro ‘GINETTA. UMA VIDA PELO IDEAL DA UNIDADE’.

No Brasil reconheci o Crucifixo vivo na pobreza do focolare; mas me parece tê-lo encontrado, de forma chocante, no povo que eu via pelas ruas, nos pobres.
Antes, não conhecia a pobreza, a fome; não sabia o que era isso: ver uma pessoa faminta, ver uma pessoa explorada, oprimida, ridicularizada, caluniada, esmagada. E, no entanto, são homens, são criaturas como nós! Digo muitas vezes que, pela sensibilidade que tenho, se não morri, foi uma graça de Deus; porque eu não conhecia este aspecto. Se você acompanha as revistas, os jornais ou lê algum livro, eles não dizem nada! Eu acreditava que ao menos os velhinhos estivessem alojados num asilo, ou os doentes em algum hospital, mesmo ruim, talvez abandonados, sem cuidados, mas que tivessem ao menos uma cama... Mas ver as pessoas dormindo nas calçadas, para mim, foi uma coisa fortíssima, fortíssima!
E ali foi se revelando um aspecto de Jesus Abandonado que eu não conhecia – conhecia mais a parte espiritual Dele, aquele abandono de Deus, aquela ausência de deus, mais tarde nas dores morais, talvez nas dores físicas, mas não muito; nas dores físicas entendi aqui no Brasil! A cada passo deparava com Ele. Encontrava-o nas ruas, nas praças, na praia – não é que ia muito à praia, mas quando, por acaso, andava pelas ruas do bairro de Boa Viagem, o encontrava!
Quando chegamos, não tínhamos nada... E teríamos vontade de bater de porta em porta, para pedir esmolas e dizer: Ajudem-me, dêem-me alguma coisa para matar a fome destes e daqueles.
E ali Deus quis um passo meu, porque vi os nossos limites, vi que não conseguíamos... Ali havia fome, havia desnutrição, havia desprezo, pessoas humilhadas, esmagadas, como se houvesse tanques de guerra passando por cima da pobreza... com uma indiferença, sem saber o que faziam. Tanques que passam por cima, sem parar, sem olhar, sem piedade, com o coração de pedra! Aquilo que na Europa eu não conhecia... é uma experiência que fiz somente aqui! Foi algo duríssimo, porque deparei com os meus limites, os nossos limites.
Precisávamos da comunhão dos bens para irmos para frente... E foi ali que entendi: Somente Deus pode fazer alguma coisa. Deus é Pai! Um Deus que nós temos de apresentar. Trata-se de um coletivo, um Deus que é um coletivo, ou seja, as comunidades.
Tínhamos, diante de nós, um povo sem Deus. Aquele que é esmagado está sem Deus, pois quem é que lhe fala de Deus?! Aquele que está por cima talvez tenha conhecido Deus, mas... não se interessa. E aquela situação era como um grito, como se se apresentassem somente estas palavras: Deus, Deus, Deus, Deus! E esse grito precisaria ser multiplicado. Ali, entendi o pai-nosso, sobretudo a segunda parte: “O pão nosso de cada dia nos daí hoje”.
Mas assistia a tantos milagres, a tantos milagres na cidade de Recife, mas tantos mesmo! Seria preciso escrever livros e mais livros para dar glória a Deus, para dizer que o Evangelho é verdadeiro, que, se tomamos as palavras de Deus ao pé da letra, Ele responde. É uma coisa incrível!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A CARIDADE COBRE A MULTIDÃO DE PECADOS

Estamos vivendo os últimos dias do ano 2010 e gostaríamos de iniciar 2011 realmente com o coração novo. Propomos uma experiência vivenciada por Ginetta - extraída do livro "Ginetta. Uma VIDA pelo IDEAL da UNIDADE" -, por ocasião da abertura do primeiro focolare na cidade de Milão, que nos dá uma pista para que isso aconteça.


Eu escrevia, sempre, tudo a Chiara e comunicava tudo ao nosso arcebispo (de Trento) e a padre Tommasi, que era o nosso assistente em Roma. Ele me disse: ‘... é preciso falar com o Cardeal Schuster, arcebispo de Milão’. (...)
Só pronunciar esse nome fazia todo mundo tremer! O cardeal Schuster era um dos mais importantes da Itália.
Tomeis o trem, mas naquele período, logo após a guerra, os trens confortáveis eram quase inexistentes, diria até que não existiam realmente. E, de fato, viajei naqueles trens em que se transportava gado. Portanto, um vagão onde não há lugar para sentar e, como tinham embarcado também os animais, não havia um bom odor, não se sabia onde por as mãos e era fácil perder o equilíbrio, pois não dava para se apoiar em nada. (...)
No dia seguinte, fui ao arcebispado. O secretário do cardeal perguntou-me o que eu queria. Disse-lhe que o meu arcebispo havia dito que eu teria que me encontrar com o cardeal Schuster. Perguntou-me:
- Qual é o assunto?
- É um assunto religioso.
- Bem, a senhorita não vai falar com o cardeal Schuster; vai falar com monsenhor Gornatti. (...)
Eu tomei tamanho susto que me esqueci que eu tinha um bilhete do nosso arcebispo. Mas fui.
Depois de vários corredores, um senhor me parou e perguntou:
- O que deseja, senhorita?
- Tenho aqui um bilhete do secretário do cardeal Schuster; devo falar com monsenhor Gornatti.
- Mas a senhorita sabe quem é monsenhor Gornatti?
- Sei apenas que devo falar com ele.
- Mas é um juiz!
Digo a verdade, por uma graça particular de Nossa Senhora, não caí... (...)
Tremia de medo e me perguntava: Mas, Ginetta, por que está tremendo de medo? Essa pessoa me dá medo, o juiz me dá medo. Mas escute, Chiara não nos ensinou a ver Jesus em todos? Então você tem medo de Jesus? Por que não vê Jesus nele?
(...) Entretanto, dizia a mim mesma: Por que ele me dirá não? Porque sou Ginetta; porque, se eu fosse Jesus, ele não teria coragem de dizer “não”. (...)
Mas surgiu outra dificuldade: Mas você, Ginetta, não é digna, é miséria, é pecado, é realmente a negação de tudo. Por isso você não é Jesus, eis a questão.
A essa altura todas, as pessoas já tinham entrado. O coração batia forte: Está chegando a minha hora, devo entrar. Mas o senhor que estava à minha esquerda, e era o último, me perguntou:
- Por favor, poderia me deixar passar à sua frente, porque tenho uma coisa importantíssima a fazer e não conseguirei se não entrar antes da senhorita.
Respondi:
- Sem dúvida! Com muita alegria!
Tendo feito isso, a paz voltou a reinar dentro de mim, porque me lembrei de que na Sagrada Escritura está escrito que a caridade cobre a multidão dos pecados. Naquele momento, fiz um ato de caridade ao irmão e acreditei que Deus podia purificar-me com aquele ato de caridade e preparar-me para me encontrar com aquele monsenhor.
Mais tarde ele saiu e eu entrei. O monsenhor me olhou e disse:
- Que paciência a senhorita teve!
Perguntou-me:
- Por que veio me procurar?
Contei ... (...). Ele ficou impressionadíssimo e me disse:
- Ma esse é um ótimo espírito, do qual têm urgente necessidade, não só os pequenos centros, mas também os grandes centros, como Milão! (...) A senhorita seguiu o caminho certo, pois o Evangelho diz: “Eu sou a videira e vós sois os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fruto” (Jo 15,5).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O PROBLEMA SOCIAL NÃO SE RESOLVE COM UM PACOTE DE NATAL

Trecho extraído do livro “Ginetta. Uma VIDA pelo IDEAL da UNIDADE”.

Um dia, um amigo de Gino, irmão de Chiara (esse amigo e Gino eram ambos comunistas), foi até ela para contar-lhe como o comunismo estava se estendendo em toda a Itália e em todo o mundo. Pouco antes de ir embora, tomado pelo entusiasmo, disse:
- Eu estaria disposto a derramar logo todo o meu sangue, se soubesse que assim poderia contribuir para desenvolver e difundir ainda mais esse grande ideal pelo mundo; renunciei à carreira de médico e, neste momento, também a formar uma família.
Essas palavras tocaram profundamente Chiara, porque, entre outras coisas, ela sabia que aquele jovem, além de ter renunciado à carreira de médico e, no momento, a formar a sua própria família, pela doação excessiva aos companheiros pobres e operários comunistas, tinha perdido a saúde e ainda tinha sido preso e maltratado pelos soldados alemães, para não trair os seus amigos, que viviam com ele pelo mesmo ideal.
Quando ele saiu, Chiara nos disse:
- Quantas coisas ele fez por um ideal meramente humano! Realmente nos superou na generosidade!

As palavras dele soavam aos nossos ouvidos como uma tremenda reprovação. Nós, pelo Ideal dos ideais, Deus, que há tempos havíamos escolhido como o nosso único Tudo, não tínhamos feito tanto quanto ele. Ficamos emudecidas, mas não perdemos o ânimo.
(...)
Jesus, no Santo Evangelho tinha dito e nos dizia: “Daí, e vos será dado; uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, será derramada no vosso regaço” (Lc 6,38). É preciso dar para ter; para ter e poder doar novamente. Era um dever para todos nós dar o supérfluo e evitar que existisse quem não possuísse o necessário.
Não é justo, dizia, que entre nós exista quem circula com um casaco de pele e quem não tem o leite no café da manhã e a mistura no almoço.
(...) É vontade de Deus – para que se evitem esses enormes desequilíbrios – que se doe o supérfluo a quem não tem o mínimo indispensável para vier, e isso, constantemente, com consciência.
(...) O problema econômico social não se resolve com um pacote no Natal (...). Porque o ano é feito de trezentos e sessenta e cinco dias, e o físico reclama todos os dias os seus direitos. Na nossa pequena e grande família não deve existir nenhum necessitado, nenhuma diferença entre quem dá e quem recebe. Somos todos irmãos, todos filhos do mesmo Pai, o Pai que está nos Céus.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ANTES DE TUDO A CARIDADE

TRECHO DO LIVRO "Ginetta. Uma VIDA pelo IDEAL da UNIDADE", PG. 97

O cristão – aquele que crê ser cristão – deve fazer a vontade de Deus. Quem de nós pensava, antes, em fazer a vontade de Deus?! Mas Chiara disse que nós tínhamos mesmo de fazer a vontade de Deus. Por exemplo, quando alguém entra na escola para estudar ou entra no escritório, no Banco, e o horário é às oito horas, entra às oito, e não às oito e cinco!
E, falando de Comunhão Eucarística, para recebê-la temos de assistir à missa. E, à luz do Carisma da Unidade, também a missa veio em relevo de uma maneira extraordinária. Para nós, um dia sem missa era um dia perdido, um dia que não tinha significado, pois se tratava do momento mais importante do nosso dia. Se a missa era às sete horas, então era às sete horas! Às sete horas precisava entrar e ajoelhar-se.
Uma vez, estava em casa com uma outra focolarina e devíamos ir à missa. Precisava descer quatro andares. Eu, que estava olhando o relógio, achava que se nós não fôssemos mais rápidas, talvez corrêssemos o risco de entrar com um pouco de atraso na igreja.
E a minha amiga, que saiu por último, tinha de trancar a porta. Eu achava que ela estava indo devagar demais e eu não queria chegar atrasada à igreja por causa dela.
Assim, desci depressa todos os degraus até lá embaixo. E a consciência me dizia – era como se Jesus que, através da consciência, me dissesse: “Não me interessa nada a sua missa, não me interessa nada o seu desejo de fazer a vontade de Deus; a mim interessa a caridade para com a sua irmã e que você se apresente a mim junto com ela”. Porque o Evangelho diz: “Antes de tudo a caridade”, antes da missa, antes da comunhão, antes de rezar o terço, antes de adorar o Santíssimo Sacramento, antes de qualquer ação mais nobre. Não vale nada! Uma só coisa é necessária: o amor. Então, parei, voltei, fui procurar a minha amiga, depois desci a escada, mas com a alma serena, tranqüila, com a paz, a paz.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A CERTEZA DE QUE ELE NOS ENTREGARIA ESSE MUNDO

Trecho do livro "Ginetta. Uma VIDA pelo IDEAL da UNIDADE", pg. 171
Quando Chiara me chamou e disse: “Será você a abrir um centro do Movimento no Brasil”, a partir daquele momento comecei a pensar: Não seria melhor, talvez, que fosse outra pessoa no meu lugar? Mas não disse nada a ninguém, só comecei a rezar; rezava três terços por dia: os mistérios gozosos, na intenção da unidade das Igrejas; os dolorosos, pela unidade com os que não crêem; e os gloriosos, pela unidade no interior da Igreja Católica. E isso para que se cumprisse a vontade de Deus bem, para que não fosse uma permissão Dele.
No dia da viagem, diante daquele navio, Andrea C, a um certo momento ouvi um aviso pelo alto-falante. Esperava ouvir: “Atenção, atenção, senhora Ginetta Calliari, deve voltar para Roma!” Mas não era, o aviso não tinha nada a ver comigo.
Entramos no navio e quando estávamos na metade do caminho, no coração do oceano, mais ou menos, perto da linha equatorial, ouvi uma campainha, como se fosse um telefone, que vinha do andar de cima da cabine. Como era a primeira vez que viajava para tão longe, ingenuamente pensei: Vai ver que vão me chamar.
Depois, uma vez em Recife, cada vez que chegava o correio, eu sempre esperava que nas cartas me dissessem que devia voltar. Enfim, estava sempre na atitude de quem iria voltar, ao mesmo tempo, porém, pronta para permanecer por toda a vida e, portanto, fazendo bem todas as coisas.
Desde o começo, nos sentimos esposas de um Deus, que é dono do mundo. Portanto, tínhamos certeza de que Ele nos entregaria o mundo. Eu sabia que chegaria o momento no qual Ele faria isso.
Se Ele tivesse deixado a escolha a mim, teria escolhido o Norte da Itália, Roma, talvez, porque nunca gostei do calor, e também como minha mãe era mais alemã do que italiana, recebi uma educação marcada pela precisão, pela seriedade, pela organização, todas essas coisas. E depois, tinha certa facilidade com as línguas; eu gostava da língua alemã.
Mas Chiara não nos convidou para escolher. Chiara, a um dado momento, nos disse que íamos sair da Europa para levar o Ideal a outro continente, a América. Qual nação? O Brasil. Cidade? Recife. Pensando na minha formação espiritual, precisava sentir o calor – porque, normalmente eu não queria o calor. A pontualidade. Eu tive de me desapegar dessa minha característica, desapegar mesmo, e tenho ainda de me desapegar. Estar no Recife significava conviver com essas pequenas coisas que eram difíceis para mim.
Antes de desembarcar do navio, fui pedir permissão para entrar onde estão as caldeiras, porque queria ver se resistia ao calor – eu sabia que estávamos indo bem para a linha equatorial.
Por ocasião do primeiro Natal que passei no Recife, no Colégio Santa Catarina, havia na sala uma árvore de Natal com algodão no lugar da neve. Lembro sempre que ali fazia tanto calor que eu tinha vontade de colocar as mãos em cima daquele algodão, porque parecia ser frio.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

EU TAMBÉM TENHO UM ESPELHO

Trecho extraído do livro “Ginetta. Uma vida pelo IDEAL da UNIDADE”, pg 104


Eu tinha só uma colega naquele escritório, os outros eram rapazes. Ela guardava um espelhinho na gaveta da sua mesa e, como vinham muitas pessoas para serem atendidas no guichê, ela gostava de agradar a todos aqueles que iam ali, ou então de fazer-se notar... E abria a gaveta, se olhava no espelhinho, se ajeitava um pouquinho, para ver se estava bem, e depois sorria para todo o mundo.
Vejam só! Não dá para imaginar o bem que ela me fez! Vou contar de que modo. Todas as vezes que ela se olhava no espelhinho, eu me lembrava de que também eu tenho um espelho, que é Jesus; tenho de me lembrar de ver Jesus em cada um, em cada um, fechar os olhos para o negativo que pode existir nas pessoas e ver Jesus. Era uma ginástica constante! E olha que ninguém escapava de minha colega. E talvez, para mim, houvesse um ou outro que passava sem eu perceber. Disse a mim mesma: De hoje em diante não pode mais escapar de mim nenhuma pessoa. E assim como Chiara nos tinha ensinado a colocar todos no Coração de Jesus, passava um, passava outro e eu dizia a mim mesma: Vamos colocá-los no Coração de Jesus.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

POEMA A GINETTA

Ginetta
Uma estrada se abriu
Toca a terra e toca o céu
É o teu amor incandescente
Fogo aceso, permanente
Que alimenta o nosso ser
Tuas palavras sempre vivas
Teu exemplo que arrasta
Tua radicalidade
Continuam a nos guiar
Os teus filhos, dia a dia,
Falam de imensa alegria
Que é sentir-te em meio a nós
Sim, Ginetta
Tu ficaste
E conosco continuas
Chama viva
Caminho aberto
Que ao Pai nos reconduz.

R.A. (8.3.2002)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A GINETTA

Uma estrada se abriu
Toca a terra e toca o céu
É o teu amor incandescente
Fogo aceso, permanente
Que alimenta o nosso ser
Tuas palavras sempre vivas
Teu exemplo que arrasta
Tua radicalidade
Continuam a nos guiar
Os teus filhos, dia a dia,
Falam de imensa alegria
Que é sentir-te em meio a nós
Sim, Ginetta
Tu ficaste
E conosco continuas
Chama viva
Caminho aberto
Que ao Pai nos reconduz.

R.A. (8.3.2002)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Ginetta Calliari


Gigante foste na espiritualidade
Incomensurável na arte de amar
No Ideal modelo de unidade
E a Chiara sempre a encantar
Totalitária na fidelidade
Tendo radicalidade no amar
Ao Abandonado foste esposar

Com o coração eras brasileira
Ao crucifixo vivo Tua consagração
Legaste a todos Sabedoria verdadeira
Liame de amor entre os irmãos
Intuíste unidade na Política brasileira
Aclaraste a Economia de Comunhão
Rejubilaste Cidadelas oh grande conselheira!
Imortal Ginetta ficaste no nosso coração e na terra brasileira!

G.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A GINETTA

ALMA DE DEUS

Toda Nele projetada
Dele totalmente encantada
Emanava amor, essência do Céu
Passava Maria quase sem véu

Virgem e mãe
Tantos filhos gerou
Filha predileta
À unidade arrastou

Da sua gente sofrida
Fez um povo novo
Uma oferenda, toda a sua vida
Até o fim ela amou

Hoje arrebatada ao Céu
Um imenso vazio foi deixado
Mas de lá ela nos adverte
Acreditem, o vazio ... já foi completado.
_________________________________________
ORIGINAL EM ITALIANO:

ANIMA DI DIO

Tutta in Lui proiettata
Di Lui talmente incantata
Sgorgava essenza di cielo
Parlava Maria quasi senza velo

Vergine e madre
Tanti figli ha generato
Figlia diletta
All’unità ha trascinato

Della sua gente sofferta
Ha fatto un popolo nuovo
Tutta la vita, un’offerta
Fino alla fine ha amato

Oggi rapita dal Cielo
Un immenso vuoto ha lasciato
Ma di lassù lei ci avverte
Credete, il vuoto... è già colmato.

V.L.
______________________________________

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A GINETTA

Você me ensinou tanto...
- amar sem medidas
- recomeçar infinitamente
- a perdoar,
- a ter esperança sempre
- a sorrir, mesmo quando a lágrima era imperiosa e justificada
- a lutar, saboreando a luta
- a crer no homem, além das estruturas
- a esperar pelo "tempo do outro" ...
- a não perder de vista a meta, o objetivo.
Você me ensinou tanto ...
- a acreditar em mim, e sobretudo na força de Deus em mim
- a partilhar o pão, as dores e a alegria
- a enxugar lágrimas, dividir dores, devolver esperança
- a superar cada limite, todo trauma,
- a enfrentar a vida, com a dignidade de quem sabe que é amado
- a não parar nos erros e nos limites
- enxergar longe, mirar alto ...
Você me ensinou tanto...
- amar o meu país,
- a crer na política, nos políticos e sonhar com dias melhores
- não julgar nunca
- vibrar com as conquistas minhas e dos irmãos,
- a ter força, coragem e fé
- ser mãe, esposa e mulher
Você me ensinou tanto ...
- a alegria de dar, mas com generosidade saborear
- saborear a presença de Deus entre nós ...
- cortar com os apegos e voar livremente
- o que é ter uma Mãe no céu, e uma Mãe na terra
- ter diante de si um Único Mestre
- a seguir e atuar uma única palavra, para realizar a Obra.
- a oração potente
- a fé que remove montanhas
- a doçura e a alegria de sermos irmãos e amigos.
Você me ensinou tanto ...
Você só não me ensinou a superar a dor da saudade.
Porém, se a tua vida é Luz para mim
Nesta dor encontro a resposta, e a união mais profunda contigo
Porque, mais do que tudo, você me ensinou a ser fiel a Jesus Abandonado
Teu, meu, nosso eterno esposo.
Obrigada Ginetta!!!
D.P.B.